sábado, 25 de setembro de 2010

1º Encontro de Autos Antigos de Congonhas - 1º dia

Amigos, terminou a pouco o primeiro dia do 1º Encontro de Autos Antigos promovido pelo CAARR aqui na singular Romaria em Congonhas.

O dia foi intenso. Inúmeros expositores de várias partes do país. A Associação Galaxeiros das Gerais marcou presença com o imponente Galaxie e seus modelos. E olha, vieram com tudo aqui pra Congonhas.


Também marcarem presença os 'opaleiros' da região, principalmente de Conselheiro Lafaiete, expondo os vários modelos do mais querido Chevrolet fabricado no país.

Galaxeiros das Gerais - BH

Galaxeiros das Gerais - BH
Outra presença marcante foram os inúmeros Aero Willys 2600 que reinaram absolutos no início da década de 1960.

O Aero Willys 2600 marcou presença no Encontro
Agora, os Fuscas tem seu lugar também. Vários modelos expostos inclusive uma réplica do VW Hebmüller ano 1949. E aí eu explico o porque da réplica: segundo o proprietário, o simpático Antuer Portes de Belo Horizonte, foi utilizado um VW Sedan 1300 ano 1967 para recriar o belíssimo modelo ano 1949. Foram pouco mais de 600 unidades produzidas na Alemanha.


Um raro exemplar do VW Hebmüller 1949
O dia foi repleto de novidades com destaque para a 'jardineira' International ano 1936 que veio de São João Del Rey. Um belíssimo exemplar do precursor do ônibus no Brasil.


Jardineira International 1936

Jardineira International 1936

O ponto alto deste primeiro dia foi quando o pessoal das pickups ligaram seus motores v8 no giro máximo. O barulho foi ensurdecedor e chamou a atenção do público que ficou extasiado. Os Galaxeiros também ligaram seus possantes V8 e deram um show. Verdadeiros V8s acelerados ao máximo. Por fim, os opaleiros ligaram seus Opalas 4100 6cc e mostraram também  a força de seus motores.

Ford Maverick 1977

Ford Maverick 1977

Vários Chevrolet Opala expostos
Ainda teve o "desafio" lançado pelo 'Tulinho' de Lafaiete: ele desafiou os expositores com sua moto BMW ao propor qual motor em marcha lenta teria o som mais suave. E por incrível que pareça o “vencedor”, eleito pelo público presente, foi o Gálaxie do Alexandre de BH. Uma suave marcha-lenta de um autêntico V8.

Pickup Ford F1 V8 1951

Pickup Ford F75 1972

Caminhão International KB-6

À esquerda Chevolet Fleetmaster 1948 ao lado do Ford Mercury 1948
O público se divertiu bastante e foram muitas as famílias, de Congonhas e região, que marcaram presença.

Chevrolet Fleetmaster 1948

Chevrolet Amazona 3100 -  1963
Para encerrar o dia, a apresentação do Grupo de Coral Afro Municipal da cidade de Limeira-SP foi magnífica. 

Fechamos o dia com chave de ouro. Ufa!

Coral Afro Municipal de Limeira-SP

Amanhã tem mais... valeu...

1º Encontro de autos antigos de Congonhas - Imagens do dia

Amigos,

o evento está maravilhoso.... 

inúmeros carros antigos expostos aqui na Romaria de várias marcas e nacionalidades. Tem até uma Jardineira International 1936.

A Associação Galaxeiros das Gerais, de Belo Horizonte, marcou presença com o imponente Galaxie e seus vários modelos.

O CAARR e seus organizadores estão de parabéns... um belíssimo encontro...

Acompanhem abaixo a fotos deste sábado, 25/09/2010.

Abraços....

Galaxeiros das Gerais

Ford Maverick V8 1977

Jardineira International 1936

Vários Galaxies no pátio da Romaria

Encontro de carros antigos de Congonhas - iniciado o evento...

Pessoal, já começou o 1º Encontro Regional de Autos Antigos em Congonhas... e está repleto de carros antigos expostos no pátio da Romaria.

Muitas pessoas por aqui... venham conferir!

Vejam as fotos desta manhã...

Abraços...




VW Hebmuller 1949
Ford 1928
Ford Gálaxie

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Encontro de Carros Antigos em Congonhas - um aperitivo

Pessoal, vai aqui uma prévia do que será o encontro de carros antigos a partir de amanhã, 26/09, na Romaria em Congonhas. Já se encontram estacionados no pátio dessa imponente construção, vários carros que marcaram época e povoaram o imaginário das pessoas.

