segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Barrichello e Button: última chance de sucesso?

Ser campeão mundial de Fórmula 1 exige uma combinação de fatores que nem sempre é justa com grandes nomes. Prova disso é que pilotos brilhantes como o inglês Stirling Moss e o canadense Gilles Villeneuve terminaram as carreiras sem ter na estante a taça mais cobiçada por todos os pilotos do mundo.


Esse parecia ser o destino de Rubens Barrichello e Jenson Button até o início do ano, quando uma surpreendente Brawn construída sobre o bem nascido carro que a Honda usaria em 2009 começou a voar com um excelente motor Mercedes-Benz. Mas se o desempenho do BGP001 surpreendeu ao público, não espantou Ross Brawn, o pai da criança, que trabalhava no modelo de 2009 desde maio de 2008. Enquanto isso, McLaren e Ferrari se digladiavam na luta pelo título do ano passado com Lewis Hamilton e Felipe Massa focando o trabalho dos engenheiros nos modelos daquele ano.


Agora o papel se inverteu: a Brawn teve de correr atrás do prejuízo durante o ano para não perder a liderança para a Red Bull. Enquanto isso, a Ferrari, segundo confessou o próprio Stefano Domenicali (chefe de equipe do time italiano), centra fogo no carro de 2010, o que justifica o desempenho tão pífio da Scuderia nas últimas provas – a exceção fica por conta das atípicas etapas da Bélgica e da Itália, que tiveram até as Force India ocupando as primeiras posições graças às características dos circuitos de alta velocidade.


Já a McLaren apostou num caminho diferente da rival italiana. Em vez de largar mão do MP4-24, a equipe inglesa decidiu investir na evolução do atual modelo. E colheu os frutos com as vitórias de Hamilton na Hungria e em Cingapura, dois circuitos de média para baixa velocidade – a pista de Budapeste só não é mais lenta que a de Mônaco.


Some-se ao plano de reação das duas grandes a provável contratação de Fernando Alonso pela Ferrari – o anúncio deve ser feito em breve –, os rumores cada vez mais fortes de que Kimi Raikkonen voltará a pilotar um carro da McLaren e o retorno de Felipe Massa ao cockpit vermelho e você terá um grande fator de preocupação para os times que pensam em brigar pela ponta em 2010.


A pergunta que fica é: a Brawn, focada em 2009 – Ross, porém, jura que também está desenvolvendo o carro do ano que vem e será competitivo em 2010 –, terá capacidade de repetir no ano que vem o desempenho deste – ou pelo menos se manter como uma equipe de ponta? É provável que sim, mas uma chance como esta de buscar o título, Barrichello e Button nunca mais terão.


A história recente mostra que domínios como o da Brawn nesta temporada só foram conseguidos por equipes com grande tradição e mesmo assim por um ou dois anos: a Williams ganhou tudo em 1987 e 1992 e a McLaren fez o mesmo em 1988 e 1989. A Ferrari, matando a pau entre 2001 e 2004, foi a exceção.


Em comum entre essas equipes, o know-how vencedor, orçamentos gordos e pilotos que se consagraram entre os melhores da história da Fórmula 1 (Senna, Prost, Mansell, Schumacher e Piquet).


A Brawn, por mais que tenha a genialidade de Ross em seu DNA, está onde está por fatores que não terá a seu favor no próximo campeonato: começou a projetar o carro antes de todo mundo, já que o Honda de 2008 não tinha mesmo conserto, se valeu de uma brecha no regulamento para projetar um difusor de legalidade duvidosa e também teve um pouco de sorte ao ver as rivais tropeçarem no novo regulamento. Regulamento que mudará novamente em 2010 e proibirá o reabastecimento, o que obrigará as equipes a projetarem carros com tanques de 200 litros de gasolina e a trabalharem com pesos muito maiores no início da corrida.


Será que Brawn será genial a ponto de tirar proveito disso também e construir um outro carro de ponta no ano que vem? Mas é bom lembrar que Adrian Newey (Red Bull), o mago da aerodinâmica, é outro que sabe se beneficiar bem com essas mudanças, como mostra a McLaren que ele projetou em 1998 e começou o ano humilhando a concorrência para ser campeã com Mika Hakkinen.


A Brawn não vai cair para o fim do grid de uma hora para outra, mas é pouco provável que vença 57% da corridas da temporada, como fez até agora.


