sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Ayrton Senna: o filme

O documentário que conta a vida do tricampeão mundial de Fórmula 1 Ayrton Senna já tem data marcada para estrear no Brasil. No dia 12 de novembro, a produção da Universal Pictures dirigida por Asif Kapadia estreia por aqui, quatro dias depois do Japão, o primeiro país que verá a película inédita. Explica-se: os japoneses idolatravam Ayrton por conta da enorme identificação do piloto com a Honda e os três títulos conquistados com os motores nipônicos que na época impulsionavam a McLaren.

O filme foi produzido com ajuda total da família da Ayrton e é uma polaroide de toda sua carreira de 10 anos incompletos na Fórmula 1, passando pela estreia na Toleman, em 1984, até o brutal acidente de 1º de maio, onde o piloto perdeu a vida.

Com certeza, “Senna” é uma homenagem muito mais digna ao piloto brasileiro do que faziam supor as pretensiosas ideias hollywoodianas que chegaram a colocar até Antonio Banderas no papel do tricampeão. Com isso, deixamos de correr o risco de ver algo inverossímil como “Driven”, talvez um dos piores filmes da história que tem o automobilismo como tema principal, para um retrato mais humano, mais corporificado, da trajetória vitoriosa de Ayrton Senna no esporte.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

De volta ao passado...

Durante quatro anos, entre 1983 e 1986 (a foto é de Mansell em 1983), a Lotus foi parceira da Renault na F-1. Eram os tempos dos motores turbo. Nesse período a equipe conquistou 19 poles, a imensa maioria na conta de Senna, e cinco vitórias. Foram os últimos anos em que o time inglês ostentou o status de “grande”. Depois ainda houve o canto do cisne com a Honda em 1987 e 1988, para então começar a fase decadente, que resultou no fechamento da equipe no final de 1994.

A Lotus voltou nesta temporada, com nacionalidade malaia e as bênçãos dos herdeiros de Chapman, que não participam de nada, mas autorizaram o uso do nome. Não é a mesma Lotus, claro, mas a McLaren também já mudou de mãos e não deixou de ser McLaren. Enfim, enrolei isso tudo para dizer que a Renault deverá voltar a ser fornecedora da Lotus no ano que vem. O contrato do time com a Cosworth será rompido no final do ano.

É um passo para que a melhor das nanicas comece a virar um competidor de verdade. Há um futuro diante da Lotus. O mesmo não se pode dizer da Hispania. Da Virgin, não dá nem para dizer.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Nostalgia urbana (VIII) Ford Mercury 1948

Pessoal, hoje o "Nostalgia Urbana", fugindo um pouco de seu propósito inicial, apresenta um veículo que foi símbolo de prestígio no mundo todo: o Ford Mercury.

O modelo aqui exibido pertence também ao amigo Eli do Nascimento (Eli da retífica). Fabricado no ano de 1948 e importando dos EUA é um típico V8 estadunidense com design do pré-guerra. Fez parte das ruas brasileiras na década de 1950.

Um pouco da história:


O primeiro Mercury foi lançado em 1939 por Edsel Ford, filho de Henry Ford, durante a grande depressão, como alternativa intermediária entre os carros da marca Ford e os luxuosos Lincoln. O nome ‘Mercury‘ foi escolhido em referência a Mercúrio, o deus romano do comércio e das viagens.

O primeiro Mercury Eight, com motor de 95 cavalos, vendeu bem até sua produção ser interrompida pelo esforço de guerra, na 2ª Guerra Mundial.

Na década de 1950 a produção do Mercury disparou. Tinha como características marcantes seus para-choques avantajados, para-brisa dividido ao meio e painel semelhante ao dos aviões.

Um toque hollywoodiano marcou o Mercury modelo 1949 que James Dean dirigiu em 1955 em no filme “Juventude Transviada”.

A partir de 1960, houve mudança de imagem: a linha Mercury adotou carros menores e mais sóbrios. No Brasil, os carros Mercury fizeram muito sucesso entre os anos 50 e 60.



Ficha Técnica (modelo Ford Mercury Eight 1948):

Origem e Fabricação: Ford - Estados Unidos
Chassi e Carroceria: tipo plataforma - separados
Disposição: motor dianteiro e tração traseira
Motor: 8 cilindros em V (239,4"), 100hp (SAE) a 3.800 rpm
Diâmetro x curso: 3,19" x 3,75"
Taxa de compressão: 6.8 x 1
Carburador: Holley two-barrel modelo 94 ou Mercury two-barrel
Combustível: Gasolina
Câmbio:    Manual, 3 velocidades + ré
Pneus:     6.50 x 15

Recordar é viver...

sábado, 11 de setembro de 2010

Nostalgia urbana (VII) VW 1600 1968

Finalmente encontrei o "Zé do Caixão"... e claro, fotografei para minha coleção particular de antigos. Já vinha tentando registrá-lo a algum tempo mas inúmeros foram os desencontros. 

O "Zé" pertence ao amigo Eli do Nascimento (Eli da retífica como é conhecido). E aqui em Congonhas e região é difícil ver um exemplar em bom estado como esse. Ainda mais o modelo do primeiro ano de fabricação. 

Agradeço aqui a atenção dada pelo sempre gentil Eli... Valeu!