Vejam a seqüência das fotos e apreciem...

Tem Fusca, Kombi, Karmann, Opala, Corcel, MP Lafer além do Mercury Cougar, um autêntico V8 made in USA.

Espero todos vocês lá a partir de amanhã... abraços

Mercury Cougar V8 1967

Ford Corcel 1969/1970

VWKombi 1969

VW Sedan 1200 1959

VW Sedan 1300L 1978


VW Sedan 1200 1963

VW Kombi 1977

GM Chevrolet Opala 1973/1974

GM Chevrolet Opala 1979

MP Lafer/VW 1976 

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Túnel do Tempo

Amigos, estava devendo esse registro ao "Professor" Alain Prost. Um dos maiores pilotos da F1. Conquistou 4 títulos mundiais e 51 vitórias no currículo. São números impressionantes para um "francesinho" narigudo. Assim era tratado no padock.

E para homenageá-lo, vai aqui a imagem do "Professor" em sua corrida de estréia a bordo do McLaren-Ford M29B, no GP da Argentina de 1980, em Buenos Aires. Em sua primeira corrida na Fórmula 1, Alain Prost chegou na sexta posição, uma volta atrás. Alan Jones, da Williams, venceu, seguido por Nelson Piquet, da Brabham, e Keke Rosberg, da Fittipaldi.


Recordar é viver...

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Nostalgia urbana (IX) - Aero-Willys 2600 - 1960

Quem foi Rei nunca perde a Majestade, diz o dito popular. É o que podemos dizer do Aero-Willys 2600, que reinou soberano entre os anos de 1960 a 1967 quando modelos mais modernos foram lançados. Continuou no mercado até 1972, sem tanta força, realocado, via preço, para a disputa na fatia dos médio-grandes.

E contando com a colaboração do amigo Eli do Nascimento, que é proprietário do modelo abaixo, registrei com entusiasmo este belíssimo modelo 1960, com pintura saia e blusa além do inconfundível friso lateral em forma de z. Esse modelo ficou conhecido no Brasil como Aero "bola", devido as formas "arredondadas". Criatividade brasileira.


Um pouco da história:

Os estudos para a produção do Aero Willys nacional foram iniciados em 1958 e incluíram uma série de exaustivos testes, visando melhor adequar o modelo às nossas condições. Lançado em março de 1960, o "Aero" continuava sendo objeto de contínuos melhoramentos. O primeiro Aero fabricado no Brasil tinha a carroçaria lembrando o modelo americano de 1955 importado até então, porém o motor era o utilizado nos Aeros de 1952. É interessante lembrar também que já em 52 era oferecido como opcional o câmbio "overdrive", mas que nunca foi colocado à disposição nos modelos produzidos no Brasil. Os Aeros 1955 tinham o tradicional motor 6 cilindros, porém com 115 hp. O câmbio poderia ser de 3 marchas sincronizadas com opção "overdrive" ou câmbio automático (Hidra-Matic da GM). Houve ainda outra opção de motorização, pois, os Aeros Americanos modelo 1954 chegaram a ser fabricados com motor Kaiser 226. O painel era diferente, assim como o acabamento interno.

Em 1960 o índice de nacionalização do modelo produzido no Brasil não passava de 40% e inicialmente o Aero nacional era para se chamar "BRASÍLIA". A primeira mudança ocorreu em 1962 e já representava uma etapa na realização de um carro de concepção bem nacionalizada. O modelo 62 apresentava ainda a mesma aparência básica de seu predecessor americano. O principal detalhe externo era o friso lateral reto, que no modelo americano era em Z separando a pintura em duas cores (saia e blusa).

Principais modificações introduzidas no Aero 1962:

Externas:· Novas cores (saem as duas cores)· Novas rodas (perfuradas) e calotas. Novo friso lateral. Maçaneta na tampa do porta malas· Nova lente da luz de ré
Interior: · Nova disposição nos botões do painel e novos botões· Cinzeiro no topo do painel e novo local do radio. Novos bancos (o traseiro mais baixo). Forração das portas com carpete na parte inferior.
Mecânica: · Novos sistema de freios "Duo-Servo" nas 4 rodas· Novo sistema de escapamento· Nova montagem do freio de mão· Novo local da bobina.