Por isso a briga pelo título deste ano é uma disputa entre dois veteranos (não se esqueça que Button já tem 167 GPs na F1) que estão se agarrando como podem àquela que pode ser a última chance de conquistar o sonho de suas carreiras. E por isso seria tão legal ver uma disputa roda a roda até a última corrida. O que não deve acontecer.


- Não é o caso de dizer que Barrichello é azarado: Button também teve problemas nas últimas corridas;


- Mas que Rubens deveria sentar com o pessoal que cuida dos motores e conversar um pouco sobre essa questão de carro morrendo no box/parado na largada, isso deveria;


- A volta de Raikkonen à McLaren seria interessantíssima. Bem mais frio que Alonso, o finlandês protagonizaria uma bela disputa com Hamilton e, acredita-se, não daria o “piti” que o espanhol deu em 2007;


- O retorno de Massa ainda em 2009 seria interessante para a Ferrari e para o brasileiro, já que ambos não têm nada a perder na temporada.

Fala, Barrichello

"No segundo pit stop, na hora em que eu fui entrar nos boxes, o ponto morto não entrou, o giro baixou e na hora que tinha que entrar o tal do 'anti-stall', que é aquilo que me prejudicou em várias largadas, não entrou. O motor morreu e eu perdi ali 10 segundos nos boxes."

Ok, não tenho motivos para duvidar do problema, mas acho que ele perdeu menos tempo do que isso e que Button passaria de todo jeito.

"Eu não sei até que ponto o problema de freio dele era terminal. Eles falaram para mim que não dava para alcançar, mas em um rabo de olho eu consegui vê-lo em uma curva, e pensei: 'Eu termino sem freio e dentro das barreiras [de pneus] mas eu vou lutar até o final'. (...) Pelo que parecia, com uma volta mais eu conseguiria ultrapassá-lo."

Nesta, eu concordo. Com mais uma volta, Barrichello daria o troco.

"Estou desapontado com o resultado de hoje, mas nada de jogar a toalha. É uma pena que tudo isso tenha acontecido neste fim de semana. Se você somar troca de câmbio, batida, problema no pit stop e 'safety car', eu perdi um ponto só. É mais para cima do que para baixo."

Apesar de entender seu esforço de otimismo, não acho que dê para considerar este um bom fim de semana. Poderia ter sido pior, claro. Mas também poderia ter sido melhor. A matemática parece ser um bom critério de avaliação.

Quem será o campeão?

O resultado do GP de Cingapura deste domingo não foi desastroso para Rubens Barrichello, mas deixou o brasileiro em uma situação difícil a três provas do fim da temporada. Jenson Button, rival e companheiro de equipe do brasileiro, que está 15 pontos à frente, precisa de uma combinação de resultados, mas pode assegurar o título já na corrida do Japão, em Suzuka.

Para Button ser campeão já em Suzuka, ele precisa abrir uma margem de 20 pontos para o brasileiro. Ou seja, marcar cinco pontos a mais. Mesmo que Barrichello vença as duas restantes, sem que o rival marque pontos, Button levará vantagem no primeiro critério de desempate: o número de vitórias. Neste cenário, o inglês teria uma a mais. Um quarto lugar de Button no Japão já tira as chances de Sebastian Vettel, que está 25 pontos atrás.

Barrichello, por sua vez, manterá o campeonato vivo para o GP do Brasil sem depender do resultado de Button se chegar na terceira posição em Suzuka. Mesmo com uma vitória do inglês - que chegaria a 94 pontos - ele chegaria a 75 pontos. A desvantagem ficaria em 19 pontos com 20 a serem disputados em Interlagos e Abu Dhabi.

Confira as combinações de resultados que deixariam Barrichello vivo:

- Vitória de Button - Barrichello precisa chegar em terceiro (94 x 75)
- Button em segundo - Barrichello pode chegar até o sexto lugar (92 x 73)
- Button em terceiro - Barrichello pode chegar até o sétimo lugar (90 x 71)
- Button em quarto - Barrichello só sai da briga se não pontuar (89 x 69)
- Button de quinto para baixo - disputa chegará ao GP do Brasil ainda indefinida

GP burocrático...

Foi bem chato, muito chato aliás, o GP de Cingapura, 14ª etapa do Mundial de Fórmula 1. Só não foi chato para o campeão mundial Lewis Hamilton, que venceu praticamente de ponta a ponta, num domínio previsto desde o resultado do treino classificatório e a partir do momento em que os pesos dos carros foram divulgados ontem. Com o carro mais pesado entre os 10 primeiros da superpole, o piloto da McLaren deixou claro que além de uma estratégia perfeita, ele era o mais rápido da pista. E Lewis fez jus ao número #1 pintado na carenagem do seu carro nesta noite calorenta no Oriente do planeta.

