sexta-feira, 5 de novembro de 2010

GP Brasil (2): Bruno Senna e a Lotus...

Pessoal, acho que o calvário de Bruno Senna na Hispania termina no próximo dia 14, com o encerramento da temporada 2010 da F1. E a partir dai poderemos confirmar se o brasileiro já acertou com a Lotus e, claro, deve reeditar a partir do ano que vem uma parceria que nos anos 80 foi muito bem-sucedida com seu tio, a equipe do mesmo nome e a Renault como fornecedora de motores. 

Os tempos são outros. A Lotus de um quarto de século atrás era ainda um time grande, fazia poles, vencia corridas e disputava títulos. E o piloto, Ayrton, acabaria se tornando tricampeão mundial pela McLaren. Quando saiu da Lotus, foi substituído por Nelson Piquet.


Bruno está longe de ser um Ayrton, mas uma certa nostalgia virá à tona quando ele se sentar pela primeira vez no carro da nova Lotus, agora sob gestão de um empresário malaio, Tony Fernandes, dono de companhia aérea. A equipe 'reestreou' na categoria neste ano, 16 temporadas depois de sua última participação no Mundial. No final de 1994, depois de uma vertiginosa decadência técnica e financeira, a Lotus fundada por Colin Chapman fechou suas portas na F1 e foi reaparecer no fim de 2009, quando a FIA elegeu as equipes que seriam admitidas a partir da temporada seguinte para engordar o grid. Entre elas estava o grupo de Fernandes, que adquiriu os direitos de uso da marca Lotus para disputar o campeonato.

O time não é lá grande coisa, mas firmou-se como o melhor entre as nanicas de 2010. Tem pretensões e alguma estrutura, tanto que fechou um acordo técnico com a Red Bull e terá em 2011 os mesmos motores franceses que empurram os carros de Webber e Vettel. Já rescindiu o contrato que tinha com a Cosworth e é candidata a um lugarzinho no terceiro pelotão da categoria, ao lado de Toro Rosso, Sauber, Williams e Force India.

Bruno conseguiu seu lugar na F1 ainda em 2009 ao assinar com Adrián Campos, ex-piloto espanhol que conseguiu da FIA o direito de ocupar uma das vagas de estreantes ao lado da Lotus e da Virgin. O projeto, no entanto, empacou na falta de dinheiro. Campos teve de vender a equipe a um de seus investidores, José Carabante, que às pressas tentou reorganizar a bagunça para poder colocar dois carros na prova de abertura, no Bahrein. Sem um teste sequer.

A temporada de Senna tem sido um desastre, mas ele é o menor dos culpados, assim como os outros pilotos que guiaram para a Hispania neste ano — Karun Chandhok, Sakon Yamamoto e Christian Klien. O carro é horrível, a equipe não tem um centavo para gastar em desenvolvimento e há quem duvide de sua sobrevivência para o ano que vem. Ficar no mesmo endereço estava fora de questão para o primeiro-sobrinho, que começou a carreira tarde e, aos 27 anos, não tem muito tempo a perder se quiser chegar a algum lugar de destaque na categoria.


Sem nenhuma chance nas equipes grandes e médias, quase todas com suas duplas já confirmadas para 2011, Bruno declarou nesta semana que estava conversando com quatro times, a saber: Renault, Virgin, Williams e Lotus. A primeira, no entanto, era sonho de uma noite de verão. Kubica fica e a segunda vaga deverá permanecer com Petrov, que ajuda bastante a pagar as contas no fim do mês com a grana de patrocinadores russos que estampam seus nomes nos carros amarelos. A Virgin seria como trocar seis por meia-dúzia. A Williams terá Pastor Maldonado, com dinheiro venezuelano, e deve renovar com Barrichello em breve. Sobrou a Lotus, que tem um piloto plenamente dispensável, o desmotivado e veterano Jarno Trulli.

O lastro financeiro de Senna-sobrinho é a Embratel, ex-estatal privatizada no governo FHC e comprada em 2006 pela mexicana Telmex, do bilionário Carlos Slim. Naquele ano a empresa passou a patrocinar Bruno, que ainda corria na F3 Inglesa. A marca Embratel permanece até hoje no boné, no macacão e no carro do brasileiro. Slim é também o responsável pela entrada do mexicano Sergio Pérez na F1, com patrocínio da Telmex. O piloto vai defender a Sauber no ano que vem. O empresário esteve entre os cotados para comprar a Honda no fim de 2008, quando os japoneses decidiram deixar a categoria. Coincidência ou não, Bruno chegou a fazer um teste na equipe, na época. A Honda pretendia substituir Barrichello e ele era o nome mais forte para ocupar a vaga.

Os detalhes do contrato entre Senna e a Lotus foram definidos há menos de um mês e o anúncio oficial da mudança de equipe deve ser feito assim que terminar o Mundial.

Vamos torcer para que tudo dê certo...

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