quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Ronnie Peterson - o sueco "voador"...

Ronnie fez sua estréia em Grandes Prêmios guiando para a March, no GP de Mônaco de 1970. Antes, após os tempos de kart, ele participou da Fórmula 3 competindo pela equipe Svebe. Em 1971 venceu o campeonato europeu de Fórmula 2 guiando pela March, e ainda obteve 5 segundos lugares na Fórmula 1, que lhe valeram o vice-campeonato da categoria. Peterson permaneceu na March até 1973, quando assinou contrato com a John Player Team Lotus para competir ao lado de Emerson Fittipaldi.

Sua primeira vitória em grandes prêmios foi no Grande Prêmio da França de 1973. Naquele ano venceu mais três vezes. Em 1974 obteve mais três vitórias, nos GPs da França, Itália e Mônaco. Depois de um ano ruim em 1975, em que o Lotus 76 provou ser um erro, voltou a guiar pela March, equipe pela qual venceu o GP da Itália de 1976.

Em 1977 Peterson correu pela equipe Tyrrell, com o lendário carro de seis rodas, mas a antes vitoriosa esquadra dos carros azuis já havia iniciado sua longa e irreversível decadência. O ano foi particularmente ruim para Peterson e, para surpresa de muitos, o sueco voltou a assinar contrato com a Lotus para a temporada de 1978.

Pela equipe de Colin Chapman, que havia aperfeiçoado o revolucionário conceito aerodinâmico do carro asa, Peterson venceu os GPs da África do Sul e Áustria. Mesmo assim, por condição contratual imposta pela equipe, não lhe foi permitido duelar diretamente com o companheiro de equipe Mario Andretti, primeiro piloto do time. Apesar de os resultados já lhe assegurarem o vice-campeonato, tal situação na Lotus levou Peterson a negociar uma possível ida para a McLaren na temporada de 1979.

A Lotus chegou ao GP da Itália com a possibilidade de tornar Andretti campeão antecipado. Nos treinos, Peterson teve seu carro titular danificado, e precisou recorrer ao carro reserva, que era um modelo mais antigo da Lotus.

Foi exatamente nesta corrida que estreou na F-1 o semáforo, em substituição ao antigo método de largada em que se baixava uma bandeira com as cores do país-sede do GP. No entanto, o diretor da prova, Gianni Restelli, atrapalhou-se com a novidade: antes que os carros das últimas filas do grid houvessem parado, foi acionada a luz verde. Os pilotos que vinham de trás, portanto, arrancaram em maior velocidade, o que fez com que todos os carros chegassem juntos ao ponto em que a reta se estreitava antes da Chicane Goodyear. Alguns carros se tocaram, e o Lotus de Peterson foi jogado para fora da pista, de encontro ao guard-rail. O choque danificou seriamente a parte dianteira do Lotus e rompeu os tanques de combustível, causando um grande incêndio. Peterson foi tirado do carro com graves ferimentos nas pernas, por bombeiros e outros pilotos, e foi internado. Os primeiros procedimentos médicos no atendimento incluíram a amputação do pé esquerdo do piloto. No dia seguinte, Ronnie Peterson faleceu, vítima de embolia causada pelas fraturas. Nas entrevistas dos pilotos após a prova, o inglês James Hunt declarou que, pelo som que emitia no momento da largada, o antigo Lotus reserva que Peterson estava usando parecia ter problemas e não acelerar devidamente, o que teria contribuído para o desastre. No mesmo acidente foi seriamente ferido o piloto italiano Vittorio Brambilla, atingido na cabeça por uma roda solta de um dos carros envolvidos, e alguns meses depois outro piloto italiano, Riccardo Patrese, foi colocado em sursis pela Federação Internacional de Automobilismo, sob a acusação de ter sido elemento culposo do acidente. Por conta da confusão ocorrida com o uso do semáforo no GP da Itália, determinou-se que a largada só poderia ser dada depois que um fiscal atravessasse o grid com uma bandeira na mão, sinalizando que todos os carros haviam parado.
Estatísticas de Ronnie na F-1:

Nº de GPs: 123
Vitórias: 10
Pódiuns: 26
Voltas + rápidas: 9
Poles: 14
Total de pontos: 206

Primeira corrida: GP de Monte Carlo - Mônaco - 10/05/1970
Última corrida: GP da Itália - Monza - 10/09/1978

Primeira vitória: GP da França - Paul Ricard - 01/07/1973
Última vitória: GP da Áustria - Osterreichring - 13/08/1978

Primeira pole: GP do Brasil - Interlagos - 11/02/1973
Última pole: GP da Áustria - Osterreichring - 13/08/1978



Tributo a Emerson Fittipaldi...