Para o torcedor brasileiro, o GP de Cingapura reservou momentos bons e maus. Rubens Barrichello correspondeu às expectativas e largou bem, passando de nono para sétimo e mantendo o rival, companheiro de equipe e líder do campeonato Jenson Button sob controle. As coisas melhoraram quando Nico Rosberg, ao sair dos pits, passou além da linha branca e foi punido com drive through. Mas logo depois, veio o acidente entre os conterrâneos Adrian Sutil e Nick Heidfeld - cortesia de uma barbeiragem do piloto da Force India. E o jogo começou a virar para Button.


Por que? Simples: a Brawn tinha previsto apenas uma parada para o inglês, que arriscaria ficar mais de 20 voltas com pneus macios montados em seu carro. E a estratégia foi mudada: na 20ª volta, Button entrou nos boxes, o tanque foi enchido até o gargalo e com o Safety Car na pista ele conseguiu “salvar” mais combustível, prevendo uma segunda parada só para repor a gasolina em quantidade suficiente para completar as 61 voltas de prova.

Não obstante, Barrichello não tinha um bom ritmo de corrida no segundo jogo de pneus. E a coisa degringolou de vez na segunda e definitiva parada, quando ambos trocaram para os compostos macios, os “option”. A TV não mostrou, mas segundo informação do amigo @murilomori via Twitter, o tempo de parada de Barrichello foi de 27 segundos. Enquanto isso, com o tanque esvaziando, Button virava voltas muito boas, chegando mesmo a atingir a segunda posição. Quando parou, estava mais de 25 segundos na frente de Rubens. Seu tempo total de parada foi de 22 segundos. E Jenson voltou à frente de Barrichello.


Mesmo com problemas de freio, o líder do campeonato conseguiu um resultado fundamental na briga pelo título. Com a 5ª posição, Button agora soma 84 pontos, contra 69 de Barrichello. Quinze pontos e três corridas para o fim. O funil vai apertando e a matemática já não é mais tão positiva para o piloto brasileiro quanto se podia supor e torcer. Mas o automobilismo é um esporte imprevisível. Hoje a sorte sorriu para Button, vamos ver o que rola em Suzuka.


Alheios a isso, outros dois pilotos se destacaram em Cingapura. O desprezado Timo Glock, nome em aberto no mercado de pilotos uma vez que a Toyota decidiu não renovar seu contrato, respondeu à altura na pista. Chegou em segundo, no seu melhor resultado na Fórmula 1 e o melhor do time nesta temporada repleta de altos e baixos - principalmente de baixos - para o time japonês.


E em terceiro, chegou o espanhol Fernando Alonso, um milagreiro capaz de levar a carroça da Renault ao pódio. Além de uma belíssima atuação, o asturiano levou pra si a melhor volta da prova na mesma pista onde venceu no ano passado - vitória que não só é contestada por Nico Rosberg como também, dizem, pela Ferrari, que estuda a possibilidade de recorrer ao Código Desportivo Internacional da FIA e pedir uma anulação da prova. Um título decidido no tapetão? Deus me livre e guarde…


Quanto às outras equipes, a Red Bull continua com chances matemáticas de abocanhar o título do Mundial de Construtores, mas a diferença para a Brawn é grande demais para ser diminuída. Tudo indica que a equipe de Brackley leva o campeonato por antecipação no GP do Japão domingo que vem, em Suzuka. Vettel, mesmo punido por excesso de velocidade na saída dos pits, salvou um importante quarto lugar. Mark Webber, com problema de freios, rodou e bateu. A Toro Rosso, logo depois, recolheu simultaneamente os carros de Jaime Alguersuari e Sébastien Buemi, receando sofrer o mesmo problema. Afinal, os projetos são os mesmos…


Já a Ferrari foi a grande decepção do fim de semana. Kimi Räikkönen foi um apagado 10º colocado, sem conseguir sequer passar a Williams de Kazuki Nakajima no trecho final da prova. Fisichella não conseguiu coisa melhor a não ser quilometragem. Na transmissão da TV francesa TF1, foi dito que já não há mais desenvolvimento para a F60 e que já estão pensando em 2010. Sábia decisão: com uma autêntica carroça pintada de vermelho, a Ferrari já conseguiu muito estando em terceiro lugar no Mundial de Construtores
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quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Mundial 2010: volta o Canadá e Brasil encerra a temporada...