Um pouco da história:

Em 1968, a Volkswagen chegava ao impressionante número de 600 mil veículos fabricados no Brasil e em função do grande aumento de produção em suas linhas, teve de abrir mais 2000 vagas para novos funcionários.

A Volks continuava vendendo como nunca, tendo o Fusca como carro chefe e oferecendo também o utilitário Kombi, juntamente com o esportivo Karmann-Ghia.

Seus carros tinham mecânica robusta, de fácil manutenção, grande economia de combustível e preços extremamente competitivos, atrativos irresistíveis ao consumidor. Foi aí que o então presidente da Willys Overland do Brasil, Willian Max Pearce, começou a idealizar uma “fórmula” para deter o avanço da Volks, notadamente do Fusca, no setor de carros econômicos. Surge então o nascimento do projeto "E" (de econômico), que consistia na idéia de se lançar um veículo econômico e de baixo custo de fabricação, resultando num concorrente à altura do até então imbatível Fusca.

Infelizmente, estudos realizados na época tiveram resultados nada otimistas: Dificilmente o Willys “E” conseguiria ser fabricado por um custo menor ou pelos menos similar ao do Fusca. Deste modo, a Willys mudou de estratégia, rebatizando o projeto “E” para projeto “M” (de médio), associando-se à Renault para o desenvolvimento do modelo. No mesmo ano, no entanto, a Willys foi comprada pela Ford, mas esta não abandonou o projeto “M”, continuando a investir na idéia, que posteriormente daria origem ao Corcel!

Surge o VW 1600 4 portas


O VW 1600 quatro portas era exatamente uma resposta ao Projeto “M” da Willys (posteriormente Ford-Willys) que curiosamente chegou a ser chamado de “Brasília”, nada tendo a ver com a "verdadeira" Brasília, lançada pela Volks somente em 1973.

A Volks, ainda em 1968, preparava o lançamento da Variant, que inicialmente chegou a ter a sua frente copiada do VW 1600, e lançou a versão conversível do Karmann-Ghia. Sendo assim, estreou em dezembro de 1968, no “VI Salão do Automóvel” em São Paulo, o VW 1600 Sedan 4 Portas, que foi lançado juntamente com seu grande rival: o Corcel, da Ford-Willys (depois, apenas Ford).

Os motivos que levaram a Volkswagen a interromper definitivamente a fabricação do VW 1600 4 portas são até hoje bastante controversos. Nos dois anos em que ficou no mercado (1969 e 1970, tendo sido lançado em dezembro de 1968), chegaram a ser produzidas 24.475 unidades do modelo, que manteve um bom número de vendas até o término definitivo de sua fabricação, ainda em 1970. Costuma-se considerar, que um dos fatores determinantes da retirada de linha do VW 1600, teria sido a grande aceitação deste modelo entre os taxistas, o que teria feito com que o seu "status" junto ao consumidor em geral, diminuísse, e em consequência disso, as suas vendas, apesar de boas, não estariam satisfazendo plenamente às espectativas da Volkswagen. O fato é que a preferência do consumidor na época era bem diferente da de hoje em dia, sendo que os automóveis de duas portas eram os de maior aceitação, e não os de quatro portas. É daí que se explica a predominância do modelo junto aos taxistas.

Talvez o VW 1600 4 portas fosse “o carro certo no momento errado”...A Volks, ainda com esperanças de melhorar a vendagem do VW 1600 4 portas, chegou a produzir uma versão de luxo, com diversos melhoramentos em relação à versão inicial, mas que não serviu para melhorar substancialmente as vendas do modelo.

O apelido "Zé do Caixão"


Outro aspecto interessante na curta carreira do “4 portas”, foi o apelido que ele ganhou, em função do formato quadrado e possuir maçanetas distribuídas de forma uniforme pela lateral da carroceria, o carro foi logo associado a um caixão. Na época, o ator e cineasta brasileiro de terror, José Mojica Marins fazia sucesso entre os apaixonados por filmes de terror com o seu famoso personagem "Zé do Caixão", e alguns meses antes do lançamento do VW 1600, tinha lançado o filme "O estranho mundo de Zé do Caixão", em 1968. Coincidência ou não, o apelido pegou.
Pegou de tal maneira que o carro passou a ser mais conhecido por seu apelido do que por seu verdadeiro nome: VW 1600, que talvez soasse para muitos com pouca personalidade. Tal denominação, “Zé do Caixão”, ainda que dada com simpatia por muitos, acabou tendo um sentido predominantemente pejorativo, e contribuiu para abalar ainda mais o prestígio do modelo junto ao mercado consumidor.

Muitos também chamavam o VW 1600 4 portas de "Fusca 4 portas".

Fim da produção

Mas, sem dúvida, o fato mais crítico ocorrido na meteórica passagem do VW 1600 pelo mercado automobilístico brasileiro, se deu no dia 19 de Dezembro de 1970. Um incêndio de grandes proporções atingiu a fábrica da Volks, destruindo cerca de 30% de seu maquinário, e este só foi completamente debelado aproximadamente 12 horas após seu início.

Lamentavelmente, logo após este incidente, a Volkswagen do Brasil interrompeu definitivamente a produção do VW 1600 Sedan 4 portas, mas continuou a produzir normalmente os demais modelos oferecidos na época, tais como o Fusca e Kombi. A Vokswagen até que se recuperou bem do incêndio, conseguindo em Agosto de 1971, o reestabelecimento total da marca de aproximadamente 1200 automóveis fabricados ao dia. Uma recuperação considerada em tempo recorde.