Em 1964, ele foi notado a primeira vez em Interlagos, quando brigou com o diretor da prova que o impedia de entrar na ambulância que levava seu irmão Wilson, logo após ele ter sofrido um acidente em sua berlineta da Equipe Willys. Nesse mesmo ano Emerson se tornou piloto e começou a competir de kart, estreando com uma vitória em Santo André (SP), no dia 12 de abril. Terminou o campeonato em nono lugar. Sagrar-se-ia campeão paulista em 1965, quando estreou no automobilismo, dirigindo um Renault 1093, numa corrida na Ilha do Fundão pelo Campeonato Carioca. Ali sofreria também o seu primeiro acidente.

Em 1966, o irmão Wilson teve uma experiência internacional na Fórmula 3, correndo na Argentina, mas apesar de prometido não conseguiu um carro para as corridas na Europa e voltou ao Brasil. Wilson resolveu construir carros de fórmula conhecidos como Fórmula Vê. Emerson dominou o campeonato de Super Vë de 1967, ganhando cinco das sete provas com o carro construído pelo irmão. Também voltou a ser campeão de kart.

Os irmãos Fittipaldi construiriam ainda um Fitti-Vë e Emerson ganhou a II Cem Milhas de Kart em Piracicaba, disputada em 1968. Mas a categoria brasileira estava em crise e Emerson resolveu tentar a sorte na Europa. Iriam com ele os pilotos Luiz Pereira Bueno e Ricardo Achcar (que já havia vencido naquele mesmo ano na Inglaterra com um carro alugado), mas acabaram desistindo. A última vitória de Emerson no Brasil antes de viajar foi nas 12 Horas de Porto Alegre, pilotando um Volks 1600 (em segundo, pilotando um Corcel, chegaria José Carlos Pace).

Emerson teve a sua primeira corrida intenacional em 7 de abril de 1969 na Holanda e três meses depois, após muitas vitórias na Fórmula Ford, ele estrearia na Fórmula 3 inglesa. Sagrou-se campeão da categoria aos 22 anos. Seu imenso talento foi notado por Colin Chapman, proprietário da equipe Lotus de Fórmula 1, que o contratou no ano seguinte para correr pela sua equipe.

A corrida de estréia foi no Grande Prêmio da Inglaterra, em Brands Hatch, onde terminou a prova em oitavo. Três semanas depois, em Hockenheim, marcaria seus primeiros pontos, com um quarto lugar. No final daquele ano, em Monza, seu companheiro de equipe, o austríaco Jochen Rindt, que liderava o campeonato, faleceu num acidente. A Lotus, de luto, retirou-se por duas corridas e voltou no penúltimo GP da temporada, em Watkins Glen. Nesse dia, Emerson venceu sua primeira corrida e, ao mesmo tempo, impossibilitou seus adversários de alcançar a pontuação de Rindt, que assim sagrou-se campeão mundial postumamente (ver Grande Prêmio dos Estados Unidos de 1970 (Fórmula 1)).

O ano de 1971 não viu vitórias de Emerson, embora sua atuação consistente lhe tenha garantido três pódios. Em 1972, com 5 vitórias, Fittipaldi tornou-se o campeão mundial mais jovem da história da Fórmula 1, com 25 anos, oito meses e 29 dias, recorde que manteve por mais de três décadas e que só foi quebrado em 2005, pelo piloto espanhol Fernando Alonso. Em 1973, Emerson venceu mais 3 corridas, no entanto perdeu o título para o escocês Jackie Stewart. O sucesso contribuiu fortemente para a entrada do Grande Prêmio do Brasil no calendário internacional no ano seguinte, no circuito de Interlagos. Ele mesmo venceu a corrida inaugural.