A FIA tomou outra decisão importante nesta segunda-feira de vereditos, suspensões, banimentos e absolvições. Divulgou o calendário para o Mundial de Fórmula 1 de 2010, com direito a duas boas novidades: a volta do Canadá com o circuito Gilles Villeneuve em Montreal e a estreia da Coreia do Sul. A temporada terá 19 etapas, começando no Bahrein e terminando no Brasil. A corrida realizada em Interlagos vai fechar a próxima temporada, no dia 14 de novembro.


Quatro corridas vão começar fora do horário “padrão” das provas da categoria, cujas largadas invariavelmente são às 14 horas do local: Austrália (17h), Malásia (16h), Cingapura (20h) e Abu Dhabi (17h), para atender a audiência europeia.


Eis as datas:


14 de março - GP do Bahrein (Sakhir)
28 de março - GP da Austrália (Melbourne)
4 de abril - GP da Malásia (Sepang)
18 de abril - GP da China (Xangai)
9 de maio - GP da Espanha (Barcelona)
23 de maio - GP de Mônaco (Monte-Carlo)
30 de maio - GP da Turquia (Istambul)
13 de junho - GP do Canadá (Montreal)
27 de junho - GP da Europa (Valência)
11 de julho - GP da Grã-Bretanha (Donington Park ou Silverstone)
25 de julho - GP da Alemanha (Hockenheim)
1º de agosto - GP da Hungria (Hungaroring)
29 de agosto - GP da Bélgica (Spa-Francorchamps)
12 de setembro - GP da Itália (Monza)
26 de setembro - GP de Cingapura (Cingapura)
3 de outubro - GP do Japão (Suzuka)
17 de outubro - GP da Coreia do Sul (Yeongnan)
24 de outubro - GP de Abu Dhabi (Abu Dhabi)
14 de novembro - GP do Brasil (Interlagos)

Fim da linha...

O Conselho Mundial de Esporte a Motor da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) decidiu nesta segunda-feira banir Flavio Briatore do automobilismo, além de suspender a Renault por dois anos da categoria, mas com sursis, ou seja, a punição fica suspensa e só será aplicada em caso de uma infração semelhante às regras do esporte. Pat Symonds, diretor de engenharia, está afastado por cinco anos; Fernando Alonso foi inocentado; e Nelsinho Piquet teve a imunidade confirmada pela FIA após fazer as denúncias e colaborar com a investigação.


Achei a punição de bom tamanho. Flavio Briatore realmente merecia ser banido do esporte. Aliás, o ex-dirigente ainda terá de encarar problemas em outras esferas. Ele ainda pode ser processado na Inglaterra por manipulação de resultados, um crime gravíssimo no país, que tem apostas liberadas em jogos esportivos. Além disso, ele pode ser forçado a vender suas ações do Queens Park Rangers, clube da segunda divisão inglesa - a Football League. A liga não permite que pessoas com credibilidade dúbia mantenham influência em clubes de futebol. O caso deverá ser avaliado no próximo mês e o italiano pode sair perdendo novamente.


Symonds foi punido com um rigor menor porque confessou a culpa no episódio. Já Fernando Alonso não teve culpa comprovada no episódio e também colaborou com as investigações. Nelsinho Piquet foi beneficiado pela imunidade prometida pela FIA por ter entregado documentos e confessado sua participação na armação. O piloto publicou um comunicado em seu site oficial onde afirma que está aliviado com a conclusão do caso.

Apesar do brasileiro não ter sido punido formalmente pela FIA, acredito que a Fórmula 1 se encarregará de afastá-lo. Nelsinho, atualmente, só consegue arrumar emprego em equipes pequenas, como as novas que entrarão na categoria em 2010. Mesmo assim, apenas se conseguir um patrocínio forte. Em times grandes, o piloto é completamente carta fora do baralho. Se correr na próxima temporada, Nelsinho terá de provar que é fora de série, assim como foi seu pai. Se andar como na Renault, se manterá no ostracismo eternamente.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

História aconselha Rubens Barrichello a manter esperança

Rubens Barrichello comemora vitória na Itália

Quais as chances de Rubens Barrichello ser campeão mundial de Fórmula 1? Afinal, apesar de a diferença dele para Jenson Button cair de 26 para 14 pontos nos três últimos GPs, restam apenas quatro etapas (e 40 pontos). Diferença importante, mas a história não dá motivo para Rubinho desanimar.