Infelizmente porém, para o VW 1600 4 portas, já era tarde demais..., o fim definitivo havia chegado.


No final de dezembro de 1970 foi decretado o fim de sua produção para dar lugar ao TL.

Hoje, o modelo é considerado uma raridade pelos colecionadores e é muito valioso, desde que esteja bem conservado.

 
Ficha Técnica (modelo VW1600 1968):

Origem e Fabricação: Volkswagem - Alemanha, Volkswagem - Brasil
Chassi e Carroceria: tipo plataforma - separados
Disposição: motor e tração traseiros
Peso: 862kg
Entre eixos: 2.400mm
Motor: 4 cilindros boxer OHV, 1.584cm3 arrefecido a ar e 60hp (SAE) a 4.600 rpm ou 50cv (DIN) a 4.200 rpm
Diâmetro x curso: 85,5 x 69mm
Combustível: Gasolina
Torque máximo líquida: 11,5 kgfm a 2000 rpm
Câmbio: manual de 4 marchas
Suspensão dianteira e traseira: barras de torção
Velocidade máxima: 130 km/h reais

Recordar é viver...

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Túnel do Tempo...

Pessoal, hoje eu relembro um grande momento do campeão Emerson Fittipaldi conduzindo com maestria o Fittipaldi F8 em 1980, no GP da Inglaterra, em Brands Hatch.

Foi o último ano de Emerson na F1. O grande campeão só retornaria às pistas em 1984 na F-Indy.

O carro da foto é o Skol Fittipaldi Team, Fittipaldi F8, Ford Cosworth DFV 3.0 V8, e pneus Goodyear.



Neste GP, Emerson terminou em 12º com problemas mecânicos. Alan Jones da Williams venceu e rumava firma para consquistar o campeonato, Nelson Piquet da Brabham foi o 2º colocado e  o argentino Carlos Reutmann fechou o pódio em 3º.

Recordar é viver...

GP do Japão 1977 - Gilles x Peterson...

XII Japanese Grand Prix, Fuji Speedway, Oyama - Japão - 1977
Gilles Villeneuve, Scuderia Ferrari SpA SEFAC
Ferrari 312T2, Ferrari 3.0 F12, Goodyear

Observem a seqüência das fotos abaixo: o canadense Gilles Velleneuve se aproxima da Tyrrel P34 (6 rodas) do sueco Ronnie Peterson para ultrapassá-lo mas acaba tocando na roda traseira direita e decola...




















O acidente causou duas mortes. Um fotógrafo e um comissário de pista foram atingidos pelo carro de Gilles. Ambos estavam em locais proibidos.

5 voltas, foi o que durou a primeira (segunda!) das muitas corridas que Gilles faria pela equipe de Enzo Ferrari.


O canadense acabou falecendo no ano de 1982 vítima de um acidente nos treinos para o GP da Bélgica em Zolder.

Jochen Rint: o único campeao "post-mortem"

No dia 5 de setembro completou 40 anos que Jochen Rindt morreu. E não há como deixar de pagar tributo àquele que é até hoje o único campeão “post-mortem” da história da Fórmula 1 e um dos raros em qualquer competição automobilística. Que eu saiba, outro que também foi campeão após falecer num acidente foi Paul Warwick, na Fórmula 3000 inglesa.
 
A trajetória de Rindt no automobilismo é digna de registro. A começar que, embora defendesse a Áustria, Rindt era alemão. Nasceu em Mainz, no dia 18 de setembro de 1942, quando a II Guerra Mundial já estava no auge. A primeira grande perda de Jochen foi ainda menino: seus pais morreram num bombardeio em Hamburgo e ele foi criado pelos avós em Graz, em território austríaco, livre da tirania nazista.

Em 1964, com apenas 22 anos de idade, estreou na Fórmula 1 ao mesmo tempo que despontava como um corredor de ponta na Fórmula 2. Andou em sua primeira corrida com um Brabham BT11 de motor BRM V8, alinhado por Rob Walker, no antigo circuito de Zeltweg, abandonando em razão de problemas na direção.

No ano seguinte, assinou um contrato com a Cooper para disputar provas da categoria máxima com esta marca, enquanto na F-2 ainda mantinha a parceria com Jack Brabham a bordo dos notáveis Brabham-Honda da categoria de acesso. Com a Cooper, Rindt permaneceu por três temporadas. Na primeira, fez seus primeiros pontos na Fórmula 1 com um 4º lugar na Alemanha (Nürburgring) e um sexto na Cidade do México. Naquele mesmo ano de 1965, Rindt venceu em dupla com Masten Gregory a bordo de uma Ferrari 250 LM as tradicionalíssimas 24 horas de Le Mans.

O segundo ano de contrato entre Rindt e a Cooper foi muito positivo, apesar do conjunto meio pesadão formado pelo chassis T81 do construtor britânico no qual foi acoplado o velho motor Maserati V12 dos anos 50, potente e beberrão. Apesar das dificuldades, o austríaco brilhou: fez 24 pontos (22 válidos) e três pódios, com dois segundos lugares na Bélgica e nos Estados Unidos, além de um 3º posto na Alemanha.