Em 1974, o piloto brasileiro trocou a Lotus pela McLaren, e, com três vitórias (uma delas no Brasil), sagrou-se bicampeão do mundo. Ainda competitivo, venceu mais duas corridas pela mesma equipe no ano seguinte.

Em 1975, fundou, em parceria com o irmão, a equipe Fittipaldi, equipe inteiramente brasileira e que contava com o apoio da empresa estatal Coopersucar, nome pelo qual a equipe se tornou mais conhecida entre os brasileiros. O primeiro ano em sua própria equipe (1976) foi frustrante, com constantes abandonos. Em 1977, Emerson conquistou alguns resultados razoáveis, como três quartos lugares, mas foi em 1978 que ocorreu o grande momento de Emerson em sua própria equipe, ao terminar o Grande Prêmio do Brasil no circuito de Jacarepaguá em segundo lugar. A partir de então houve um declínio técnico na equipe, e, ao final de 1980, no mesmo circuito de Watkins Glen onde vencera sua primeira prova, Emerson Fittipaldi retirou-se da Fórmula 1 como piloto. Em 1982, após seu piloto Chico Serra marcar um ponto no Grande Prêmio da Bélgica, sua equipe fechou as portas.

Ele foi, sem dúvida, o piloto brasileiro que abriu as portas do automobilismo brasileiro para o mundo. Sua epopéia começou pela F-Ford em 1969 e só parou nas pistas ovais dos EUA em 1996. Foi bi-campeão da F-1, campeão da F-Indy e venceu, por duas vezes, a lendária 500 milhas de Indianápolis.

Por tudo isso, presto aqui a minha singela homenagem ao "rato", que dentro das pistas foi um "leão".

Estatísticas de Emerson na F-1:


Nº de GPs: 149Vitórias: 14Pódiuns: 35Voltas + rápidas: 6Poles: 6Total de pontos: 281
Primeira corrida: GP da Inglaterra - Brands Hatch - 18/07/1970Última corrida: GP EUA - Watkins Glen - 05/10/1980
Primeira vitória: GP EUA - Watkins Glen - 04/10/1970Última vitória: GP da Inglaterra - Silverstone - 19/07/1975
Primeira pole: GP Mônaco - 14/05/1972Última pole: GP Canadá - Monsport Park - 22/09/1974
Títulos mundiais: 1972 e 1974



terça-feira, 26 de agosto de 2008

GP da Espanha - 1975: uma tragédia anunciada...

O GP da Espanha de 1975 entrou para as estatísticas negativas da F1 após um pavoroso acidente ceifar a vida de cinco pessoas naquela tarde do dia 27 de abril no circuito de Montjuich Park.

O campeonato antes do GP da Espanha vinha bem equilibrado. Em três corridas, três ganhadores diferentes e o Brasil tinha o líder e o vice-líder do campeonato a essa altura: Emerson Fittipaldi e José Carlos Pace.

Mesmo sabendo de alguns problemas na segurança da pista a FIA fez vista grossa durante a checagem do circuito e a Prefeitura de Barcelona prometeu concluir todas as exigências a tempo do GP. Iniciados os treinos livres de sexta feira os pilotos logo perceberam algo estranho na pista. Alguns guard-rails estavam praticamente soltos, não segurando sequer um esbarrão mais forte. O palco para confusão estava armado. A GPDA (Grand Prix Drivers Associantion) se reuniu exigindo obras imediatas no circuito sob a ameaça de seus pilotos não irem para a pista. Com pressão dos patrocinadores e dos organizadores do GP, alguns pilotos que não faziam parte da GPDA resolveram sair dos boxes e treinar. Ickx, Brambilla e Hunt foram os primeiros, depois seguiram mais alguns.


Finalmente uma solução: os administradores do circuito interviram a tempo e iniciaram os trabalhos para fixação dos guard-rails que contou com a colaboração de alguns mecânicos das equipes.

