quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Com cinco pilotos na disputa, F-1 tem maior equilíbrio dos últimos 29 anos

Equilíbrio. Esta é a palavra que melhor define a disputa pelo título do Mundial de Pilotos da Fórmula 1 em 2010. Oito pilotos têm possibilidades matemáticas, cinco deles com chances reais: Mark Webber, Lewis Hamilton, Fernando Alonso, Jenson Button e Sebastian Vettel, a apenas cinco corridas do fim da temporada. Felipe Massa, Robert Kubica e Nico Rosberg ainda podem alcançar a pontuação do australiano da RBR, mas estão muito distantes do G5. A categoria não vê uma disputa tão grande desde a temporada 1981, quando Nelson Piquet ganhou seu primeiro campeonato ao superar Carlos Reutemann, Alan Jones, Jacques Laffite e Alain Prost.
 
Em 1981, os cinco pilotos chegaram à penúltima corrida com chances de título, separados por apenas 15 pontos com 18 em disputa. Após 29 anos, a temporada 2010 tem potencial para repetir este feito. A cinco corridas do fim, os cinco primeiros estão na pontuação de uma vitória: a vantagem do líder para o quinto colocado é de apenas 24 pontos. Ou seja, o GP de Cingapura, no dia 26 de setembro, será decisivo. Um abandono de Webber, Hamilton, Alonso, Button ou Vettel pode impactar nas aspirações deles neste ano. E neste cenário, Felipe Massa, que se tornou coadjuvante na briga, é peça-chave na reta final.

RBR e McLaren têm seus dois pilotos na disputa com chances reais. O brasileiro da Ferrari já foi relegado à função de escudeiro, apesar de a equipe italiana não admitir isto publicamente. Ele teve de ceder a vitória para Fernando Alonso no GP da Alemanha, em Hockenheim, por uma ordem do time, e já tem trabalhado em prol do espanhol, que cresceu nesta fase do campeonato e está na terceira posição na tabela. De quebra, a distância entre Massa e Alonso também é enorme.

Mundial de Pilotos já teve cinco líderes em 2010

Neste ano, a presença de três forças deixou o campeonato embolado desde o início. Ferrari, McLaren e RBR se alternaram nas vitórias, mas também tiveram de lidar com a irregularidade de seus pilotos. A equipe austríaca, em especial, foi a que mais sofreu. Com o melhor carro do ano, eleito pelos especialistas, ela marcou 12 das 14 poles, mas não traduziu este domínio em triunfos: Webber tem quatro e Vettel, dois. Metade da vantagem nos treinos foi desperdiçada pela dupla.

O Mundial de Pilotos teve nada menos que cinco líderes diferentes nesta temporada - Massa chegou a liderar brevemente, após o GP da Malásia. Dos candidatos ao título, apenas Vettel não esteve na ponta. Alonso e Button ficaram na primeira posição durante "a primeira fase" do campeonato. Após a metade, no entanto, Webber e Hamilton têm se revezado na ponta, e o inglês se complicou após errar (assista ao vídeo acima) e abandonar em Monza, pista que favoreceria o carro da McLaren.

Vitórias pulverizadas entre RBR, McLaren e Ferrari
Apesar do domínio da RBR nos treinos, a disputa nas corridas está muito equilibrada. A equipe austríaca já venceu seis vezes (quatro com Webber e duas com Vettel), contra cinco da McLaren (três de Hamilton e duas de Button) e três da Ferrari (todas de Alonso). Este cenário faz com que nenhum deles seja favorito destacado ao título.

Entre os resultados por corrida, Webber foi o que menos perdeu pontos bobos. O australiano só abandonou uma corrida e não deixou de pontuar em nenhuma outra. Todos os seus rivais têm pelo menos duas quebras, algo que pode ser decisivo nesta fase final. Com uma postura mais conservadora, o líder do campeonato optou por pontuar em vez de tomar riscos desnecessários para tentar a vitória.

Nova pontuação não é decisiva no equilíbrio 
Com cinco pilotos na briga, acreditava-se que o novo sistema de pontuação, com 25 pontos para o primeiro e recompensando até o decimo colocado, seria o responsável por isso. Mas um breve cálculo com os valores antigos afasta esta possibilidade. A única mudança seria a liderança de Lewis Hamilton, que estaria à frente de Mark Webber. De resto, a diferença entre o primeiro e o quinto seria de apenas nove, menos que um triunfo, que valia 10 até o ano passado na Fórmula 1.

O inglês é o grande prejudicado com a nova pontuação, que tem cumprido seu objetivo: valorizar a vitória. Hamilton estaria na frente com o sistema do ano passado, mesmo com um triunfo a menos. O australiano, por sua vez, se deu muito bem. Além da primeira posição, sua vantagem é maior do que seria em 2009. O novo sistema de pontuação torna importantíssimo vencer nas últimas cinco corridas do ano.

Disputa é a maior dos últimos 29 anos
 
Após 1981, com cinco pilotos na briga, somente em 1986  houve um equilíbrio tão grande nas últimas cinco etapas. Na ocasião, Nelson Piquet e Nigel Mansell, da Williams; Alain Prost, da McLaren; e Ayrton Senna, da Lotus, estavam separados por apenas 11 pontos. No fim do ano, o francês levou o título, após um estouro de pneu do "Leão" na última prova da temporada, em Adelaide, na Austrália. Piquet foi obrigado a entrar nos boxes por precaução e o caneco caiu nas mãos do “Professor”.

Em 2003, algo parecido aconteceu, só que com menor intensidade. No mesmo ponto do campeonato, Michael Schumacher, da Ferrari; Kimi Raikkonen, da McLaren; Juan Pablo Montoya e Ralf Schumacher, da Williams, tinham 16 pontos entre eles. Mas um conturbado GP dos Estados Unidos, debaixo de chuva, tirou as chances dos pilotos da Williams. Schumi levou o hexacampeonato no Japão, após um oitavo lugar na corrida.

Na temporada 2007, quatro pilotos estavam separados por apenas 16 pontos na classificação quando faltavam apenas cinco provas para o fim do campeonato. Lewis Hamilton, Fernando Alonso, Felipe Massa e Kimi Raikkonen travaram uma disputa acirrada. No fim, após erros do inglês nas duas últimas corridas, o finlandês sagrou-se campeão em Interlagos, no GP do Brasil.

Um comentário:

Renê Valadares disse...

Pra mim que leva o caneco é o Webber.