Há um exemplo recente de superação ainda maior. Em 2007, depois de sua vitória no GP do Japão, Lewis Hamilton abriu 17 pontos sobre Kimi Raikkonen. Restavam apenas as corridas da China e do Brasil. Havia 20 pontos em jogo.

Em Xangai, Hamilton errou e não marcou pontos. Raikkonen, venceu. Ainda assim, o inglês chegou a Interlagos com 7 pontos de vantagem. Mas Hamilton errou de novo, sua McLaren teve problemas e ele foi apenas sétimo. Com a vitória no Brasil, o finlandês comemorou a conquista.

Em 1983, Alain Prost, da Renault, abriu importante vantagem para Nelson Piquet, Brabham, ao longo do campeonato, mas o brasileiro venceu as duas provas antes da etapa final, na África do Sul. Lá, Prost ainda estava na frente, 57 a 55. Mas abandonou, Piquet foi terceiro e o título ficou com o Brasil.

Também em 1977, Niki Lauda, Ferrari, somou bem mais pontos que James Hunt na primeira metade do calendário. O austríaco se acidentou na Alemanha, chegou no Japão ainda em primeiro, 68 a 65 pontos, mas simplesmente desistiu por "sentir medo" da chuva intensa. A vitória levou Hunt a ser campeão.

Vamos torcer...

Virando rotina: Barrichello na frente...

Assim, via rádio, o engenheiro Jock Clear deu os parabéns a Barrichello pela vitória em Monza. E resumiu o que a F-1 está pensando no momento.

A F-1 está se acostumando a ver Barrichello na frente. Desde Valência, o brasileiro vive um momento mágico. Parece difícil parar seu embalo.

Azar de Button. Que foi o segundo. E que, embora tenha sorrido e abraçado o colega após a prova, deve estar bem preocupado. Raikkonen completou o pódio.
Barrichello e Button se abraçam após a prova (Beto Issa/Tazio)


A largada foi sensacional. Todo mundo muitíssimo perto, disputas ferrenhas, mas nenhum toque mais pesado.

Hamilton manteve bem a primeira colocação. Raikkonen passou Sutil. Kovalainen ficou pra trás, travou uma belíssima briga com Button, mas perdeu.

A ordem ao fim da primeira volta, Hamilton, Raikkonen, Sutil, Barrichello, Button e Kovalainen.

Começou, então, o jogo de xadrez. Hamilton, e a turma dos dois pits, buscavam fugir da turma que planejou uma parada, Barrichello e Button, que por sua vez tentava não perder contato.

Volta após volta, o inglês da McLaren cravava melhores tempos. Fechou a 14ª com 6s8 sobre Raikkonen e 17s sobre Barrichello.

Na 15ª, Hamilton entrou para os boxes. Voltou atrás de Button, em quinto. Foi a abertura da primeira janela de pits para a turma que tinha duas paradas.

Sutil parou na 18ª. Raikkonen, na 19ª. Barrichello, então, tornou-se líder, seguido por Button. E chegou a hora de eles tentarem se descolar.

Tarefa complicada. Porque Hamilton e Raikkonen estavam em ritmo forte na pista. Na 22ª volta, Barrichello tinha 12s1 para o inglês e 16s3 para o finlandês. Em relação a Button, a situação era mais confortável: tinha 2s2, sabendo que pararia depois.

Na 27ª, Barrichello cravou a então melhor volta, 1min24s999. Duas voltas depois, Button parou. Saiu em quinto. Na seguinte, a 30ª, foi a vez do pit do brasileiro: 0s3 melhor que o do companheiro. Barrichello saiu 4s2 à frente de Button, em quarto, atrás de Hamilton, Raikkonen e Sutil. A briga era com eles.

Na 34ª volta, o momento decisivo, o segundo pit de Hamilton. Com pouco mais de 21s sobre Button antes da parada, o campeão não conseguiu manter as chances de vitória. Voltou atrás do compatriota.

Altiva na pista, a Brawn tinha então que se livrar de Raikkonen e Sutil para carimbar a dobradinha. E o tal carimbo veio na 38ª volta, quando os pilotos de Ferrari e Force India pararam, se atrapalharam nos boxes e voltaram atrás de Hamilton.

Ao fim da última janela de pits, enfim, a ordem era direta, clara: Barrichello, Button, Hamilton, Raikkonen e Sutil.

E o único tranquilo nesta turma era o líder. Com folga confortável sobre Button, sempre na casa dos 5s, Barrichello pode disputar as últimas voltas naquela toada de administrar o resultado.