Em 67,  já com Bernie Ecclestone como empresário, Jochen não foi além de seis pontos e um 13º lugar no campeonato de Fórmula 1, numa temporada muito irregular. O relacionamento com a equipe já dava evidentes sinais de desgaste e Rindt, motivado pela parceria com Jack Brabham na Fórmula 2, assinou para a temporada seguinte também na F-1.

A decisão parecia perfeita porque, afinal de contas, a Brabham foi a equipe mais bem-sucedida no início da era dos motores de 3 litros de capacidade cúbica, com títulos do próprio Jack em 1966 e do neozelandês Denny Hulme, em 1967, que saíra para se juntar a Bruce McLaren em sua recém-criada escuderia. Mas os motores Repco V8 na nova versão revelaram-se um malogro, com constantes falhas mecânicas. Rindt fez apenas dois pódios, com dois terceiros lugares na África do Sul e na Alemanha e fechou o campeonato num distante 12º lugar.

O austríaco gostava de desafios e para 1969 ele aceitou um daqueles bem encarniçados: suceder Jim Clark como piloto da Lotus 49, o revolucionário projeto de Colin Chapman que integrava o chassi de sua criação ao motor Ford Cosworth V8 desenvolvido por Kevin Duckworth e Mike Costin. A temporada não começou bem: Jochen (foto ao lado) demoliu seu carro contra uma barreira de proteção quando o aerofólio traseiro de seu carro quebrou a mais de 220 km/h, provocando fratura de crânio no piloto, que não correu em Mônaco e voltou na prova seguinte em Zandvoort, na Holanda.
 
Na segunda metade do campeonato, Rindt e a Lotus melhoraram positivamente seu desempenho. Após um injusto 4º lugar na Inglaterra, quando brigou de igual pra igual com Jackie Stewart, foi segundo em Monza, a centésimos do escocês voador. Chegou ainda em 3º no Canadá e no GP dos Estados Unidos, em Watkins Glen, veio a consagração. Depois de uma corrida impecável, o piloto austríaco, então com 27 anos, venceu pela primeira vez na Fórmula 1.

Em 1970, a Lotus estava pronta para retomar a hegemonia perdida com a morte de Clark e com o acidente de Graham Hill, sofrido um ano antes, onde o veterano bicampeão mundial quebrou as pernas numa batida. E Rindt, como piloto número 1 da equipe na Fórmula 1 e também na Fórmula 2, era a esperança de Colin Chapman para recolocar o Gold Leaf Team Lotus no caminho natural das vitórias.
 
A primeira do ano veio ainda com o velho modelo 49C, graças à falta de combustível no carro de Jack Brabham na última volta do GP de Mônaco. E quando o modelo 72C finalmente ficou pronto, a sinergia entre ele e Rindt foi perfeita: quatro vitórias de forma consecutiva (Holanda, França, Inglaterra e Alemanha), somadas com o triunfo de Mônaco, o deixaram com 45 pontos e líder isolado do campeonato. Nem a quebra acontecida no GP da Áustria, logo na 22ª volta, abalou a moral de Rindt diante dos seus compatriotas.

O GP da Itália, décimo do campeonato, seria decisivo para as pretensões de Rindt e ele estava preparado para uma dura batalha contra Jacky Ickx, Clay Regazzoni e Ignazio Giunti, a trinca da Ferrari que tanto lhe dera trabalho em Österreichring na corrida anterior. Mas o fim de semana não começou bem para a Lotus: seu novo companheiro de equipe naquela época, o brasileiro Emerson Fittpaldi, tentava participar de sua 4ª corrida na Fórmula 1 e na ânsia de mostrar serviço, distraiu-se numa freada, bateu na traseira da Ferrari de Giunti e decolou com seu carro em direção às árvores da curva Parabólica. Detalhe: com o carro que seria de Rindt naquele fim de semana.

Colin Chapman determinou a troca de carro e Emerson assim cedeu seu chassi ao companheiro de equipe, que estava inscrito para aquela prova com o número #22. O brasileiro tinha o número #26 e foi para a pista com o chassi que seria do austríaco para a prova de classificação, no dia 5 de setembro.

Mas a tragédia, presente na vida de Rindt desde a infância, se fez presente naquela tarde. O piloto freou forte para tomar a Parabólica saindo da reta oposta em direção à reta dos boxes e tribunas, quando alguma coisa quebrou na Lotus e o líder do campeonato bateu violentamente na barreira de proteção. Seu carro saiu rodando pela areia, com o piloto inerte, a suspensão dianteira demolida e as pernas de Rindt para fora do cockpit.

Ele foi levado às pressas para um hospital, mas os ferimentos extensos tornaram impossível qualquer tentativa de recuperação. Aos 28 anos, Jochen Rindt, líder absoluto do Mundial de Fórmula 1 de 1970, estava morto. A Lotus não disputou a corrida, vencida por Clay Regazzoni com a Ferrari e também não foi ao Canadá, onde a vitória foi de Jacky Ickx.

Subitamente sem seu principal piloto, Colin Chapman tomou uma arriscada decisão. Levou para o GP dos EUA em Watkins Glen o brasileiro Emerson Fittipaldi, guindado à condição de piloto número um e o sueco Reine Wisell, sem nenhuma experiência prévia na categoria, que brilhara na Fórmula 3 europeia, para assumir o volante do segundo carro. E para surpresa geral, Emerson não só venceu a corrida, como ofertou a Rindt o inédito título “post-mortem”, até hoje um feito jamais alcançado na história da Fórmula 1.

