terça-feira, 20 de outubro de 2009

2009: uma temporada e vários temperos...

Ninguém vence seis corridas e chega ao pódio em outra em sete etapas seguidas, como fez Jenson Button este ano nas sete primeiras etapas do calendário. Não disputou segunda metade de temporada com a mesma competência, é um consenso, mas não há como tirar o mérito da conquista do título desse sempre simpático, acessível e sincero inglês de 29 anos.

A vitória da equipe de Button, a Brawn GP, não pode ser vista isoladamente. Ela é também o resultado de uma importante ação política do presidente da FIA, Max Mosley. O inglês autorizou o uso do duplo difusor e o recurso aerodinâmico condicionou quase tudo o que aconteceu nas pistas este ano. O objetivo de Mosley era romper a união das equipes (Fota), desde a criação da sua associação, no GP da Itália do ano passado.

A decisão de Mosley embaralhou as cartas. Teve também influência na decisão inicial da Fota de promover o campeonato paralelo. Ajudou a Ferrari e McLaren perderem força. As duas, como a maioria, não conceberam seus carros para o uso do duplo difusor. Ferrari e McLaren tiveram de reprojetar seus carros, assim como os demais, para incorporar o recurso. Mas uma coisa é desenhar um modelo de Fórmula 1 com o duplo difusor e outra é adaptá-lo.

O fato não tira o mérito do grupo de Ross Brawn, de Button e de Rubens Barrichello pelo belo ano. Mas explica, e muito, junto da mudança no regulamento, nesta temporada, os resultados surpreendentes e que, de certa forma, acabaram sendo saudáveis para a Fórmula 1. Por qual razão apenas Ferrari e McLaren devem vencer?

Mas a equipe mais prejudicada pela inconsequência de Molsey foi a Red Bull. Não há quem não afirme, com todas as letras, que Adrian Newey, projetista, foi quem melhor interpretou o novo regulamento. Mas Newey nem considerou a possibilidade de uso do duplo difusor por saber que é contra as regras. O carro do notável Sebastian Vettel e Mark Webber, da Red Bull, era o melhor sem o difusor. E com ele, depois de Mônaco, ainda que também apenas adaptado, mostrou da mesma forma sua força.

O Mundial que vai acabar dia 1.ª de novembro expos que um piloto de 37 anos, quase 300 GPs, milionário, tem tanto amor pelo que faz e mostra-se, ainda, tão capaz que quase chega ao título. Rubens Barrichello fez história. O campeonato da Fórmula 1 vai chegando ao fim atingido profundamente pelo escândalo do resultado fabricado no GP de Cingapura do ano passado. Mas como diz seu promotor, Bernie Ecclestone, em breve poucos se lembrarão do ocorrido.

Atuação Consagradora

Foi devido às más atuações de Jenson Button durante a metade final da temporada que Rubens Barrichello chegou em Interlagos neste domingo ainda sonhando com o título mundial. E, assim, nada mais justo do que uma atuação consagradora do inglês lhe valer a conquista antecipada da taça. Depois de um sábado em que tudo deu errado, Button mostrou porque é o justo campeão de 2009 ao terminar o GP do Brasil em quinto, depois de largar em 14º.

O resultado consagra assim o piloto que mais brilhou no ano. Mesmo com apenas um pódio na segunda parte do campeonato, ninguém teve atuações tão dominantes quanto o inglês de 29 anos, que havia vencido apenas uma vez na carreira antes de começar sua história de conto-de-fadas com a Brawn, equipe que não existia até menos de um mês antes do início do Mundial.

Já Barrichello fez o que estava ao seu alcance. Para alguém que não era nem mesmo cogitado para seguir na Honda, quando esta ainda existia, a história de superação, de voltar a vencer uma corrida depois de cinco anos e de lutar efetivamente pelo título já servem para comprovar como o veterano brasileiro teve — e, pelo que tudo indica, seguirá tendo — uma vida vitoriosa na F1.

Mas o grande vencedor do ano é Ross Brawn. Considerado o grande cérebro da Ferrari na era mais vitoriosa da escuderia, o inglês conseguiu pegar um time em frangalhos e, trabalhando em duas frentes desde o ano passado, colocou dois carros para brigarem por vitórias, dobradinhas, pelo título de pilotos e garantiu o Mundial de Construtores. Os parabéns dados efusivamente por Button ao seu chefe, e os elogios recíprocos, são totalmente merecidos.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

As grandes viradas

Rubinho está certo em esquecer a matemática e correr para a vitória, tanto em Interlagos como em Abu-Dhabi, e só fazer as contas quando a bandeira quadriculada baixar à sua frente. É uma atitude algébrica chamada, pelos versados na matéria, de “Equação de congruência”: ou seja: “Relação de congruência que se estabelece entre incógnitas, ou entre uma incógnita e uma constante”. Entenderam?