Raikkonen acabou levando a terceira posição: na última volta, Hamilton bateu, dando o pódio de bandeja.

Com o resultado, Barrichello diminuiu em mais dois pontos a vantagem de Button no campeonato. Agora, o inglês tem 80 contra 66 do brasileiro, 14 de diferença.

Continha rápida: desde que começou a reagir, em Valência, Barrichello diminuiu em 12 pontos a folga do companheiro. Eram 26 depois da Hungria, são 14 agora.

Ou seja, vem tirando, em média, quatro pontos por prova.

Como faltam quatro etapas para o fim, Cingapura, Japão, Brasil e Abu Dhabi, a conclusão é clara: se continuar nesse ritmo, Barrichello será campeão.

Enfim, é só um exercício de matemática. Que, se não tem a capacidade de prever o futuro, pelo menos mostra de forma mais palpável, a inversão de sinais dos dois pilotos da Brawn.

E, aí é achismo meu, acho difícil uma nova inversão. Barrichello entrou naquela fase em que tudo dá certo. E isso traz uma confiança dentro do cockpit que, somada à sua experiência, tornar-se difícil de combater.

Barrichello, 37 anos, 17 temporadas na F-1, tem em mãos a melhor chance de sua carreira de ser campeão mundial.

Dia brasileiro

Por Rafael Lopes

Antes de falar propriamente da vitória de Rubens Barrichello, gostaria de comentar o belo dia para o Brasil em Monza. Primeiro, Luiz Felipe Nasr venceu a etapa da Fórmula BMW Europeia, categoria que corre como preliminar da F-1, e se sagrou campeão da temporada 2009. Depois, na segunda corrida da GP2, Luiz Razia liderou uma dobradinha verde e amarela, que ainda teve Lucas di Grassi em segundo. Com o resultado, o alemão Nico Hulkenberg, terceiro na prova, levou o título deste ano.

Após todas estas vitórias, chegou a vez da Fórmula 1. As perspectivas para uma vitória brasileira não eram das melhores, após todo o suspense sobre o câmbio do carro de Rubens Barrichello. A quinta posição no grid era muito boa, porque o piloto e a Brawn GP tinham apostado em uma tática de apenas uma parada. Poucos minutos antes dos carros saírem para a volta de alinhamento, a equipe inglesa confirmou que não trocaria a peça e o piloto não perderia cinco posições na saída da corrida na Itália.

Assim como em Valência, sua outra vitória no ano, Barrichello fez uma corrida inteligente, calcada na tática. Após a boa largada, quando superou um Kovalainen com o Kers, o brasileiro manteve um ritmo de corrida constante e a diferença para Lewis Hamilton, o primeiro, ficou em uma margem de segurança que o permitia fazer apenas uma parada. Ele também escolheu bem os pneus: ao começar com os duros, aproveitou-se da resistência para forçar o ritmo. Após o pit stop, com os macios, não sofreu com o desgaste por causa da pista já mais emborrachada em Monza. A velocidade e a tatica perfeita deram a vitória ao brasileiro.

A lamentar, apenas, o segundo lugar de Jenson Button, que permitiu apenas reduzir a desvantagem para 14 pontos. Contudo, é mais um golpe psicológico no inglês, que não vence desde o GP da Turquia, no dia 7 de junho. O momento da temporada é melhor para o brasileiro e os dois polarizaram a disputa, já que Sebastian Vettel e Mark Webber ficaram para trás. A Brawn GP também está com o Mundial de Construtores quase garantido. Com isso, a equipe terá tranquilidade para deixar seus pilotos disputarem o título na pista.

Com 14 pontos para tirar em 40 a serem disputados, o título é um objetivo possível. Se Rubens Barrichello continuar com o desempenho das últimas provas, pode sim tirar esta desvantagem. A briga com Jenson Button será difícil, mas a confiança do brasileiro pode fazer a diferença. Correndo com um misto de agressividade e tática, ele pode sim conseguir mais vitórias e, quem sabe, ser campeão desta temporada.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Para se pensar…

por Rodrigo Mattar

Ao chegar nesta quinta-feira em Monza, onde acontece neste fim de semana o GP da Itália, Rubens Barrichello foi taxativo. Abre aspas.

Se alguém tiver a capacidade de fazer isso é porque não merece estar no esporte.

Fecha aspas.

Uma resposta dura e direta à imprensa brasileira, que provavelmente o questionou acerca do “Cingapuragate”, envolvendo Nelson Ângelo Piquet, Flavio Briatore e Pat Symmonds - embora até aqui muitos dos leitores deste e de outros blogues tenham certeza que Fernando Alonso está envolvido até o pescoço na história. E que sabia de tudo.