Rindt morreu sem conhecer a maior glória de sua carreira. Mas os fãs austríacos e o mundo do automobilismo não esquecem de sua passagem pelo esporte, com demonstrações de garra, muita velocidade e um controle fantástico dos carros que guiava. Por isso, deixou muita saudade.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Nostalgia urbana (VI) - Opala DeLuxo 1973


Amigos,
tive o privilégio de registrar esse belíssimo Chevrolet Opala, ano de fabricação 1973, modelo "De Luxo", cujo proprietário é Rodrigo Cruz, vendedor de autopeças da empresa "Mundo das Peças", aqui em Congonhas. Por isso, rendo minha homenagem ao Opala, o carro que conquistou o Brasil, alcançando aproximadamente 1 milhão (998.444 para ser mais exato) de unidades fabricadas e comercializadas.

Um pouco da história:

A marca Chevrolet era ainda muito forte no Brasil. Antes de a indústria automobilística aqui se instalar, era a mais popular. Seus modelos tinham fama de resistentes, sendo os mais procurados e os que menos desvalorizavam com o uso. Com as dificuldades criadas para importações - depois do surgimento da indústria brasileira -, os antigos Chevrolet foram ficando na saudade. A Veraneio foi uma primeira reaproximação e o Uirapuru consolidava a excelente imagem do seu motor de seis cilindros. Quando em 1968 a Chevrolet lançou seu primeiro nacional de passeio (derivado de um Opel - GM alemã -,o Rekord), batizou-o de Opala (Op de Opel e pala de Impala, um dos mais populares carros da marca no Brasil no início dos anos 1960).

Seu projeto (chamado de projeto 676) demorou cerca de dois anos, sendo finalmente apresentado na abertura do VI Salão do Automóvel de São Paulo, num sábado, dia 23 de Novembro de 1968, já como linha 1969. E ao longo de seus 23 anos e cinco meses de produção contínua, passou por diversos aprimoramentos mecânicos e modificações estéticas, sendo fabricado na cidade paulista de São Caetano do Sul, localizada na Região Metropolitana de São Paulo, até ao dia 16 de Abril de 1992, uma quinta-feira.

Durante o período em que esteve em produção, foram oferecidas paralelamente duas opções de motores ao Opala: 4 ou 6 cilindros, tanto para as versões básicas, quanto luxuosas ou esportivas. Todos os motores usados no Opala foram derivados de motores da Chevrolet Norte-Americana.

Essa mistura, onde combinava-se um motor americano a uma carroceria alemã, curiosamente resultou na peculiaridade de conviverem no mesmo projeto componentes com especificações técnicas baseadas no sistema de medidas Inglês, nos componentes do motor e transmissão, e no sistema métrico usado na Alemanha e no Brasil nas demais partes do veículo.

Dentre as qualidades do Opala, é notável o acerto dos freios, direção, velocidade e suspensão bastante equilibradas, aliado a isto, o conforto de um carro potente e com bastante torque, o que resulta em saídas rápidas e muita força em subidas de serra e ultrapassagens mais que seguras na estrada. Apesar do tamanho, é um veículo fácil de conduzir na cidade. Porém na época do seu lançamento, o carro foi criticado por seu acabamento inferior em relação ao seus "irmãos" americanos.

Graças a suas características positivas, o Opala foi eleito pela Revista Autoesporte o Carro do Ano de 1972.


Ficha Técnica (modelo “DeLuxo” 1973):

Origem  e Fabricação: General Motors - EUA/Opel - Alemanha, General Motors - Brasil
Chassi e Carroceria: monobloco
Disposição: motor dianteiro e tração traseira
Peso: 1.100kg
Entre eixos: 2.667mm
Motor: 4 cilindros OHV, 8 válvulas, 2.474cm3 e 79 hp (SAE) a 4.400 rpm
Combustível: Gasolina
Taxa de Compressão: 7,0:1
Torque máximo líquida: 16,1 kgfm a 2400 rpm (torque Líquido)
Câmbio: manual de 3 marchas
Velocidade máxima: 153,1 km/h
Aceleração 0–100 km/h: 15,5 sec

Recordar é viver...

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Nostalgia urbana (V) - VW/Karmann Ghia - 1967


A foto ai foi enviada pelo amigo Rodrigo Costa, expert em sonorização e sensível às maravilhas sobre rodas. 

É um raro exemplar do VW/Karmann Ghia, ano 1967, já com motorização de 1.500cm3. Um carro em que pode-se afirmar, sem medo, que ele foi um dos mais bonitos carros daquele e de todos os tempos. O modelo cativou um público muito especial, pois era um automóvel com boa dirigibilidade, fácil uso e de simples manutenção Volkswagen.

Um pouco da história:

A Karmann instalou-se no Brasil no início dos anos 1960, algum tempo após a VW, com o propósito de produzir um elegante cupê desenhado por Ghia, um grande designer automobilístico. Sobre a plataforma VW e utilizando exatamente a mesma mecânica que o Sedan, começava a ser fabricado no país o VW Karmann Ghia em 1962.

Sua carroceria, acabada a mão, tinha um desenho especial.

Sem dúvida, o Karmann Ghia criou uma categoria única e diferenciada, sem concorrentes. Ele era um esportivo que se dava ao luxo de dispensar performance.