No sábado pela manhã o circuito parecia estar em melhores condições, mas mesmo assim alguns pilotos ainda relutavam em correr. Encabeçando este grupo estava Emerson Fittipaldi. Depois de muita discussão e ânimos aflorados, os pilotos decidiram correr. 

Um após o outro, os pilotos vão a pista para formarem o grid de largada porém, Emerson se negava a correr. Sob grave punição se desobedecesse as ordens do patrocinador, Fittipaldi percorre algumas voltas bem lentamente no circuito alegando problemas no carro. Ele não se classifica para o GP.

A Ferrari domina os treinos e coloca Lauda e Regazonni na primeira fila, seguido por Hunt e Andretti.

Começa a corrida. Logo na largada uma confusão: a Parnelli de Mário Andretti toca levemente na Ferrari de Niki Lauda fazendo-o bater contra o guard-rail, mas não antes de levar seu companheiro de equipe Clay Regazonni junto.

Regazonni mesmo com o bico quebrado e o pneu furado conseguiu levar seu carro ao box. 

Se unindo a Emerson, Arturo Merzario e Wilson Fittipaldi percorrem apenas uma volta e recolhem seus carros para os boxes em forma de protesto.

Com a confusão da largada, Hunt e sua Hesketh se aproveitam do momento e partem para a ponta, mas não por muito tempo. A sina do primeiro colocado bater continua e um por um eles vão saindo da prova. Depois de Hunt abandonar a corrida foi a vez de Andretti, que tinha tudo para vencer não fosse a traiçoeira pista espanhola. 

Na volta nº 17, Rolf Stommelen com sua Embassy Hill se viu na dianteira do GP seguido de perto pela Brabham de José Carlos Pace. A pressão continuou volta após volta até o giro 26, quando a tragédia aconteceu. Em uma parte de altíssima velocidade do circuito, a rasante, o novo suporte de fibra de carbono da asa traseira da Hill se quebra, provocando o seu total desprendimento, justamente no ponto onde os carros precisavam de maior pressão aerodinâmica para não decolar. Pace assistiu de camarote Stommelen voar sobre os guard-rails e ir para cima de um posto de bombeiros onde três deles morrem instantaneamente com o violentíssimo choque a mais de 250 km/h. Sobrou também para um fotógrafo que ficava à beira da pista. Com o impacto os fios de comunicação se romperam e os comissários não tiveram como avisar o acontecido rapidamente para a direção de prova.

A corrida só foi paralisada depois de aproximadamente 10 minutos do acidente. Sabendo do acontecido a direção de prova imediatamente exibe a bandeira vermelha e interrompe a disputa.

Além de 4 mortes no local, o acidente feriu várias pessoas e uma delas morreria dias depois em um hospital da região. Stommelen incrivelmente "driblou" a morte mas com muitas fraturas.

Com a prova encerrada antes de seu fim os pilotos receberam a metade dos pontos da prova. A vitória foi de Jochen Mass, companheiro de Emerson na McLaren. Ickx com a Lotus e Reutemann da Brabham completaram o pódio. A menção honrosa foi para a italiana Lella Lombardi, que se tornou a única mulher a marcar ponto na F1 ao finalizar a disputa na sexta posição.

Com um fim de semana tão trágico como este, a bela Montjuich nunca mais sediaria uma prova da categoria.

Rolf Stommelen momentos antes da largada do GP da Espanha...
Niki Lauda lagou na pole position ...
James Hunt se aproveita da confusão na largada e assume a ponta ...
Arturo Merzario junta-se a Fittipaldi em protesto e percorre somente uma volta...

... assim como Wilson Fittipaldi...
O novo GH1 de Stommelen não resistiu a Montjuich e causou o gravíssimo acidente...
Stommelen e os destroços. O alemão teve muita sorte a mais de 250Km/h...

Jochen Mass conquistou sua única vitória na carreira...

O belga Ickx levou sua Lotus ao segundo posto...

... e o argentino Carlos Reutemann completou o pódio...

Menção honrosa para Lella Lombardi que mesmo largando da última fila conseguiu marcar ponto.