quinta-feira, 22 de abril de 2010

O dilema Schumacher...

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Por Rodrigo Mattar


Quando escrevi o post sobre o GP da China dizendo que Michael Schumacher era um “caso à parte”, é porque de fato o retorno do heptacampeão após mais de três anos fora das pistas suscita muitas discussões. E chegou a hora do tal “caso à parte”.


Afinal de contas, será que valeu a pena ver Schumacher de volta à Fórmula 1 aos 41 anos de idade?


Do ponto de vista mercadológico, sim. Um nome de peso como o dele, com os números que conseguiu entre 1991 e 2006 e com tantas vitórias e títulos, chama a atenção por si só. E vê-lo em ação junto a três dos quatro últimos campeões mundiais – Fernando Alonso, Lewis Hamilton e Jenson Button – além de outras feras como Sebastian Vettel, Felipe Massa, Robert Kubica e muitos mais, era sem dúvida algo que muita gente ansiava assistir.


Mas do ponto de vista dos resultados, não. A volta do alemão é – por enquanto – um retumbante fracasso. A sua reestreia no Bahrein foi discreta, mas as três provas seguintes mostraram um Schumacher ainda pouco feliz com seu carro. Na China, então, deu pena de vê-lo levando um passão atrás do outro. Pilotos como Jaime Alguersuari e Vitaly Petrov, que tem muito menos estrada que Michael na Fórmula 1, provavelmente se divertiram muito brigando com ele. E as disputas que travaram com certeza entrarão no currículo dos dois.


Claro que Schumacher ainda tem a velha verve nas veias e a disputa com Lewis Hamilton no mesmo GP da China foi um claro exemplo disso. Mas são constantes as reclamações do piloto alemão acerca do Mercedes W01. “Falta de equilíbrio” foi a que mais se ouviu em Xangai. Além de tudo, ele não se adaptou aos pneus slicks, bem mais estreitos com os quais estreou na Fórmula 1 há 19 anos.


Alguns hão de dizer que Niki Lauda fez o mesmo que o alemão e voltou competitivo. Mas era outra circunstância e outra época. Quando desistiu de “andar em círculos” antes do fim do campeonato de 1979, Niki tinha 30 anos. Voltou em 1982, venceu a terceira corrida que disputou após a reestreia e ainda foi campeão dois anos depois, antes de finalmente sair do automobilismo, aos 36 anos de idade.


Só que, não custa nada lembrar, Lauda venceu a morte após um pavoroso acidente em 1976, durante o GP da Alemanha. E era um homem no mínimo com condições físicas bem piores que as de Schumacher. Deu a volta por cima. É um vencedor.


Voltemos ao alemão: após as primeiras quatro corridas do ano, Schumacher soma tímidos 10 pontos – o mesmo que o compatriota Adrian Sutil, que guia um Force India, teoricamente um carro construído por uma escuderia de menor porte. Nico Rosberg marcou cinco vezes mais pontos que o veterano companheiro de equipe. E nem precisou se esforçar muito, até aqui, para dar autênticas surras no heptacampeão do mundo.


A prova dos nove do retorno de Schumacher tem dia e hora pra começar. Será no dia 7 de maio, quando acontecerem os primeiros treinos livres do GP da Espanha, em Barcelona. É o início da temporada europeia e depois de um quinto do calendário já preenchido, vamos ver como ele vai se sair.


O Mercedes W01 ainda não é um carro vencedor, mas só enfrentou uma quebra – justo com Schumacher na Malásia. O problema é o carro continuar competitivo – agora na versão B – e o heptacampeão continuar atrás de seu parceiro de equipe.


Qual será a desculpa?


Agora, deixo com os leitores: é cedo para avaliar o retorno de Schumacher e ele ainda merece crédito? Ou ele não deveria ter voltado às pistas, optando por curtir a família e sua fortuna incalculável na Suíça?

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