A associação à imagem do Volkswagen como algo menos formal que a de um carro familiar popular sempre esteve presente. Já nas primeiras imagens divulgadas do automóvel aparecia um modelo conversível. Utilizar carrocerias Karmann fazia parte da cultura da montadora.

O modelo fabricado no Brasil era um elegante esportivo montado sobre o chassi-plataforma VW. Performance não era seu forte.

Era um esportivo por levar mais em conta a beleza e a sedução do que propriamente sua função de meio de transporte.

Tecnicamente, nada acrescia ao sedã, no entanto, conferia charme e estilo ao seu proprietário.

 

Ficha Técnica:

Origem  e Fabricação: VolksWagen - Alemanha, VolksWagen - Brasil
Chassi e Carroceria: tipo plataforma, separados
Disposição: motor e tração traseiros
Peso: 860kg a seco
Entre eixos: 2.400mm
Motor: 4 cilindros boxer OHV arrefecido a ar, 1.493cm3 e 55hp (SAE) a 4.600rpm ou 48cv (DIN) a 4.200rpm
Câmbio: manual de 4 marchas

Recordar é viver...

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Parabéns Nelson Piquet

Neste 17 de agosto, Nelson Piquet completa mais um ano de vida. É o 58º aniversário do primeiro piloto brasileiro tricampeão mundial de Fórmula 1, nem sempre com seus méritos reconhecidos. Uma pena: poucos podem dizer que viram in loco um dos maiores talentos do automobilismo, na finesse da pilotagem, na excelência do acerto de um carro, na arte da malandragem e sobretudo uma figura ímpar, beirando às vezes o mau humor, a grosseria, mas com tiradas simplesmente sensacionais.


Melhor do que lembrar das vitórias e das conquistas deste inesquecível campeão, só mesmo os aforismos imortais que cunhou ao longo da carreira.


“O comendador Enzo (Ferrari) é um velho gagá”
Em lendária entrevista para a Playboy


“(Eliseo) Salazar não é piloto, nunca foi. Ele é motorista!”
Após brigar com o piloto da ATS no GP da Alemanha de 1982


“Vai dar pra ganhar hoje, Nelson?”
“Eu não sou mago, sou piloto.”
Diálogo do piloto com um repórter, ao vivo, nos anos 80


“Como está o carro?”
“Uma merda.”
“E o estado de espírito?”
“Igual ao carro. Outra merda.”
Diálogo entre Marcus Zamponi e Nelson Piquet, revista Auto Esporte, GP do Brasil, 1988


“Quase gozei no final”
“Você não tem pena do Mansell?”
“Porra nenhuma! Vence quem chega primeiro!”
Após a vitória no GP do Canadá de 1991, a última da carreira


“O Mansell é um idiota veloz. O Prost é um babaca. O (Patrick) Tambay é cheio de frescura. O (René) Arnoux é um idiota de QI 12. Como posso ser amigo desses caras todos?
Nos anos 80


“Para quem você dedica o seu título?”
“Para Nelson Piquet.”
Em entrevista histórica à revista Grid, em 1987, após o tricampeonato


“Aquela porrada me afetou psicologicamente.”
Sobre o acidente sofrido na curva Tamburello nos treinos do GP de San Marino, 1987


“Eu agora trabalho pra mim. Não deixo mais passar nenhuma informação.”
Em entrevista a Reginaldo Leme no “Fantástico” após a vitória no GP da Alemanha de 1986


“Alan Jones é um idiota. Na primeira oportunidade, jogo ele pra fora da pista.”
Após o acidente provocado pelo australiano no GP da Bélgica, em 1981


“Ligier, Williams e Brabham são os chassis mais seguros. Renault, Ferrari e Alfa Romeo são cadeiras elétricas.”
Em entrevista a Reginaldo Leme num “Globo Esporte”, em 1980


“Eu jogo tênis, ele joga golfe. Eu gosto de mulher bonita, ele gosta de mulher feia. Eu ganhei três títulos, ele perdeu três.”
Tirando um sarro da cara de Nigel Mansell


“Freei uns 30, 40 metros além do que precisava. Derrapei nas quatro rodas. Mandei um gesto bacana. Mandei ele tomar no c*”
Sobre a ultrapassagem do século sobre Ayrton Senna no GP da Hungria, em 1986


“Andar atrás pra quem andou na frente é um inferno. É um risco o tempo todo. Sabe o que é largar ao lado do Andrea de Cesaris? Afora os caras que não conseguem enxergar pra frente? Você perde logo a vontade de correr.”
Sobre a aparente ‘falta de motivação’ em 1989


“Quem é Hunt?”
Respondendo com ironia às críticas do campeão de 1976, então comentarista da BBC, que o chamou de acabado no GP da Inglaterra de 1989. Detalhe: Piquet chegou em quarto


“Nossa amizade vale mais que os três pontos que você ia marcar.”
Em resposta a Andrea de Cesaris, insatisfeito com o acidente que os dois sofreram no GP de Mônaco de 1989


“Acho que ele (Flavio Briatore) não me conhecia. Fechamos um contrato por US$ 100 mil por ponto marcado no campeonato, mais um bônus por vitórias. No fundo, ele achava que ia me pagar pouco. Ganhei US$ 8 milhões, venci duas corridas e só cheguei atrás do Senna e do Prost.”
Em entrevista no fim de 1990, quando foi 3º colocado no campeonato.