Resumindo, Rubinho Barrichello terá que ser, aritmeticamente incongruente para crer no título. Mas isso não será novidade, pois há bons exemplos de viradas matemáticas nas decisões dos títulos na história da Fórmula 1. Eis alguns casos:

Os azares do Leão da Metro
Talvez Nigel Mansell nem soubesse, mas seu apelido na mídia inglesa, até ganhar o título de 1992, era “Leão da Metro”. Uma alusão ao leão dos Estúdios da Metro, que aparece no início do filme e depois desaparece do espetáculo. Foi uma forma disfarçada dos seus conterrâneos para não consagrá-lo como um piloto azarado, depois das desastrosas derrotas nas decisões dos campeonatos de 1986, 1987 e 1991.

A decisão de 1986 foi a mais dramática. Mansell tinha tudo para ser campeão no GP da Austrália. Largou na pole position e tinha 70 pontos, contra 64 de Alain Prost e 63 de Nelson Piquet. Portanto, bastava ao Leão um simples quarto lugar para ganhar o título mundial, sem se preocupar com a posição dos rivais.

Mansell, ao contrário do seu estilo combativo, fez uma corrida mansa, de chegada, mantendo-se num estratégico quarto lugar. Na 57ª das 82 voltas, ele passou para terceiro e desfilava para o título sem ameaças, mas dois pneus furados, ambos direitos traseiros, mudaram a história do GP da Austrália e o destino do campeonato.

O pneu do Williams-Honda de Mansell furou na 63ª das 82 voltas, 100 metros após a entrada dos boxes, sendo impossível ao Leão vencer uma volta completa pelos 3,780 quilômetros do circuito australiano para fazer o pit stop. Ele bem que tentou, mas o que se viu foi a roda do Williams arrancar faísca do asfalto, na inglória tentativa do Leão de derrotar a má sorte. Já o afortunado Prost teve o pneu do McLaren furado 200 metros antes dos boxes, permitindo ao francês trocá-lo e voltar à pista para ganhar o bicampeonato.

Farina, de azarão a primeiro campeão
Juan Manuel Fangio, Luigi Fagioli e Giuseppe Farina – o famoso trio dos três efes da Alfa Romeo – chegaram ao GP da Itália de 1950, o último da primeira temporada da F-1, em condições matemáticas de ganhar o título. Fangio, o favorito, tinha 26 pontos, Fagioli 24 e Farina, o azarão, com 22, precisava ganhar e torcer para que nenhum dos adversários chegasse em segundo.

Foi a primeira decisão da história da Fórmula 1 na Itália e logo no autódromo de Monza, que virou um caldeirão superlotado e dividido; metade torcendo pelas Ferrari de Alberto Ascari e Dorino Serafini e outra e pelos patrícios Farina e Fagioli, mas todos secando o Fangio, o pole postion.

O argentino partiu possesso. Bateu o recorde da pista na quinta volta e repicou a façanha em outras três. Porém na 34ª das 80 voltas da corrida, o motor da sua Alfa 159 1.5, estourou. Farina assumiu a ponta, com Fagioli em 3º.

Luigi Fagioli lutou desesperadamente, mas “mesmo acelerando com os dois pés” - como declarou depois da prova – não conseguiu ultrapassar a Ferrari V12 4,5 litros, de Alberto Ascari, na luta pelo segundo lugar. A colocação, que lhe daria o título.

Era tudo de que Giuseppe “Nino” Farina precisava. Depois de 504 quilômetros e 2h51min ele, o azarão, venceu o grande prêmio e tornou-se, em 3 de setembro de 1950, o primeiro grande campeão da Fórmula 1 e herói da Itália.

Maracutaia dá título de 1958 a Mike Hawthorn
Mike Hawthorn foi o primeiro campeão inglês de Fórmula 1, mas sua façanha ficou marcada pela interferência do boxe da Ferrari. Quando o circo acampou em Monza, para o penúltimo grande prêmio de 1958, Hawthorn disputava o título com o conterrâneo Stirling Moss e a contagem estava 33 a 30 para o adversário. Mas, na corrida, o norte-americano Phil Hill, segundo piloto da Ferrari, era quem brigava pela vitória contra Tony Brooks, da Vanwall. E ai o boxe interferiu e ordenou que Hill cedesse o segundo lugar a Hawthorn, terceiro naquela altura da prova. Ele obedeceu, trocou de posição e Hawthorn que, com o segundo lugar e sem suor, folgou 6 pontos de Moss.