Um dos meus seguidores de Twitter, José Eduardo Soares, lá conhecido como @jeduardoms, levantou a lebre: “Imagine se Rubens Barrichello atendesse no GP do Brasil aos apelos de quem pedia a ele que batesse de propósito no Lewis Hamilton?”

É para se pensar, de fato. Eu estava lá em Interlagos e toda vez que Rubens aparecia no paddock, os gritos de “Bate nele, Rubinho!” eram frequentes. Mesmo com uma autêntica carroça nas mãos, o brasileiro foi extremamente profissional e não atendeu aos insistentes apelos. Hamilton, tratado como autêntico vilão, foi vaiado, espiaçado, demolido pelos torcedores. Sem merecer. E depois, foi campeão.

Já há quem culpe o episódio de Cingapura como o principal responsável pela derrota de Felipe Massa ante o inglês. Discordo. E outros eventos, como as rodadas do brasileiro na Malásia e em Mônaco, além da quebra de motor na Hungria? Não tiveram influência direta nisto?

Agora, se o Barrichello tivesse a capacidade de propositalmente tirar Hamilton da pista, como Alan Jones fez com Nelson Piquet em Montreal-80; como Alain Prost e Ayrton Senna fizeram um com o outro em Suzuka por dois anos consecutivos; como Schumacher fez com Damon Hill em Adelaide-94 e tentou fazer com Jacques Villeneuve em Jerez-97, o que o brasileiro seria? Herói ou vilão?

Confissão de culpa...

por Rodrigo Mattar


Após a revelação de que Nelson Piquet delatou o escândalo do GP de Cingapura a Max Mosley, para vingar-se da demissão do filho Nelson Ângelo, foi a vez de vir à tona a carta que o próprio piloto assinou como uma espécie de “confissão de culpa” no triste episódio do ano passado - o mais nojento e escabroso caso de armação que a Fórmula 1 já conheceu.

Em depoimento a Alan Donnelly e dois integrantes da Quest, empresa independente de auditoria que a FIA convocou para dar um rumo ao “Cingapuragate”, Piquet confessou que a manipulação em favor de Fernando Alonso - que hoje disse não ter tido nenhum conhecimento do episódio nos bastidores - foi sugerida por Flavio Briatore e também por Pat Symmonds, engenheiro-chefe da Renault.

Transcrita em dezesseis parágrafos, a confissão não põe margem a dúvidas. Os dirigentes perguntaram ao piloto brasileiro se ele estaria disposto a sacrificar sua corrida para provocar a entrada do Safety Car, ajudando a tática de Fernando Alonso, que largara muito leve, uma posição à frente de Piquet, para reabastecer em bandeira verde e aproveitar a presença do carro de segurança para ganhar posições.

O piloto garante que o episódio não influenciou na decisão da renovação de seu contrato para a temporada 2009, da qual já não participa mais. Mas as seguidas reuniões entre Briatore e Piquet pai em Interlagos davam a entender que o tricampeão já podia ter conhecimento da história e usava isso como um trunfo na manga para pressionar o italiano e assim garantir a permanência de seu filho na Renault. O que de fato aconteceu.

Isto posto, Piquet cumpriu à risca o que pediu Pat Symmonds, que lhe mostrou com a ajuda de um mapa o ponto exato da pista onde o piloto bateria sem precisar do auxílio de um guindaste para tirar o carro destruído. O local perfeito para a execução da ardilosa trama era entre as curvas 17 e 18 do circuito de rua. Na volta de apresentação, o piloto brasileiro fez uma espécie de “ensaio”, rodando para ter certeza de que aquele era o ponto.

Catorze voltas mais tarde, aconteceu a batida. Piquet, com um tímido “sorry, guys”, desculpou-se. Nas entrevistas para a Rede Globo, falava e olhava para baixo. Dizem alguns leitores e os entendidos, que olhar para baixo significa que a pessoa está mentindo. Ao não olhar para os olhos do repórter, Piquet talvez assumisse sua culpa - uma culpa da qual só estamos tomando conhecimento quase um ano depois.

O 12º parágrafo da confissão não deixa dúvidas. “Eu causei intencionalmente a batida”, diz o piloto. “Perguntei à equipe por diversas vezes o número da volta em que estávamos, o que normalmente não faço. Ninguém se lesionou no acidente.”