“Muito prazer, meu nome é Nelson Piquet.”
Na coletiva de imprensa do GP do Japão de 1990, brincando com os jornalistas depois de sua primeira vitória na F-1 desde o GP da Itália em 1987

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Nostalgia urbana (IV) - VW Fusca - 1970


Vejam esta raridade que encontrei na cidade vizinha de Conselheiro Lafaiete: um VW Fusca, motor 1.300 cm3, com 36CV de potência, ano/modelo 1970. Notem o pára-choque de duas lâminas. Ainda em 1970 foi lançando com o pára-choque de lâmina única.

O modelo ai da foto era carinhosamente conhecido como "fusquinha". O VW Fusca 1.500 cm3, lançado no início de 1970 foi logo apelidado de "Fuscão" e era o sonho da juventude daquela época.

Um pouco de história:

A Volkswagen do Brasil, em 1959, lançou o VW Sedan 1200, que imediatamente passou a ser conhecido como Volks. Muitos automóveis já haviam feito sucesso no Brasil antes do Volks e outros, depois viriam a fazer. No entanto, nenhum antecipou ou repetiu o experimentado pelo VW Sedan, um fenômeno mundialmente só comparável ao do Ford Modelo T. Em 1961, o Volks evoluiu: o pequeno vigia traseiro cresceu, as duas "bananinhas" que despregavam ao ser acionadas para informar a mudança de direção e câmbio de quatro velocidades, com a primeira "seca", foram substituídos por um vigia de dimensões bem maiores, luz de seta de direção e câmbio com primeira marcha sincronizada.

Em 1967, o 1200 foi substituído pelo Sedan 1300 mais potente (8 cv DIN a mais). Em 1970, algumas mudanças no desenho - dentre elas a dos pára-choques (agora com lâmina simples) - marcariam uma nova fase para o Sedan, agora apelidado de Fusca. Uma versão mais potente - o Sedan 1500 (Fuscão) - ampliava a linha. O Fuscão, com tomadas de ar sobre o cofre do motor, possuía aspecto mais jovial, simbolizando um passo à frente. Sua produção era significativa - ocupava a posição de segundo carro nacional mais vendido - e só perdia (por pouco) para o Fusca. Em 1975, a crise do petróleo afetou significamente suas vendas e, na prática, o 1500 foi sendo substituído pelo 1300L (Luxo, com o mesmo acabamento do Fuscão e motor mais econômico).

Por longa data o Fusca seguiu como o mais vendido nacional. No entanto, pouco a pouco foi perdendo a força. No início dos anos 1980, quando o álcool se transformou no principal combustível a versão 1600cm3 foi adotada como única opção. O motor a álcool 1600 com carburação dupla conferiam ao Fusca uma performance inimaginável anos atrás. Porém, suas limitações eram por demais evidentes. Mesmo com valor inferior, não conseguia um número de vendas que justificasse sua permanência. Como continuava adorado, foi lançada uma última série para comemorar sua passagem pelo mercado nacional e em 1987 teve a produção interrompida. Relançado em 1993 a pedido do então Presidente Itamar Franco, saiu de linha em definitivo em 1997.

Foram produzidos no Brasil aproximadamente 3.300.000 unidades. Verdadeiramente mais um veículo que ajudou a desenvolver este país.

FICHA TÉCNICA:

Origem e Fabricação: VolksWagem - Alemanha, VolksWagem - Brasil
Chassi e Carroceria: tipo plataforma - sepadarados
Disposição: motor e tração traseira
Motor: 4 cilindros boxer OHV, 1.292cm3, arrefecido a ar e 36hp (SAE) a 3.700rpm
Câmbio: manual de 4 marchas


Recordar é viver...

Túnel do tempo...

O túnel do tempo de hoje recorda um grande momento da F1 nos anos 80:



Jacques Laffite, Ligier-Renault JS25, no Grande Prêmio da França de 1985, em Paul Ricard. O francês abandonou na 2ª volta com problemas no turbo. Nelson Piquet, da Brabham, venceu a prova, seguido por Keke Rosberg, da Williams. Alain Prost, da McLaren, completou o pódio. Foi a única vitória de um brasileiro no circuito de Paul Ricard.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Nostalgia urbana (III) - Ford F100 - 1969


Raridade: achei essa linda pickup Ford F100, ano/modelo 1969 estacionada em frente ao CET (antiga escola industrial de Congonhas) e não resisti. Registrei de imediato esse que foi o primeiro veículo da Ford fabricado no Brasil em 1960. Não posso precisar a originalidade da cor mas é certo que esse modelo contemplava a pintura "saia e blusa". Agora, as rodas e pneus também não são originais. Mas ficou linda assim.

Um pouco da história:

A primeira marca automobilística a instalar-se oficialmente no Brasil foi a Ford, em 1919, com o propósito de montar o Ford Modelo T, recebido em CKD (completamente desmontado). A Ford só viria a fabricar automóveis de passeio nacionais em 1967. Antes disso (desde os meados dos anos 1950) produzia a linha de veículos pesados Ford, cujo utilitário leve era o F-100, dotado do mesmo motor V8 que viria a equipar o Galaxie. Muito eficiente, a caminhonete Ford teve uma versão luxo que servia para o trabalho e também para o lazer.