No GP seguinte, disputado em Marrocos, repetiu-se o expediente. Outra vez Phil Hill estava em segundo e, dessa vez, pronto para ultrapassar o Vanwall de Stirling Moss e ganhar a liderança, quando o boxe mandou ele aliviar e deixar Hawthorn ultrapassá-lo.
Mesmo com a vitória de Moss, Mike Hawthorn sagrou-se campeão, por um pontinho – 42 a 41. De prêmio, o obediente Phil Hill ganhou um contrato de três anos na Ferrari, escuderia pela qual foi campeão mundial – sem maracutaia – em 1961.


John Surtees, campeão em segundo. Graham Hill, vice em primeiro
Muitas corridas, e até títulos mundiais da Fórmula 1, tiveram decisões confusas e nem sempre desfechos justos. O do GP do México de 1964, por exemplo, está registrado como o grande prêmio do título mundial do inglês John Surtees, com a Ferrari 158. Mas, 45 anos depois, ainda existe quem conteste aquela conquista.

Era a última corrida da temporada, na qual Graham Hill, com 39 pontos, John Surtees, com 34, e Jim Clark, com 30, tinham chances matemáticas de ganhar o título mundial. Hill largou em sexto, Surtees em quarto e Clark na pole position. Mas foi o italiano Lorenzo Bandini, segundo piloto da Ferrari e terceiro no grid, quem acabou decidindo o grande prêmio e o campeonato.

Na 62ª das 65 voltas da corrida, Bandini, numa manobra suspeita, fechou o BRM de Hill, obrigando-o a sair da pista para evitar a colisão. O inglês retornou à prova em 11º, depois de perder uma volta.

Duas voltas depois, Bandini obstruiu temerariamente a passagem de Jim Clark, ao colocar o seu carro entre o Lotus do escocês e a Ferrari de Surtees, permitindo a seu parceiro de equipe receber a bandeirada em segundo, atrás de Dan Gurney, o vencedor com o Brabham-Climax. Essas manobras garantiram os títulos de piloto e de construtores à Ferrari.

Para a estatística ficou registrado John Surtees como o campeão e Graham Hill vice. A ironia é que Hill marcou com 41 pontos contra 40 de Surtees. Mas, como o regulamento daquele ano só permitia ao piloto computar os seis melhores resultados, das 10 corridas do calendário, Hill teve de abandonar 2 pontos, do quinto lugar conquistado no GP da Bélgica, contabilizando apenas 39 positivos.
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Wofgang von Trips - A morte dá a virada
Von Trips foi um conde alemão que competiu na F-1 com o pseudônimo de Graf Berghe, para se esconder da oposição familiar, totalmente contra as corridas de automóveis. Ele competiu em 27 grandes prêmios pela Ferrari, entre 1957 a 1961, e foi o primeiro piloto germânico a vencer grandes prêmios – quatro no total – e a chegar à decisão de um título mundial nos primeiros 45 anos da categoria.

Von Trips (1928-1961) morreu em um acidente no GP da Itália de 1961, em Monza, quando disputava o título com o norte-americano Phil Hill. Foi na segunda volta que a Ferrari do alemão enroscou no Lotus de Jim Clark e voou contra o público, matando 14 pessoas, além do piloto.

Apesar da tragédia, houve festa em Monza naquele 10 de setembro de 1961. A Ferrari ganhou os títulos de Construtores e o de Pilotos com Phil Hill que, com o 4º lugar, naquela corrida, ficou 1 ponto à frente e Von Trips (34 a 33). Já a Alemanha teve de aguardar mais 33 anos, para Michael Schumacher nascer e ter um campeão mundial de F-1.

A dança dos cockpits

Vamos, então, passar uma geral no restante do grid e avaliar as possibilidades para as vagas que restam. A próxima peça a cair é o finlandês Kimi Raikkonen, cujo destino vai determinar a acomodação dos demais pilotos.

O destino mais provável do finlandês, como já se ventilou muito por aí, é a McLaren, que certamente está bastante insatisfeita com a performance de Heikki Kovalainen. O que estaria emperrando a finalização do acordo é o fato de que Kimi, notadamente, não gosta nem um pouco de participar de eventos de patrocinadores e que, também, quer disputar provas de rali.