A segunda grande mudança no Aero foi realizada em 1963:

Considerado o primeiro carro inteiramente concebido e construído no Brasil. As alterações foram chamadas de "projeto 213", sendo o projeto concebido em 1957 pelo estilista americano Brook Stevens. Pronto para a apresentação recebeu o nome de "Aero 2600". Este projeto inicial de 1957 acabou por influenciar também as frentes da Rural (esta reestilizada também por Brook Stevens), do Itamaraty 66 e do Corcel 68.

No principio era uma idéia arrojada, depois começou o trabalho e a idéia foi se concretizando. Não eram uns sonhadores. Sabiam o que queriam, E surgiu o primeiro carro concebido no Brasil, para demonstrar que automóvel também era nosso. Foi em 1961 que a diretoria da Willys Overland do Brasil tomou a decisão: O Aero Willys 1963 seria um carro inteiramente novo, com estilo próprio e linha inédita no catálogo internacional. Criar um carro era coisa nova no Brasil, envolvendo problemas de toda espécie, muitos dos quais ninguém imaginava. O início da fabricação deu-se em outubro de 1962 e sua primeira aparição foi no mesmo mês em Paris/França, no mais famoso Salão do Automóvel do mundo.

Entre muitas novidades internacionais aparecia um monobloco brasileiro, 110 cavalos no motor, concepção e estilos novos um "Carrão". Era o primeiro carro concebido e construído na América Latina. O projeto 213 que de fevereiro de 61 a julho de 63 absorveu 129.403 horas regulares e 43.508 horas extras (o equivalente a 60 anos de trabalho de um homem) estava concluído e chamaria "Aero Willys 2600".

A data de 1963 era importante para a Willys pois comemorava-se os 60 anos que lançara seu primeiro veículo, o "Overland 1903". O Brasil então contava, ao lado de numerosos carros de fabricação nacional, com o pioneiro genuinamente brasileiro: o Aero Willys 2600 - 1963. As primeiras peças, como os primeiros carros eram inteiramente feitas à mão.

A terceira grande mudança ocorreu em 1965:

Remodelada a traseira (tornou-se mais baixa com novas lanternas) e a frente ganhou novos contornos no farol, houve mudanças nos frisos, novas cores, novo padrão de estofamento.

Em 1966 foi a vez do lançamento de uma nova versão mais luxuosa batizada de Itamaraty (Uma revista especializada em veículos o chamou de "palácio sobre rodas"). Ele vinha equipado com bancos de couro, ar condicionado opcional com saídas de ar traseiras, nova frente e nova traseira. No Aero 1967 houve mudanças pouco significaticas: a lanterna traseira passa a ser composta por 3 partes distintas (Vermelho/amarelo/branco), e novo painel com 5 instrumentos separados (o anterior era de 3 instrumentos sendo gasolina/temperatura, velocimetro/hodômetro e bateria/óleo).

Nesse ano a grande mudança ocorreu no Itamaraty que ganhou nova frente, novas calotas, novas lanternas traseiras, e novo acabamento. Em 67 também foi criado o Itamaraty Executivo (a primeira limousine brasileira de série), contava com vários opcionais - poucas unidades foram fabricadas.

De 1967 a 1972 poucas modificações ocorreram na linha Aero, a mais significativa foi o motor, que passou a 3000cc. Mudaram os padrões de acabamento e novas cores foram adotadas.

Depois da compra da Willys pela Ford os automóveis passaram por muitas modificações, tendo sido inclusive enviados para teste no Estados Unidos. Diversos itens do Ford Galaxie (Modelo de luxo lançado pela Ford em 1967) foram incorporados no Aero e Itamaraty, tais como: Sistema duplo de freios, sistema de limpadores do párabrisas, detalhes internos, etc.

Desatualizado em comparação à concorrência, principalmente em relação ao Chevrolet Opala, que era vendido na mesma faixa de preço, a Ford decretou em 1972, o fim da produção do Aero-Willys.

Ficha Técnica (modelo Aero-Willys 1960):

Origem e Fabricação: Willys - Estados Unidos / Willys Overland - Brasil
Chassi e Carroceria: monobloco; em chapa de aço
Disposição: motor dianteiro e tração traseira
Motor: 6 cilindros em linha, com bloco e cabeçote em ferro fundido, refrigerado a água. Comando e válvulas de escapamento no bloco e de admissão no cabeçote. 2.600cc³.
Diâmetro em curso mm: 79,37 x 88,90
Taxa de compressão: 7,6:1
Potência máxima: 90cv (SAE) a 4.000 rpm
Torque máximo: 18,77 kgm a 2.000 rpm

Transmissão: câmbio manual com 3 marchas a frente e uma a ré. 1ª não sincronizada.