Em 1968, a F-100 foi agraciada com a suspensão dianteira independente "Twin-I-Beam", que trabalhava de maneira bem mais eficiente que o eixo rígido. Em 1972, a carroceira foi bastante modernizada, e a caminhonete passava a contar com certa leveza de linhas. Linhas suaves, suspensão competente e motor V8 faziam da F-100 o carro do "dono da fazenda", além de também ser o de trabalho. Em meados dos anos 1970, no auge da crise do petróleo, passou a ser equipada com o motor 2.300cm3 (de quatro cilindros). Era muito peso para um motor com vocação de passeio. No início dos anos 1980, com motorização a diesel, foi verdadeira "coqueluche".

FICHA TÉCNICA:

Origem e Fabricação: Ford - EUA, Ford - Brasil
Chassi e Carroceria: separados
Disposição: motor dianteiro e tração traseira
Motor: 8 cilindros em "V" OHV, 4.785cm3 e 190hp (SAE) a 4.400rpm
Câmbio: manual de 3 marchas

Recordar é viver...

Nostalgia urbana (II) - Ford Corcel - 1973


Já dizia Rauzito em sua bela canção "Ouro de Tolo": ...Eu devia estar feliz porque consegui comprar Um Corcel 73......

Pois é: esse ai flagrei próximo a praça da Matriz de Nossa Senhora da Conceição. Um Ford Corcel - ano/modelo 1973. Está bem conservado! Só o bagageiro não é original.

Um pouco da história:

Quando em 1967, a Ford adquiriu a Willys, o projeto do automóvel que viria a ser batizado de Ford Corcel já estava adiantado. Era o Renault 12 francês, porém reestilizado e adaptado para o Brasil. Desde o lançamento - primeiro veio a versão sedã de quatro portas -, já estava prevista uma versão cupê e uma esportiva (GT). O Corcel foi um sucesso que, quanto mais tempo passava, mais consolidado ficava. Em 1977, foi lançado o Corcel II, uma reestilização completa do pioniero. Em 1982, sobre sua plataforma, foi fabricado o Del Rey, que sobreviveu até o início dos anos 1990. O Corcel nasceu para ser popular e saiu do mercado, 25 anos depois, como carro de prestígio da Ford e do mercado como um todo.

O Corcel ai da foto foi o grande produto da Ford no início da década de 70 e forçou a VW, Chevrolet e a Crhysler a lançarem novos produtos no mercado nacional. O ano de 1973 foi um marco importante para a indústria nacional de veículos.

Ficha Técnica:

Origem  e Fabricação: Renault - França, Ford - Brasil
Chassi e Carroceria: monobloco
Disposição: motor e tração dianteiros
Peso: 944kg em ordem de marcha
Entre eixos: 2.438mm
Motor: 4 cilindros OHV, 1.372cm3 e 85hp (SAE) a 5.400rpm
Câmbio: manual de 4 marchas

Recordar é viver...

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Nostalgia urbana (I) - Rural Willys/Ford - 1970


Andando por ai, olha o que eu achei... uma Rural Willys/Ford, ano 1970, em bom estado de conservação... e a tradicional pintura “saia e blusa”. Este utilitário foi um dos veículos pioneiros da nossa indústria automotiva e ajudou a desenvolver nosso país.


Um pouco da história:

A Rural Willys/Ford era um Jeep que transportava passageiros e bagagem com mais conforto que o Jeep, sem abrir mão da capacidade de enfrentar qualquer estrada no Brasil dos anos 1950. É  o primeiro utilitário esporte da história, esporte aqui no sentido de lazer. Pode-se dizer sem medo de errar que é a avó do Jeep Cherokee, que tanto sucesso faz no mundo todo. 

Foi durante muito tempo um veículo extremamente desejado, e a fábrica submeteu a várias evoluções ao longo dos anos. Chegou ao extremo de adequá-la para uso mais civilizado, com tração traseira apenas e suspensão dianteira independente com molas hilicoidais, para aumentar o conforto de marcha.

FICHA TÉCNICA:

Origem e Fabricação: Willys - EUA, Willys - Brasil
Chassi e Carroceria: separados
Disposição: motor dianteiro e tração traseira (ou 4x4)
Peso: 1.488kg em ordem de marcha (1.586kg versão 4x4)
Entre eixos: 2.654mm
Motor: 6 cilindros em linha, com bloco e cabeçote em ferro fundido, refrigerado a água. Comando e válvulas de escapamento no bloco e de admissão no cabeçote - 90cv (SAE) a 4.000rpm, cilindrada total de 2.638cm3
Câmbio: manual com 4 marchas sincronizadas á frente e uma à ré (versão 4x4: 1ª não sincronizada; 3 marchas + reduzida e uma à ré).
Freios: dianteiro/traseiro a tambor

Recordar é viver...

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Túnel do Tempo...

O Túnel do Tempo relembra um grande momento brasileiro na F1: a equipe Fittipaldi, que muito nos orgulhou enquanto esteve disputando corridas entre os anos de 1.975 a 1.982.

Na foto o piloto Keke Rosberg com o modelo Fittipaldi-Ford F7 durante a disputa do GP da Bélgica de 1980, em Zolder.

O
finlandês chegou na sétima posição. Didier Pironi (Ligier) foi o vencedor. Alan Jones e Carlos Reutemann (Williams) completaram o pódio.