sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Ferrari: a bola da vez?


Fim de férias para a Fórmula-1. Neste fim de semana as equipes Red Bull, McLaren e Ferrari retomam a briga pelo título mundial em Spa-Francorchamps, um circuito que, mesmo bastante modificado, é um dos remanescentes do ano em  que foi criado o campeonato mundial. O GP da Bélgica foi a quinta etapa de um total de sete em 1950. Spa-Francorchamps é aquele circuito que todo piloto aguarda com ansiedade, depois de passar boa parte da primeira fase do campeonato percorrendo as pistas de curvas lentas e retas curtas desenhadas pelo arquiteto alemão Herman Tilke. Que se tornaram padrão para a FIA, mas é desaprovado por torcedores do mundo todo. Ironicamente, o escritório de arquitetura de Tilke fica em Aachen, a poucos quilômetros de Spa. Nesse caso, a vizinhança não significou nada.

Em Spa vale a velocidade pura, o desafio, a coragem. Mesmo já não sendo uma pista tão perigosa como era até o final dos anos 60, quando tinha 14 quilômetros de extensão. Só perdia, em riscos para a Nurburgring de 22,835 quilômetros. Até 1970, foi mantida a extensão original de Spa (14,080 km). Neste ano, ela foi banida da F-1 e só voltou em 1983, já com a extensão reduzida para 6,949 quilômetros. Hoje, com outras pequenas mudanças feitas nos últimos anos, ele mede 7,004 km. Mas mantém-se como de alta – média de 235 kmh.

O curioso é que o melhor carro do momento, o RB6, tende a sofrer mais com as grandes retas de Spa. O motor Renault da Red Bull ainda tem menos potência que os da Mercedes e Ferrari. A baixa pressão aerodinâmica dos carros nesta pista também jogam a favor de McLaren e Ferrari. Aqueles que gostam de acompanhar a F-1 pela televisão de olho nos dados da telemetria, hoje à nossa disposição em vários sites conectados com o www.formula1.com, podem prestar atenção nas parciais. A Red Bull deve ser mais veloz no trecho com mais curvas, mas vai perder nos outros dois. Christian Horner e os engenheiros da Red Bull vão fazer de tudo para compensar esta perda. Mas, acima de tudo, o que eles e os pilotos têm a fazer de melhor é pensar no campeonato.

Webber, líder com 161 pontos, não tinha vencido na F-1 antes de 2010. Agora já soma 4 vitórias, 4 poles e 6 pódios, e tem sido muito competitivo.  O que tem contra ele é o retrospecto em Spa. Em sete participações, nenhum pódio. Tem um 4º lugar em 2005 e um 7º em 2007. Hamilton, 4 pontos atrás do líder, mesmo que a McLaren não apresente progresso, precisa correr por um pódio. Seu retrospecto também não é tão espetacular como sua carreira – o melhor foi um 3º lugar em 2008. Vettel, depois de tantos erros, vem de dois terceiros consecutivos. Em dois anos e meia de carreira, já tem um pódio (3º) em Spa. Button é o único dos favoritos a pontuar nas últimas seis etapas. Tem 2 vitórias no ano e 5 pódios. Em dez anos correndo em Spa, ele tem um 3º (2005).

A zebra que renasce é a Ferrari, provavelmente com o melhor conjunto para a pista belga. Uma vitória, o que Alonso nunca conseguiu em Spa, deixaria o espanhol muito forte no restante do campeonato. Mas quem tem o melhor retrospecto nesta pista é Felipe Massa, que não está em melhor situação no campeonato por culpa da própria Ferrari. Ele venceu na Belgica em 2008 e foi 2º em 2007. No ano passado não correu e a vitória foi do companheiro Kimi Raikkonen. A Ferrari ganhou as quatro últimas corridas em Spa-Francorchamps. O que, no mínimo, cria uma grande expectativa em torno de um eventual novo duelo entre Massa e Alonso. Como a Ferrari vai se comportar?

Longe desses problemas que ele já viveu por seis anos, Rubinho Barrichello comemora domingo o seu 300º GP. De um total de 833 corridas do Mundial desde 1950, Barrichello disputou 300. Em Spa Rubinho conquistou a primeira pole da carreira quando ainda corria pela Jordan em 94, numa pista molhada que começava a secar. E vem chuva no fim de semana!

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