Freios: dianteiro/traseiro a tambor

Entre eixos mm: 2.738
Comprimento total mm: 4.700
Largura máxima mm: 1.828
Altura mm: 1.593
Combustível: Gasolina
Pneus(mm): 165 x 380

Recordar é viver...

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Pra recordar...

Galera, vejam a capa do novo disco do Skank. Achei na internet. Pelo que consegui apurar, a foto, de autoria de Paulo Albuquerque, é do dia 5 de setembro de 1965, na inauguração do Mineirão. 

Identifiquem os modelos "expostos"... Tem DKW, Fusca, Dauphine, Rural, Kombi, etc… E observem as cores. Uma beleza. Bem diferente do que é hoje.
 
A foto é preciosidade. E o disco também.


Recordar é viver...

Ayrton Senna: o filme

O documentário que conta a vida do tricampeão mundial de Fórmula 1 Ayrton Senna já tem data marcada para estrear no Brasil. No dia 12 de novembro, a produção da Universal Pictures dirigida por Asif Kapadia estreia por aqui, quatro dias depois do Japão, o primeiro país que verá a película inédita. Explica-se: os japoneses idolatravam Ayrton por conta da enorme identificação do piloto com a Honda e os três títulos conquistados com os motores nipônicos que na época impulsionavam a McLaren.

O filme foi produzido com ajuda total da família da Ayrton e é uma polaroide de toda sua carreira de 10 anos incompletos na Fórmula 1, passando pela estreia na Toleman, em 1984, até o brutal acidente de 1º de maio, onde o piloto perdeu a vida.

Com certeza, “Senna” é uma homenagem muito mais digna ao piloto brasileiro do que faziam supor as pretensiosas ideias hollywoodianas que chegaram a colocar até Antonio Banderas no papel do tricampeão. Com isso, deixamos de correr o risco de ver algo inverossímil como “Driven”, talvez um dos piores filmes da história que tem o automobilismo como tema principal, para um retrato mais humano, mais corporificado, da trajetória vitoriosa de Ayrton Senna no esporte.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

De volta ao passado...

Durante quatro anos, entre 1983 e 1986 (a foto é de Mansell em 1983), a Lotus foi parceira da Renault na F-1. Eram os tempos dos motores turbo. Nesse período a equipe conquistou 19 poles, a imensa maioria na conta de Senna, e cinco vitórias. Foram os últimos anos em que o time inglês ostentou o status de “grande”. Depois ainda houve o canto do cisne com a Honda em 1987 e 1988, para então começar a fase decadente, que resultou no fechamento da equipe no final de 1994.

A Lotus voltou nesta temporada, com nacionalidade malaia e as bênçãos dos herdeiros de Chapman, que não participam de nada, mas autorizaram o uso do nome. Não é a mesma Lotus, claro, mas a McLaren também já mudou de mãos e não deixou de ser McLaren. Enfim, enrolei isso tudo para dizer que a Renault deverá voltar a ser fornecedora da Lotus no ano que vem. O contrato do time com a Cosworth será rompido no final do ano.

É um passo para que a melhor das nanicas comece a virar um competidor de verdade. Há um futuro diante da Lotus. O mesmo não se pode dizer da Hispania. Da Virgin, não dá nem para dizer.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Nostalgia urbana (VIII) Ford Mercury 1948

Pessoal, hoje o "Nostalgia Urbana", fugindo um pouco de seu propósito inicial, apresenta um veículo que foi símbolo de prestígio no mundo todo: o Ford Mercury.

O modelo aqui exibido pertence também ao amigo Eli do Nascimento (Eli da retífica). Fabricado no ano de 1948 e importando dos EUA é um típico V8 estadunidense com design do pré-guerra. Fez parte das ruas brasileiras na década de 1950.

Um pouco da história:


O primeiro Mercury foi lançado em 1939 por Edsel Ford, filho de Henry Ford, durante a grande depressão, como alternativa intermediária entre os carros da marca Ford e os luxuosos Lincoln. O nome ‘Mercury‘ foi escolhido em referência a Mercúrio, o deus romano do comércio e das viagens.

O primeiro Mercury Eight, com motor de 95 cavalos, vendeu bem até sua produção ser interrompida pelo esforço de guerra, na 2ª Guerra Mundial.

Na década de 1950 a produção do Mercury disparou. Tinha como características marcantes seus para-choques avantajados, para-brisa dividido ao meio e painel semelhante ao dos aviões.

Um toque hollywoodiano marcou o Mercury modelo 1949 que James Dean dirigiu em 1955 em no filme “Juventude Transviada”.

