sábado, 13 de novembro de 2010

Abu Dhabi (2): Hora de decisão na F1

Utilizando a pontuação adotada até o ano passado ou com esta, onde a vantagem do primeiro para o 2º colocado é de sete pontos e não de dois, a Fórmula 1 chegaria ao fim deste campeonato de 2010 com os mesmos quatro pilotos que estão na disputa pelo título mundial na última etapa, neste domingo, no circuito Yas Marina em Abu Dhabi. Os quatro ases todo mundo já conhece: Fernando Alonso, Mark Webber, Sebastian Vettel e Lewis Hamilton, pela ordem na classificação do campeonato.

São 24 pontos separando os quatro primeiros, o que confere a Hamilton as menores chances do lote. Claro, o britânico da McLaren precisa da vitória, de um improvável abandono de Alonso e que a dupla da Red Bull marque o menor número de pontos possível. Então façamos uma conta: supondo que Hamilton vença, ele vai para 247. Webber teria que marcar menos que oito pontos para o título ficar com Lewis pela segunda vez na carreira. E um terceiro lugar de Vettel seria suficiente nesta equação matemática.

Alonso, logicamente, tem a faca e o queijo na mão para chegar ao título, mesmo que Webber ganhe. Um 2º lugar do asturiano é mais do que suficiente. Mas a vaca pode ir pro brejo com uma dobradinha dos carros azuis do touro vermelho, desde que aconteça a única combinação possível: Webber em primeiro e Vettel em segundo. E os resultados das 18 corridas não mentem. Isto só aconteceu em Mônaco. Já o contrário… ou seja, Vettel vencendo com Webber logo atrás, aconteceu três vezes no ano.

É aí que está o grande dilema da última etapa. O dirigente Christian Horner garante que “não existe jogo de equipe” e que seus dois pilotos estão “liberados” para brigar pelo título. Mas se a Red Bull é a única escuderia com seus dois representantes na disputa, a turma de Dietrich Mateschitz vai deixar desperdiçar a chance de fazer o mesmo que a Brawn GP ano passado? Já campeã de construtores, vão ficar chupando dedo na hora de ver um de seus dois pilotos campeão do mundo?

A dúvida que persiste é se Vettel seria capaz de aceitar chegar em segundo para permitir que, em caso de liderança de Webber, seu companheiro de equipe seja enfim campeão mundial aos 34 anos de idade, recolocando a Austrália no mapa mundi da Fórmula 1 após três décadas. O espírito “competitivo” que Horner e Mateschitz tanto apregoam já causou problemas de relacionamento entre os dois pilotos fora e dentro da pista, vide o incidente do GP da Turquia, que foi péssimo para as pretensões dos dois. E todo mundo sabe nos paddocks da categoria que a empresa que dá nome à escuderia não morre de amores por Webber.

Na verdade, poucos imaginavam que o australiano tivesse chances de brigar pelo título, já passado dos 30 anos. Mas Webber mostrou constância, competência e regularidade. Os números dizem muita coisa. Em 18 corridas, ele só abandonou duas e seu pior resultado, numa corrida onde ele exagerou no direito de errar, foi na Austrália, onde foi 9º colocado – e num momento do campeonato que permitia erros.

O grande problema dele e de Vettel, além de uma falta de direcionamento e de clareza da equipe, que nunca definiu um “primeiro piloto” como a Ferrari fez com Fernando Alonso na reta final deste campeonato, foram os pontos perdidos na Coreia do Sul. A batida de Webber e a quebra do motor de Vettel também farão muita falta, mas não justificam de todo uma possível perda do título para Alonso, que seria o terceiro dele na Fórmula 1.

Nota-se também que a torcida é para que o asturiano fracasse – efeitos, indubitavelmente, do ocorrido no GP da Alemanha. Mas a recuperação de Alonso foi notável depois da nona etapa: ele marcou 148 pontos, muito mais do que os seus rivais. E isto também contribuiu para que ele estivesse no topo da classificação antes que as luzes se apaguem para a última etapa do campeonato.

Será divertido ver se a Red Bull vai lançar mão do mesmo processo que a Ferrari em Hockenheim. Até porque críticas não faltaram aos italianos. As mesmas vozes que desceram a lenha em Domenicali e seus asseclas, vão se levantar contra Christian Horner e a turma de Milton Keynes?

Só a corrida deste domingo dirá.

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