No parágrafo seguinte, Piquet disse que Briatore despediu-se dele ao fim daquela noite de domingo com um discreto “obrigado”, sem mais nada dizer. E no 16º e último trecho do depoimento, o brasileiro afirma categoricamente que a batida foi proposital. “Pela telemetria, poderia se notar que continuei acelerando, enquanto que a reação normal seria usar o máximo possível de freio”.

A família Piquet quer livrar a cara de Nelson Ângelo no episódio. Agora, fica uma pergunta no ar: se todo mundo - o piloto, o pai tricampeão e o engenheiro Felipe Vargas sabiam da trama, por que não contaram tudo antes da renovação do contrato? E deixar tudo isso que se passou em 2009 para agora estourar um escândalo que pode aniquilar com a carreira do piloto brasileiro?

Uma certeza a gente tem: desse episódio todo, vai sair coisa muito ruim para Flavio Briatore. E também para Pat Symmonds. O dia 21 promete ser um divisor de águas na história da Fórmula 1. Tudo o que Max Mosley queria era encerrar seu mandato com uma virada para cima de um dos seus maiores inimigos políticos. E é isso que deverá acontecer.

Inocente, Alonso garante: não sabia do plano da Renault. Será?

Principal beneficiado pelo acidente de Nelsinho Piquet durante a edição 2008 do Grande Prêmio de Cingapura, Fernando Alonso desconhecia o provável plano da Renault para que o brasileiro colidisse seu carro, provocasse a entrada do safety car e favorecesse o companheiro de equipe, que acabava de sair dos boxes naquele momento.

O surgimento das recentes acusações de que a batida de Nelsinho teria sido fruto de uma 'marmelada' organizada pelo piloto junto aos chefes da Renault, Flavio Briatore e Pat Symonds, já fez a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) consultar Alonso, o que aconteceu na última prova da Bélgica.

O conteúdo daquela conversa foi divulgado nesta quinta-feira pela revista londrina Autosport. Segundo fontes da entidade, Alonso assegurou que apenas aceitou antecipar sua primeira parada para reabastecimento - que ocorreu logo na 12ª volta da etapa asiática, apenas duas antes do acidente do brasileiro -, para realizar uma estratégia "agressiva".

As investigações também revelaram que muitos dos engenheiros da Renault também não tinham informações sobre o assunto, sendo que perguntaram a Nelsinho o que ocorrera no momento da batida. O brasileiro teria apenas respondido que perdera o controle do carro.

Houve ainda um desentendimento no pit lane de Cingapura, visto que membros da equipe francesa questionaram por que Briatore resolveu levar Alonso aos boxes ainda que restasse combustível no equipamento do espanhol. "Tudo vai ficar bem", disse, na ocasião, Symonds, conforme revelam transcrições de rádio durante a corrida obtidas pela FIA.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

E deu Fisichella...

Por Rodrigo Mattar

Para nenhuma surpresa, a Ferrari acaba de anunciar que Giancarlo Fisichella, piloto italiano de 36 anos, vai substituir Luca Badoer nas últimas cinco corridas do Mundial de Fórmula 1 deste ano. “Fisico” conseguiu junto a Vijay Malliya a liberação do seu contrato e estreia com a equipe italiana simplesmente no GP da Itália, em Monza, no próximo da 13 de setembro.

A Force India terá que substituir Fisichella também. E a escolha natural recai em Vitantonio Liuzzi, piloto de testes do time, há dois anos ausente da categoria máxima como titular. Tonio correu na Toro Rosso e desde então colabora com a FI no desenvolvimento dos seus carros. Mas outro nome que aparece bastante cotado é o de Bruno Senna. Não se sabe se para ser titular ou mesmo piloto-reserva.

Mas liguem os pontos: Senna não vai disputar os 1000 km de Silverstone pela Le Mans Series. E dificilmente estará presente na Petit Le Mans, duas semanas depois da prova inglesa e no mesmo fim de semana que o GP de Cingapura. Mera coincidência?

Estou de volta...

Oi galera....

Estou de volta.... depois de um longo período envolvido com o trabalho. Desde maio muita coisa mudou, mas o líder da F1 continua o mesmo: Jenson Button e sua equipe Brawn GP lideram o mundial de pilotos e construtores. Rubens venceu - finalmente, uma corrida e para nosso espanto, quase provoca a aposentadoria prematura do Felipe Massa.

Bem, estou de volta e ávido para publicar matérias para vocês apreciarem. Aproveito para agradecer aos amigos que constantemente tem enviado e-mails.

Abraço a todos....