segunda-feira, 15 de março de 2010

Asas e dutos

Por Rafael Lopes

A polêmica asa traseira da McLaren

A pré-temporada não passou em branco em termos de polêmicas. A RBR reclamou com a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) da asa traseira da McLaren. Segundo a equipe austríaca, ela tinha dois orifícios e atuava em conjunto com a tampa do motor em formato de bigorna e dava cerca de 10 km/h de vantagem nas retas para a equipe inglesa. Após a inspeção das quintas-feiras anteriores aos GPs, Charlie Whiting, delegado-técnico da entidade, liberou a peça e o time de Vettel e Webber não irá protestar.

Mas a discussão sobre a asa da McLaren desviou a atenção de outra parte curiosa do carro da equipe inglesa. Mais exatamente uma pequena entrada de ar (chamada de snorkel) colocada à frente do cockpit. Oficialmente, ela serve para ajudar na refrigeração do piloto, mas pode ter uma função muito mais importante. Esta parte do carro pode estar ligada à asa traseira por um duto que atravessa o carro. As suspeitas aumentaram após uma entrevista de Martin Whitmarsh à imprensa inglesa, quando ele deixou no ar a existência desta conexão.

A entrada de ar, ou snorkel, colocado à frente do cockpit da  McLaren

Tanto a asa quanto o snorkel fazem parte de um mesmo pacote aerodinâmico. O funcionamento seria engenhoso: o próprio piloto decidiria quando a entrada de ar seria aberta. O duto passaria ao lado dos pedais e teria um orifício para realmente refrigerar o cockpit. Mas o tubo ainda se estenderia pelo tanque de combustível e terminaria na tampa do motor. Para funcionar, bastaria ao piloto usar seu pé ou sua perna para tapar o buraco e aumentar a velocidade de reta com a diminuição da pressão aerodinâmica no aerofólio traseiro. Assim que ele destapasse o orifício, a asa funcionaria normalmente.

Após o OK da FIA para o sistema, já que não existem partes aerodinâmicas móveis (a não ser o pé do piloto), espera-se que as outras equipes o copiem. É mais um caso de interpretação inteligente (ou esperta) do regulamento, assim como aconteceu com o difusor duplo de Brawn GP, Toyota e Williams em 2009. O grande problema das rivais para se utilizar do sistema é achar um espaço para que o duto passe, já que elas não podem alterar o monocoque do carro até 2011. Qual será a solução? Vamos aguardar pelos projetistas.

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