Raikkonen, se quiser, tem outras equipes esperando por ele: Renault, Toyota e fala-se até na Brawn GP. A McLaren, se por acaso não conseguir chegar a um acordo com o finlandês, teria como opções: manter Kovalainen, pegar Nico Rosberg da Williams ou, ainda, Adrian Sutil da Force India, e Timo Glock, da Toyota.

Na Brawn, nenhum dos dois pilotos está confirmado. Button teria um contrato pronto esperando pela sua assinatura, mas o inglês estaria exigindo uma soma consideravelmente maior do que o time de Ross Brawn estaria disposto a pagar. Opções para o inglês? Talvez a Toyota estivesse disposta a pagar o que ele quer - embora muita gente diga que o fato de não ter nenhum piloto confirmado possa ser um sinal de que ela pode, ainda, deixar a categoria.

A equipe que é a virtual campeã da temporada e deve também fazer o piloto campeão negocia com a participação da Mercedes-Benz na sua composição societária. E, disso, sairia uma imposição de que o alemão Nico Rosberg seja contratado. Mas o piloto, por sua vez, evidentemente que prefere se transferir para a McLaren - já que o nível de competitividade da Brawn no ano que vem é uma incógnita.

Se realmente ficar sem lugar na Brawn, Barrichello deve ir para a Williams, fazendo dupla com o novato Nico Hulkemberg, campeão da GP2. Kazuki Nakajima, que foi contratado graças ao contrato de fornecimento de motores da Toyota, deve ficar a pé - ou, se a equipe japonesa ficar sem melhores opções no mercado, talvez arrume um lugarzinho por lá.

Mas, para tristeza do simpático japonês, candidatos à uma vaga na Toyota não faltam. A equipe sonha com Raikkonen, assediou Kubica e, no mercado, ainda encontra nomes como Nick Heidfeld, Heikki Kovalainen e Adrian Sutil, além da própria dupla de pilotos atual, Jarno Trulli e Timo Glock. Nakajima ainda concorreria com o atual reserva da equipe, seu conterrâneo Kamui Kobayashi.

A Renault, por sua vez, confirmou apenas Robert Kubica, um claro indício de que a posição de Romain Grosjean não é das mais seguras. A equipe espera para ver se Kimi Raikkonen resolve ou não sua vida na McLaren. Caso contrário, também tem toda a lista citada no caso da Toyota, além do próprio Grosjean e do brasileiro Lucas di Grassi, reserva da equipe. Grassi, ainda, é um dos muitos nomes cotados para os times novatos.

Red Bull e Toro Rosso devem manter as atuais duplas - embora tenha gente no paddock que afirme, sem pestanejar, que se Raikkonen acenar, a Red Bull paga a multa para Mark Webber e dá o seu lugar para o finlandês.

Na Force India, a expectativa é de que Adrian Sutil e Vitantonio Liuzzi tem vaga garantida. Se o alemão for recrutado por alguma outra equipe, pode sobrar um lugar para Bruno Senna. O brasileiro, ainda, mantém contato com as equipes estreantes.

Enfim, esse é o panorama. Mas a expectativa de ter Ferrari com Massa e Alonso, disputando ponto a ponto o campeonato com a McLaren de Hamilton e Raikkonen, é das melhores, você não acha?

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Kubica na Renault...

Como já era esperado por muitos o polonês Robert Kubica foi anunciado hoje como o substituto de Fernando Alonso na equipe Renault. Kubica tem uma ligação antiga com a escuderia francesa, tendo sido um dos pilotos bancados pela montadora durante as categorias de base. Ele havia sido cotado para ocupar o lugar de primeiro piloto na equipe Toyota também, que aliás, dizem, lhe pagaria uma nota preta. A opção pela Renault deve ter sido mais baseada em o que lhe foi mostrado em termos de pacote técnico, pois apesar de jovem (tem apenas 24 anos) não pode ser dar ao luxo de perder mais tempo em sua carreira na categoria máxima.


Restam algumas vagas em aberto, inclusive a de segundo piloto na própria Renault. Me parece bem difícil que a escuderia renove com o incompetente Romain Grosjean, pois nas provas que fez até agora em substituição a Nelsinho Piquet, não mostrou nada de especial, além de uma crônica capacidade de rodar e bater. Dizem que o brazuca Lucas di Grassi é um dos candidatos, veremos.

Com a mão na taça...