A partir de 1960, houve mudança de imagem: a linha Mercury adotou carros menores e mais sóbrios. No Brasil, os carros Mercury fizeram muito sucesso entre os anos 50 e 60.



Ficha Técnica (modelo Ford Mercury Eight 1948):

Origem e Fabricação: Ford - Estados Unidos
Chassi e Carroceria: tipo plataforma - separados
Disposição: motor dianteiro e tração traseira
Motor: 8 cilindros em V (239,4"), 100hp (SAE) a 3.800 rpm
Diâmetro x curso: 3,19" x 3,75"
Taxa de compressão: 6.8 x 1
Carburador: Holley two-barrel modelo 94 ou Mercury two-barrel
Combustível: Gasolina
Câmbio:    Manual, 3 velocidades + ré
Pneus:     6.50 x 15

Recordar é viver...

sábado, 11 de setembro de 2010

Nostalgia urbana (VII) VW 1600 1968

Finalmente encontrei o "Zé do Caixão"... e claro, fotografei para minha coleção particular de antigos. Já vinha tentando registrá-lo a algum tempo mas inúmeros foram os desencontros. 

O "Zé" pertence ao amigo Eli do Nascimento (Eli da retífica como é conhecido). E aqui em Congonhas e região é difícil ver um exemplar em bom estado como esse. Ainda mais o modelo do primeiro ano de fabricação. 

Agradeço aqui a atenção dada pelo sempre gentil Eli... Valeu!


Um pouco da história:

Em 1968, a Volkswagen chegava ao impressionante número de 600 mil veículos fabricados no Brasil e em função do grande aumento de produção em suas linhas, teve de abrir mais 2000 vagas para novos funcionários.

A Volks continuava vendendo como nunca, tendo o Fusca como carro chefe e oferecendo também o utilitário Kombi, juntamente com o esportivo Karmann-Ghia.

Seus carros tinham mecânica robusta, de fácil manutenção, grande economia de combustível e preços extremamente competitivos, atrativos irresistíveis ao consumidor. Foi aí que o então presidente da Willys Overland do Brasil, Willian Max Pearce, começou a idealizar uma “fórmula” para deter o avanço da Volks, notadamente do Fusca, no setor de carros econômicos. Surge então o nascimento do projeto "E" (de econômico), que consistia na idéia de se lançar um veículo econômico e de baixo custo de fabricação, resultando num concorrente à altura do até então imbatível Fusca.

Infelizmente, estudos realizados na época tiveram resultados nada otimistas: Dificilmente o Willys “E” conseguiria ser fabricado por um custo menor ou pelos menos similar ao do Fusca. Deste modo, a Willys mudou de estratégia, rebatizando o projeto “E” para projeto “M” (de médio), associando-se à Renault para o desenvolvimento do modelo. No mesmo ano, no entanto, a Willys foi comprada pela Ford, mas esta não abandonou o projeto “M”, continuando a investir na idéia, que posteriormente daria origem ao Corcel!

Surge o VW 1600 4 portas


O VW 1600 quatro portas era exatamente uma resposta ao Projeto “M” da Willys (posteriormente Ford-Willys) que curiosamente chegou a ser chamado de “Brasília”, nada tendo a ver com a "verdadeira" Brasília, lançada pela Volks somente em 1973.

A Volks, ainda em 1968, preparava o lançamento da Variant, que inicialmente chegou a ter a sua frente copiada do VW 1600, e lançou a versão conversível do Karmann-Ghia. Sendo assim, estreou em dezembro de 1968, no “VI Salão do Automóvel” em São Paulo, o VW 1600 Sedan 4 Portas, que foi lançado juntamente com seu grande rival: o Corcel, da Ford-Willys (depois, apenas Ford).

Os motivos que levaram a Volkswagen a interromper definitivamente a fabricação do VW 1600 4 portas são até hoje bastante controversos. Nos dois anos em que ficou no mercado (1969 e 1970, tendo sido lançado em dezembro de 1968), chegaram a ser produzidas 24.475 unidades do modelo, que manteve um bom número de vendas até o término definitivo de sua fabricação, ainda em 1970. Costuma-se considerar, que um dos fatores determinantes da retirada de linha do VW 1600, teria sido a grande aceitação deste modelo entre os taxistas, o que teria feito com que o seu "status" junto ao consumidor em geral, diminuísse, e em consequência disso, as suas vendas, apesar de boas, não estariam satisfazendo plenamente às espectativas da Volkswagen. O fato é que a preferência do consumidor na época era bem diferente da de hoje em dia, sendo que os automóveis de duas portas eram os de maior aceitação, e não os de quatro portas. É daí que se explica a predominância do modelo junto aos taxistas.

