segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Abu Dhabi (4): 10x Vettel

Dezenove corridas, dez pole positions. Este é o currículo de Sebastian Vettel em provas de classificação durante a temporada de 2010, que se encerra amanhã com o GP de Abu Dhabi. Mais uma vez o alemão da Red Bull mostrou uma velocidade insuspeita e às 11h da manhã (de Brasília), ele parte na liderança do pelotão de pilotos na última corrida do campeonato.

A pole de Vettel é um dos últimos cartuchos que o piloto de Heppenheim ainda tem para queimar na briga pelo título. Mas a bala na agulha do alemão é a vitória. Ele precisa muito dos 25 pontos se quiser chegar ao campeonato e, claro, de uma combinação de resultados que lhe permita fazer 15 pontos a mais que Alonso.

Ou seja, com um 5º lugar do asturiano e Vettel vencendo, o alemão é campeão mesmo que os dois empatem na classificação com 256 pontos. O piloto da Red Bull seria campeão no desempate das colocações ao longo do ano. E, acreditem, eles ficariam iguais nas vitórias (cinco), nos segundos lugares (dois) e nos terceiros (três). O número de quartos lugares é que definiria o campeão e este, nesta combinação possível, seria Vettel, que chegou três vezes nesta posição contra duas do piloto da Ferrari.

É claro que o resultado do treino vai influenciar em grande parte do destino dessa corrida, tanto quanto a primeira volta, aliás. E os fiéis da balança podem ser os dois pilotos da McLaren.

Lewis Hamilton andou bem em Abu Dhabi durante todo o fim de semana e a mostra de que ele tem um carro competitivo é o segundo lugar que o campeão de 2008 conquistou no grid, enquanto Jenson Button, optando por um acerto com menos asa, privilegiando a velocidade de ponta em detrimento do equilíbrio em curva, sacrificando seu desempenho nos trechos mistos, foi o quarto colocado. Entre eles, Alonso, que certamente fará uma match race neste domingo, marcando Vettel e Webber, pensando no tricampeonato.

Aliás, notaram que é só neste parágrafo que cito o australiano? Pois é: quando ele disse que dormiu “tranquilamente”, me veio à mente a história que Emerson Fittipaldi contou sobre a decisão de 1974. O piloto brasileiro, então decidindo o campeonato contra Clay Regazzoni, dormiu apenas três horas na madrugada que antecedeu a corrida. Rega, por sua vez, dormiu “profundamente” e ainda disse que o caráter dele “não lhe permitia pensar 100% na corrida”. Ou seja: psicologicamente, o suíço não estava focado para ser campeão. Ao contrário de Emerson, que como todos sabemos, levou o título daquele ano.

A 5ª posição no grid pode ser a definitiva pá de cal para Webber, que poderia se tornar o primeiro australiano campeão mundial em 30 anos, desde o título de Alan Jones. Para piorar, seu companheiro de fila será Felipe Massa, que sem dúvida será instado pela cúpula da Ferrari para largar bem e chegar na primeira curva imediatamente à frente do piloto da Red Bull.

Excetuando-se a turma das três grandes, o best of the rest da vez foi Rubens Barrichello. O piloto brasileiro realizou um trabalho extraordinário, coroando um ano onde a Williams mostrou constante evolução ao longo das 19 etapas. Basta lembrar o seguinte: segundo uma informação do confrade Anderson Marsilli, nas últimas onze corridas do ano, Barrichello só falhou a Q3 em uma delas – o GP da Hungria. Se isto não mostra que o carro evoluiu e que Rubens é o grande responsável por isso, então não entendo mais nada.

Restou à Mercedes, sem dúvida a grande decepção do ano, a 8ª posição com Michael Schumacher e a nona com Nico Rosberg. Vitaly Petrov, que bateu Robert Kubica pela segunda vez no ano, fechou os dez primeiros.

O polonês liderou o grupo dos eliminados da Q2, que tem ainda Kamui Kobayashi, Adrian Sutil, Nick Heidfeld, Nico Hülkenberg, Vitantonio Liuzzi e Jaime Alguersuari. Na Q1, ficaram de fora os suspeitos de sempre, aos quais se juntou o suíço Sébastien Buemi, da Toro Rosso. Lucas di Grassi larga em 22º e Bruno Senna teve, como consolo, a satisfação de se classificar à frente de Christian Klien. Mas larga, como sempre, na última fila do grid.

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