Jenson Button está muito próximo do inédito título mundial

Após este GP do Japão, falta muito pouco para Jenson Button se sagrar campeão da temporada 2009 da Fórmula 1. O inglês fez uma corrida com paciência e soube se beneficiar dos erros dos pilotos que andavam na sua frente. Primeiro, Robert Kubica praticamente abriu passagem para o líder do campeonato. Depois, Adrian Sutil e Heikki Kovalainen se estranharam na chicane Triangle e cederam suas posições para o inglês. Para quem largou quatro posições atrás do principal rival, sair de Suzuka com apenas um ponto perdido é ótimo.

Com apenas 20 pontos ainda a serem disputados, Button pode ser campeão em Interlagos se abrir uma margem de 10 pontos para Rubens Barrichello e Sebastian Vettel. Ou seja, ele pode se dar o luxo de marcar quatro pontos a menos que o brasileiro e seis que o alemão no Brasil. Mesmo que Barrichello e Vettel vençam as duas provas restantes, sem que o inglês marque pontos, o inglês levará vantagem no primeiro critério de desempate do campeonato: o número de vitórias - ele triunfou nas seis dos sete primeiros GPs de 2009.

Na corrida, Sebastian Vettel teve uma atuação perfeita. O alemão dominou a corrida desde o início e não deu chances aos adversários com o carro da RBR, que foi muito bem nas curvas de alta de Suzuka. Jarno Trulli, da Toyota, conseguiu superar Lewis Hamilton, da McLaren, e conseguiu o segundo pódio consecutivo da equipe japonesa (Glock foi segundo em Cingapura). Já as Brawns não conseguiram ter um bom desempenho. Barrichello, em especial, teve muitas dificuldades com o segundo jogo de pneus duros, no meio da corrida, e perdeu muito tempo em relação a Kimi Raikkonen e Nick Heidfeld.

Após os resultados das últimas duas corridas, Button está com a mão na taça. Ele só precisa agir com cautela e “marcar” Barrichello e Vettel nas últimas duas corridas. O inglês será premiado pelo excelente início de ano, quando aproveitou o esplendor do carro da Brawn GP para construir uma enorme vantagem. O inglês será merecedor do título, mas os torcedores de Barrichello e Vettel ainda podem esperar por surpresas.

Fiasco à vista... Será?

A Manor não vai usar túnel de vento no projeto do seu suposto carro de F-1 para a temporada do ano que vem.
O modelo, diz o projetista Nick Wirth, ex-dono da Simtek, será todo desenvolvido no computador, via CFD (Computational Fluid Dynamics). "Não vamos gastar um dia no túnel de vento. Nem para verificações."

Diagnóstico de um amigo engenheiro, com anos e anos de F-1: "vai ser triste".

Massa: seis horas no simulador da Ferrari

No seu primeiro dia de atividades na volta à Ferrari, ontem, Felipe Massa teve uma agenda cheia. Primeiro foi a Modena, a cerca de 20 quilômetros da sede da equipe, em Maranello, a fim de exercitar-se no simulador. E foram nada menos de seis horas de treinamento.

Depois, já na sede, respondeu parte dos e-mails de milhares de fãs. “Trabalhamos bem, sem dificuldade alguma. O simulador utiliza um carro da A1GP, que não é exatamente um Fórmula 1, mas se assemelha bastante. Escolhi o circuito de Barcelona que era para entrar mesmo no clima de um teste”, disse Massa.

Aos tifosi, respondeu por mensagem: “Sinto muitíssima falta da Fórmula 1. Ela é a minha paixão antes de ser atividade profissional. Foi bem difícil para mim assistir a essas corridas pela TV, até em razão de ter de despertar bem cedo por causa do fuso horário”, contou Massa.

Durante esse período de ausência, desde o GP da Hungria, dia 26 de julho, o piloto da Ferrari disse ter estado em contado com a equipe. “Falei bastante com Stefano Domenicali (diretor geral) e com os rapazes na fábrica, para me manter atualizado pensando já em 2010 também.”

Os fãs de Massa e da Ferrari lhe perguntaram se sentiu diferença quando voltou a pilotar um kart, semana passada, e ontem no simulador. “Nenhuma diferença”, respondeu. “Eu me diverti muito nos testes da Granja Viana e hoje, essencialmente, o objetivo foi retomar o contato com o carro. Lógico, não vejo a hora de sentar no meu próprio carro.”