Talvez o VW 1600 4 portas fosse “o carro certo no momento errado”...A Volks, ainda com esperanças de melhorar a vendagem do VW 1600 4 portas, chegou a produzir uma versão de luxo, com diversos melhoramentos em relação à versão inicial, mas que não serviu para melhorar substancialmente as vendas do modelo.

O apelido "Zé do Caixão"


Outro aspecto interessante na curta carreira do “4 portas”, foi o apelido que ele ganhou, em função do formato quadrado e possuir maçanetas distribuídas de forma uniforme pela lateral da carroceria, o carro foi logo associado a um caixão. Na época, o ator e cineasta brasileiro de terror, José Mojica Marins fazia sucesso entre os apaixonados por filmes de terror com o seu famoso personagem "Zé do Caixão", e alguns meses antes do lançamento do VW 1600, tinha lançado o filme "O estranho mundo de Zé do Caixão", em 1968. Coincidência ou não, o apelido pegou.
Pegou de tal maneira que o carro passou a ser mais conhecido por seu apelido do que por seu verdadeiro nome: VW 1600, que talvez soasse para muitos com pouca personalidade. Tal denominação, “Zé do Caixão”, ainda que dada com simpatia por muitos, acabou tendo um sentido predominantemente pejorativo, e contribuiu para abalar ainda mais o prestígio do modelo junto ao mercado consumidor.

Muitos também chamavam o VW 1600 4 portas de "Fusca 4 portas".

Fim da produção

Mas, sem dúvida, o fato mais crítico ocorrido na meteórica passagem do VW 1600 pelo mercado automobilístico brasileiro, se deu no dia 19 de Dezembro de 1970. Um incêndio de grandes proporções atingiu a fábrica da Volks, destruindo cerca de 30% de seu maquinário, e este só foi completamente debelado aproximadamente 12 horas após seu início.

Lamentavelmente, logo após este incidente, a Volkswagen do Brasil interrompeu definitivamente a produção do VW 1600 Sedan 4 portas, mas continuou a produzir normalmente os demais modelos oferecidos na época, tais como o Fusca e Kombi. A Vokswagen até que se recuperou bem do incêndio, conseguindo em Agosto de 1971, o reestabelecimento total da marca de aproximadamente 1200 automóveis fabricados ao dia. Uma recuperação considerada em tempo recorde.

Infelizmente porém, para o VW 1600 4 portas, já era tarde demais..., o fim definitivo havia chegado.


No final de dezembro de 1970 foi decretado o fim de sua produção para dar lugar ao TL.

Hoje, o modelo é considerado uma raridade pelos colecionadores e é muito valioso, desde que esteja bem conservado.

 
Ficha Técnica (modelo VW1600 1968):

Origem e Fabricação: Volkswagem - Alemanha, Volkswagem - Brasil
Chassi e Carroceria: tipo plataforma - separados
Disposição: motor e tração traseiros
Peso: 862kg
Entre eixos: 2.400mm
Motor: 4 cilindros boxer OHV, 1.584cm3 arrefecido a ar e 60hp (SAE) a 4.600 rpm ou 50cv (DIN) a 4.200 rpm
Diâmetro x curso: 85,5 x 69mm
Combustível: Gasolina
Torque máximo líquida: 11,5 kgfm a 2000 rpm
Câmbio: manual de 4 marchas
Suspensão dianteira e traseira: barras de torção
Velocidade máxima: 130 km/h reais

Recordar é viver...

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Túnel do Tempo...

Pessoal, hoje eu relembro um grande momento do campeão Emerson Fittipaldi conduzindo com maestria o Fittipaldi F8 em 1980, no GP da Inglaterra, em Brands Hatch.

Foi o último ano de Emerson na F1. O grande campeão só retornaria às pistas em 1984 na F-Indy.

O carro da foto é o Skol Fittipaldi Team, Fittipaldi F8, Ford Cosworth DFV 3.0 V8, e pneus Goodyear.



Neste GP, Emerson terminou em 12º com problemas mecânicos. Alan Jones da Williams venceu e rumava firma para consquistar o campeonato, Nelson Piquet da Brabham foi o 2º colocado e  o argentino Carlos Reutmann fechou o pódio em 3º.

Recordar é viver...

GP do Japão 1977 - Gilles x Peterson...

