quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Alonso no páreo...

Se Fernando Alonso precisava ainda conquistar por inteiro os tiffosi da Ferrari, o bicampeão mundial chegou lá neste domingo. Ao vencer um monótono e pouco emocionante GP da Itália diante da massa fanática de transalpinos, graças a uma parada de box muito mais eficiente que a da McLaren, o espanhol não só chegou à 24ª vitória da carreira, igualando Juan Manuel Fangio, o grande pentacampeão argentino, como também chegou ao 3º lugar no campeonato, entrando de vez na briga pelo título do Mundial de Pilotos.

Briga que ficou ainda mais interessante porque, já na primeira volta, em quatro curvas, Lewis Hamilton jogou uma corrida que ainda teria 300 km pela frente no lixo. O campeão mundial de 2008 pagou caro por tentar dividir um pedaço de pista com Felipe Massa, que nem teve culpa na história: Alonso, decidido a se manter à frente do brasileiro, não tirou o pé na curva Biassono e Massa teve que ir para outra trajetória. Como efeito, bateu na roda dianteira direita da McLaren de Hamilton, quebrando a suspensão do carro do então líder do campeonato.

Para completar, Mark Webber fez uma péssima largada e precisou se socorrer de um código via rádio dado por Sebastian Vettel, que queixou-se de “problemas de motor”. Conversa das mais fiadas, pelo que se viu no decorrer da corrida, porque Vettel se manteve firme na pista até o fim (na verdade ele tinha uma falha nos freios) e chegou em quarto lugar, mesmo parando para trocar o jogo de pneus ‘macios’ pelos duros na última volta. 

Webber, por seu turno, conseguiu uma importante ultrapassagem sobre Nico Hülkenberg, não sem antes despejar uma torrente de epítetos no jovem alemão da Williams. Acabou em sexto, resultado que o recoloca na liderança do campeonato.

Mas vamos ao que interessa: a acertada opção de Jenson Button, que largou com o carro equipado do duto aerodinâmico frontal e a mesma asa traseira de Spa-Francorchamps revelou-se uma escolha perfeita até a parada obrigatória para troca de pneus. E foi aí que a conhecida eficiência da Ferrari – que andou tirando férias por uns tempos, haja visto o que vinha acontecendo com Massa e Räikkönen nas últimas temporadas – entrou em ação. Nos boxes, os italianos foram mais eficientes que os ingleses. Devolveram Alonso à pista na frente. E o espanhol, com um sem-número de voltas rápidas, não permitiu qualquer aproximação de Button, para vencer a prova em meras 1h16min, média superior a 240 km/h.

Entre os brasileiros, pouco a comemorar. Felipe Massa até tentou alguma coisa sobre Fernando Alonso na largada e foi só. Em terceiro largou, em terceiro correu, em terceiro chegou. Permanece em sexto no Mundial de Pilotos, longe demais da turma que briga de fato pelo títúlo. Rubens Barrichello, que normalmente anda bem em Monza, suou um litro certinho dentro do macacão para salvar um pontinho e chegar em 10º com um carro ligeiramente danificado na seção dianteira em razão de um toque com Vettel na largada, numa das raras ocasiões em que o jovem Hülkenberg foi de fato superior em relação ao experiente companheiro de equipe.

Lucas di Grassi fez o que pôde com o carro da Virgin e permaneceu na pista enquanto deu: abandonou a três voltas do fim. E Bruno Senna, num fim de semana para esquecer, também ficou pelo caminho em virtude de um problema hidráulico.

Restando cinco corridas – ou até mesmo quatro, se a pista da Coreia não for homologada pela FIA  e esse risco existe – para o fim do campeonato, Mark Webber voltou à dianteira do Mundial de Pilotos com 187 pontos (4 vitórias). Lewis Hamilton, que venceu três vezes no ano, soma 182. Fernando Alonso, igualmente com três triunfos em 2010, está agora em terceiro com 166 pontos. Jenson Button é o quarto com 165 e duas vitórias. Sebastian Vettel, também com duas vitórias, está em quinto, com 163 pontos.

No Mundial de Construtores, troca-troca também entre os ponteiros. A Red Bull retoma a liderança com 350 pontos, três apenas a mais que a McLaren. A Ferrari mantém-se isolada em terceiro com 290, enquanto Mercedes, com 158 pontos e Renault, com 127, lutam pelo simbólico título de best of the rest deste campeonato.

Os pilotos que brigam pelo título sabem que qualquer erro pode ser fatal. São 24 pontos – menos do que uma vitória, que vale 25 – separando os cinco primeiros na tábua de classificação. E o próximo desafio, no último domingo de setembro, é o GP de Cingapura, onde a Fórmula 1 presenciou uma das mais lamentáveis armações da história. Num ano onde o regulamento do jogo de equipe foi rasgado para o mundo inteiro ver, nada me surpreenderia no Oriente, na 15ª etapa do campeonato.

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