sexta-feira, 5 de novembro de 2010

GP Brasil (3): Senna em documentário

Em 1987, Ron Dennis, ao ver a primeira vitória de Ayrton Senna, então na Lotus, na Fórmula 1, pensou: “Esse rapaz tem o que é necessário”. Encantado, levou o jovem brasileiro para ser o escudeiro do intocável Alain Prost, francês já bicampeão do mundo, na McLaren. O paulista, no entanto, queria mais. Passou a incomodar o astro desde a primeira corrida. Assim, nascia uma das maiores rivalidades da história da categoria. Agora, em novembro, essa disputa serve de fio condutor para o documentário “Senna”, que estreia no país no próximo dia 12.

O filme abre com imagens de Ayrton ainda adolescente, disputando sua primeira corrida de kart fora do Brasil. A partir daí, o documentário trilha, de forma bela e acentuada pela música de Antonio Pinto, a trajetória do brasileiro nas pistas da Fórmula 1. Dirigido pelo inglês Asif Kapadia, “Senna” se inspira no padrão hollywoodiano e transforma o duelo entre herói e vilão, papel dado a Prost, como a grande questão do filme.

"Senna", no entanto, não atira somente contra Prost. Presente em imagens inéditas, gravadas durante as orientações que dava aos pilotos antes da prova, Jean Marie Balestre, presidente da FIA na época, é tão vilão quanto o seu compatriota na obra de Kapadia. E o filme não faz questão de negar isso.

Ainda que a rivalidade histórica entre Ayrton e Prost seja o assunto principal, o roteiro mostra a sequência, às vezes de forma detalhada e outras, apressada, dos passos do brasileiro na categoria. As angústias, as vitórias, os amores e as polêmicas em torno do tricampeão mundial estão todas lá, com mais ou menos intensidade.
 
Contando com depoimentos de jornalistas, pilotos, dirigentes e familiares, o filme mostra os principais fatos da carreira de Ayrton. Como a vitória no Japão que lhe deu o título em 1988, depois de ter problemas na largada e precisar ultrapassar 13 carros para ser campeão. Ou os polêmicos acidentes com Prost em 1989, quando perdeu a taça ao ser tocado pelo francês, e em 1990, quando deu o troco e foi bi. Ou ainda a dramática vitória no GP do Brasil de 1992. E, claro, a morte do piloto no GP de San Marino, em 1994.

“Senna”, apesar das imagens cedidas pela família e de citar os casos amorosos de Ayrton, foca na paixão do brasileiro pelas pistas, desde a sua juventude no kart até a tensão de seus últimos dias, quando não conseguia encontrar-se na Williams, então sua nova equipe. Por volta da metade do filme, um depoimento do piloto deixa o tom de tristeza que guia a obra de desfecho conhecido.

- - Hoje (perto dos 31 anos), estou na metade da minha vida, talvez. Mais do que ninguém, sei que tenho limites dentro da pista – diz Senna, que morreria poucos anos depois no acidente em ímola.

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