XII Japanese Grand Prix, Fuji Speedway, Oyama - Japão - 1977
Gilles Villeneuve, Scuderia Ferrari SpA SEFAC
Ferrari 312T2, Ferrari 3.0 F12, Goodyear

Observem a seqüência das fotos abaixo: o canadense Gilles Velleneuve se aproxima da Tyrrel P34 (6 rodas) do sueco Ronnie Peterson para ultrapassá-lo mas acaba tocando na roda traseira direita e decola...




















O acidente causou duas mortes. Um fotógrafo e um comissário de pista foram atingidos pelo carro de Gilles. Ambos estavam em locais proibidos.

5 voltas, foi o que durou a primeira (segunda!) das muitas corridas que Gilles faria pela equipe de Enzo Ferrari.


O canadense acabou falecendo no ano de 1982 vítima de um acidente nos treinos para o GP da Bélgica em Zolder.

Jochen Rint: o único campeao "post-mortem"

No dia 5 de setembro completou 40 anos que Jochen Rindt morreu. E não há como deixar de pagar tributo àquele que é até hoje o único campeão “post-mortem” da história da Fórmula 1 e um dos raros em qualquer competição automobilística. Que eu saiba, outro que também foi campeão após falecer num acidente foi Paul Warwick, na Fórmula 3000 inglesa.
 
A trajetória de Rindt no automobilismo é digna de registro. A começar que, embora defendesse a Áustria, Rindt era alemão. Nasceu em Mainz, no dia 18 de setembro de 1942, quando a II Guerra Mundial já estava no auge. A primeira grande perda de Jochen foi ainda menino: seus pais morreram num bombardeio em Hamburgo e ele foi criado pelos avós em Graz, em território austríaco, livre da tirania nazista.

Em 1964, com apenas 22 anos de idade, estreou na Fórmula 1 ao mesmo tempo que despontava como um corredor de ponta na Fórmula 2. Andou em sua primeira corrida com um Brabham BT11 de motor BRM V8, alinhado por Rob Walker, no antigo circuito de Zeltweg, abandonando em razão de problemas na direção.

No ano seguinte, assinou um contrato com a Cooper para disputar provas da categoria máxima com esta marca, enquanto na F-2 ainda mantinha a parceria com Jack Brabham a bordo dos notáveis Brabham-Honda da categoria de acesso. Com a Cooper, Rindt permaneceu por três temporadas. Na primeira, fez seus primeiros pontos na Fórmula 1 com um 4º lugar na Alemanha (Nürburgring) e um sexto na Cidade do México. Naquele mesmo ano de 1965, Rindt venceu em dupla com Masten Gregory a bordo de uma Ferrari 250 LM as tradicionalíssimas 24 horas de Le Mans.

O segundo ano de contrato entre Rindt e a Cooper foi muito positivo, apesar do conjunto meio pesadão formado pelo chassis T81 do construtor britânico no qual foi acoplado o velho motor Maserati V12 dos anos 50, potente e beberrão. Apesar das dificuldades, o austríaco brilhou: fez 24 pontos (22 válidos) e três pódios, com dois segundos lugares na Bélgica e nos Estados Unidos, além de um 3º posto na Alemanha.

Em 67,  já com Bernie Ecclestone como empresário, Jochen não foi além de seis pontos e um 13º lugar no campeonato de Fórmula 1, numa temporada muito irregular. O relacionamento com a equipe já dava evidentes sinais de desgaste e Rindt, motivado pela parceria com Jack Brabham na Fórmula 2, assinou para a temporada seguinte também na F-1.

A decisão parecia perfeita porque, afinal de contas, a Brabham foi a equipe mais bem-sucedida no início da era dos motores de 3 litros de capacidade cúbica, com títulos do próprio Jack em 1966 e do neozelandês Denny Hulme, em 1967, que saíra para se juntar a Bruce McLaren em sua recém-criada escuderia. Mas os motores Repco V8 na nova versão revelaram-se um malogro, com constantes falhas mecânicas. Rindt fez apenas dois pódios, com dois terceiros lugares na África do Sul e na Alemanha e fechou o campeonato num distante 12º lugar.

O austríaco gostava de desafios e para 1969 ele aceitou um daqueles bem encarniçados: suceder Jim Clark como piloto da Lotus 49, o revolucionário projeto de Colin Chapman que integrava o chassi de sua criação ao motor Ford Cosworth V8 desenvolvido por Kevin Duckworth e Mike Costin. A temporada não começou bem: Jochen (foto ao lado) demoliu seu carro contra uma barreira de proteção quando o aerofólio traseiro de seu carro quebrou a mais de 220 km/h, provocando fratura de crânio no piloto, que não correu em Mônaco e voltou na prova seguinte em Zandvoort, na Holanda.
 