A programação da Ferrari hoje é manter Massa nos exercícios do simulador estático. Ele não irá a Turim trabalhar no modelo dinâmico. Os italianos inauguram até o fim do ano um novo simulador, com recursos ultra-avançados, como os demais times, em razão da proibição de testes particulares na Fórmula 1.

No comunicado da Ferrari, Massa não vai testar, em Fiorano, até domingo o modelo F2007 de Fórmula 1. Mas Frank Williams, que concordou com o teste de Massa, desejou “boa sorte ao piloto no teste da próxima semana.” Todos os chefes de equipe teriam de concordar com o ensaio, conforme manda o regulamento, diante da proibição de testes. O mesmo Frank Williams negou a oportunidade para Michael Schumacher, logo depois do acidente de Massa.

Em entrevista ao esportivo Gazzetta dello Sport, Massa disse ser pouco provável sua volta à Fórmula 1 no GP do Brasil, dia 18. “Seria muito próximo do limite (de sua recuperação total). Penso regressar em Abu Dhabi (1.º de novembro), mas dependo desse teste de Fórmula 1 e da aprovação da FIA. Seria errado ter pressa.”

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Suzuka: palco de grandes lembranças

Depois de dois anos correndo no circuito de Fuji, a F1 volta a disputar o GP do Japão no seu palco mais tradicional em 2009: Suzuka. O circuito da Honda recebe a categoria desde 1987 e, desde então, foi testemunha de algumas das mais brilhantes histórias da categoria, transformando-se na pista mais emblemática da Ásia.


Com seu formato único de "8", com uma passagem elevada por sobre outro ponto da pista, Suzuka é adorado por todos os pilotos, que destacam as suas curvas velozes, as diferenças de nível, os esses, as temidas Degner e 130R, entre tantos outros detalhes que são conhecidos de cor inclusive pelos fãs e torcedores.


Para os brasileiros, Suzuka é um dos locais mais marcantes: mesmo com apenas três vitórias por lá, o circuito sempre é lembrado como o lugar em que Ayrton Senna conquistou seus três títulos mundiais. Em 1988, após conseguir se recuperar de uma má largada e, de maneira sensacional, batendo Alain Prost e ficando com a ponta, o piloto da McLaren foi coroado campeão pela primeira vez.


No ano seguinte, a vitória veio, mas toda a polêmica por conta do acidente com Prost e o retorno não-autorizado à pista fez com que o francês ficasse com a taça, na vitória de Alessandro Nannini. 1990 viu a repetição do acidente entre os rivais, com Prost já na Ferrari, e Senna levando vantagem, na corrida vencida por Nelson Piquet e que contou com Roberto Pupo Moreno em segundo lugar, numa dobradinha brasileira na Benetton. E, em 1991, Senna cedeu a vitória no final a Gerhard Berger, mas mesmo assim comemorou o tricampeonato.


Depois disso, Ayrton ainda ficou com a vitória em 1993, seu penúltimo triunfo na F1, e Rubens Barrichello foi o mais rápido em 2003, na prova que marcou o sexto título de Michael Schumacher. O alemão, aliás, também tem ótimas lembranças de Suzuka: com seis vitórias em 20 GPs disputados até hoje, foi o piloto que mais venceu. E foi lá que ele comemorou dois dos seus títulos mais marcantes, em 2000, quando conquistou a taça pela primeira vez na Ferrari, e o já citado de 2003.


Agora, quem pode marcar seu nome na história como campeão no Japão é Jenson Button. O inglês precisa abrir mais cinco pontos sobre Rubens Barrichello para se tornar o novo dono do Mundial. E, caso consiga isso em Suzuka, vai apenas aumentar o rol de glórias da pista nipônica.

Alonso na Ferrari: título a vista...


Agora é oficial: Fernando Alonso é o mais novo piloto da Ferrari. O espanhol assinou contrato válido por três temporadas e se disse "muito feliz" por finalmente realizar o sonho de correr pela equipe do "Cavallino Rampante".

Na verdade, Alonso já tinha assinado contrato para se transferir para a Ferrari em 2011, quando terminariam os contratos de Kimi Raikkonen e Felipe Massa. Contudo, Luca di Montezemolo decidiu antecipar a estreia do bicampeão em Maranello. Com isso, quem perde o lugar, como já era especulado, é o finlandês.


Este, aliás, deve voltar para a McLaren, o que seria muito interessante para o campeonato. Se as duas eternas rivais conseguirem fazer carros à altura de seus prováveis pilotos, 2010 promete ser um dos melhores campeonatos da história.


Como eu sempre digo, tomara que cumpra.