quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Precisa-se de U$ 3 milhões...

O único piloto brasileiro com título na era da IRL corre sério risco de deixar a categoria em 2011. Abandonado pela 7-Eleven e pela Andretti depois de oito temporadas de serviços bem prestados, Tony Kanaan tem corrido bastante desde o fim da temporada atrás de um patrocinador que banque sua permanência na Indy. Mas o brasileiro tem admitido que sua situação é “muito difícil”.

A De Ferran Dragon é onde Kanaan tem as maiores chances. Tony realizou um teste pela equipe nesta terça (16) em Sebring a pedido do amigo Gil de Ferran. “Eu aceitei de cara porque eu vou fazer um grande favor para um amigo”, falou. Mas os negócios são à parte, como bem se sabe. Para garantir a vaga lá, vai precisar levar US$ 3 milhões. É o lugar mais barato, por assim dizer.

Kanaan não descartou um retorno à Andretti, mas os dois lados já não falam a mesma língua. A Newman Haas também é uma possibilidade. O baiano já conversou também com a KV — que neste ano deixou a condição de equipe quase de ponta para ocupar o pelotão meramente intermediário — e a forte Ganassi, campeã com Dario Franchitti e aberta à possibilidade de ter um terceiro carro. Mas se está difícil arrumar uma mala com um milhão de doletas, que dirá para correr na Ganassi, onde as cifras são mais do que o dobro pedido pela De Ferran Dragon.

Tony rivaliza com Helio Castroneves, como sempre, pela primazia do melhor currículo de um brasileiro desde que Tony George resolveu formar a IRL em 1995. Castroneves tem três vitórias nas 500 Milhas de Indianápolis, mas ainda busca um título. Kanaan persegue o triunfo na Indy 500 estoicamente, mas foi campeão em 2004 quando a Andretti tinha a sociedade com Kim Green. Os números de Kanaan demonstram seu peso: nas 132 corridas que disputou, marcou 3.930 pontos, terceiro no ranking da história — atrás de Helio e Scott Dixon. Por 15 vezes marcou a melhor volta — segundo nas estatísticas, atrás de Dixon —, venceu 14 vezes e saiu na pole dez vezes. Mas por realizar um papel extra na Andretti, acabou meio que se anulando.

A sede de Andretti em encher sua equipe de carros não fez de Kanaan apenas um líder natural. Com companheiros inexperientes, por não dizer fracos, Kanaan vem se desdobrando há três temporadas para ser um professor. Na Indy 500, então, deveria ganhar por hora extra: é o acertador inicial dos cinco veículos que seu time alinha. E às vezes Tony paga o preço. Neste ano, por exemplo, entrou na prova na bacia das almas, no momento da ‘bolha’ do domingo da classificação, enquanto todos os seus parceiros estavam belos e pimpões garantidos na principal prova do campeonato. Ter a maior esquadra da Indy não significa ter potencial, e a Andretti não mais acompanha o ritmo de Ganassi e Penske. TK só ganhou uma prova neste ano, em Iowa. E ainda antes do fim dos trabalhos em Homestead, recebeu a confirmação de que a 7-Eleven resolveu “mudar seus planos de marketing”.

A preocupação é grande, e por isso Kanaan terminou os testes na Flórida, arrumou as malas e partiu para o aeroporto com destino ao Brasil. Serão apenas dois dias de conversas com empresas para alcançar o montante. Volta na sexta para Miami e, além de participar de um evento da Apex Brasil, vai acompanhar ‘in loco’ o último fim de semana da longa temporada de 36 corridas da Nascar. Tony já despertou interesse de equipes daquele campeonato de turismo. Se não conseguir ficar na Indy, é bem provável que no ano que vem apareça como piloto da Truck Series — Kyle Busch já revelou que conversas já acontecem —, as caminhonetes que serviram de refúgio para Nelsinho Piquet depois de deixar a F1.

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