Na segunda metade do campeonato, Rindt e a Lotus melhoraram positivamente seu desempenho. Após um injusto 4º lugar na Inglaterra, quando brigou de igual pra igual com Jackie Stewart, foi segundo em Monza, a centésimos do escocês voador. Chegou ainda em 3º no Canadá e no GP dos Estados Unidos, em Watkins Glen, veio a consagração. Depois de uma corrida impecável, o piloto austríaco, então com 27 anos, venceu pela primeira vez na Fórmula 1.

Em 1970, a Lotus estava pronta para retomar a hegemonia perdida com a morte de Clark e com o acidente de Graham Hill, sofrido um ano antes, onde o veterano bicampeão mundial quebrou as pernas numa batida. E Rindt, como piloto número 1 da equipe na Fórmula 1 e também na Fórmula 2, era a esperança de Colin Chapman para recolocar o Gold Leaf Team Lotus no caminho natural das vitórias.
 
A primeira do ano veio ainda com o velho modelo 49C, graças à falta de combustível no carro de Jack Brabham na última volta do GP de Mônaco. E quando o modelo 72C finalmente ficou pronto, a sinergia entre ele e Rindt foi perfeita: quatro vitórias de forma consecutiva (Holanda, França, Inglaterra e Alemanha), somadas com o triunfo de Mônaco, o deixaram com 45 pontos e líder isolado do campeonato. Nem a quebra acontecida no GP da Áustria, logo na 22ª volta, abalou a moral de Rindt diante dos seus compatriotas.

O GP da Itália, décimo do campeonato, seria decisivo para as pretensões de Rindt e ele estava preparado para uma dura batalha contra Jacky Ickx, Clay Regazzoni e Ignazio Giunti, a trinca da Ferrari que tanto lhe dera trabalho em Österreichring na corrida anterior. Mas o fim de semana não começou bem para a Lotus: seu novo companheiro de equipe naquela época, o brasileiro Emerson Fittpaldi, tentava participar de sua 4ª corrida na Fórmula 1 e na ânsia de mostrar serviço, distraiu-se numa freada, bateu na traseira da Ferrari de Giunti e decolou com seu carro em direção às árvores da curva Parabólica. Detalhe: com o carro que seria de Rindt naquele fim de semana.

Colin Chapman determinou a troca de carro e Emerson assim cedeu seu chassi ao companheiro de equipe, que estava inscrito para aquela prova com o número #22. O brasileiro tinha o número #26 e foi para a pista com o chassi que seria do austríaco para a prova de classificação, no dia 5 de setembro.

Mas a tragédia, presente na vida de Rindt desde a infância, se fez presente naquela tarde. O piloto freou forte para tomar a Parabólica saindo da reta oposta em direção à reta dos boxes e tribunas, quando alguma coisa quebrou na Lotus e o líder do campeonato bateu violentamente na barreira de proteção. Seu carro saiu rodando pela areia, com o piloto inerte, a suspensão dianteira demolida e as pernas de Rindt para fora do cockpit.

Ele foi levado às pressas para um hospital, mas os ferimentos extensos tornaram impossível qualquer tentativa de recuperação. Aos 28 anos, Jochen Rindt, líder absoluto do Mundial de Fórmula 1 de 1970, estava morto. A Lotus não disputou a corrida, vencida por Clay Regazzoni com a Ferrari e também não foi ao Canadá, onde a vitória foi de Jacky Ickx.

Subitamente sem seu principal piloto, Colin Chapman tomou uma arriscada decisão. Levou para o GP dos EUA em Watkins Glen o brasileiro Emerson Fittipaldi, guindado à condição de piloto número um e o sueco Reine Wisell, sem nenhuma experiência prévia na categoria, que brilhara na Fórmula 3 europeia, para assumir o volante do segundo carro. E para surpresa geral, Emerson não só venceu a corrida, como ofertou a Rindt o inédito título “post-mortem”, até hoje um feito jamais alcançado na história da Fórmula 1.

Rindt morreu sem conhecer a maior glória de sua carreira. Mas os fãs austríacos e o mundo do automobilismo não esquecem de sua passagem pelo esporte, com demonstrações de garra, muita velocidade e um controle fantástico dos carros que guiava. Por isso, deixou muita saudade.