terça-feira, 20 de outubro de 2009

2009: uma temporada e vários temperos...

Ninguém vence seis corridas e chega ao pódio em outra em sete etapas seguidas, como fez Jenson Button este ano nas sete primeiras etapas do calendário. Não disputou segunda metade de temporada com a mesma competência, é um consenso, mas não há como tirar o mérito da conquista do título desse sempre simpático, acessível e sincero inglês de 29 anos.

A vitória da equipe de Button, a Brawn GP, não pode ser vista isoladamente. Ela é também o resultado de uma importante ação política do presidente da FIA, Max Mosley. O inglês autorizou o uso do duplo difusor e o recurso aerodinâmico condicionou quase tudo o que aconteceu nas pistas este ano. O objetivo de Mosley era romper a união das equipes (Fota), desde a criação da sua associação, no GP da Itália do ano passado.

A decisão de Mosley embaralhou as cartas. Teve também influência na decisão inicial da Fota de promover o campeonato paralelo. Ajudou a Ferrari e McLaren perderem força. As duas, como a maioria, não conceberam seus carros para o uso do duplo difusor. Ferrari e McLaren tiveram de reprojetar seus carros, assim como os demais, para incorporar o recurso. Mas uma coisa é desenhar um modelo de Fórmula 1 com o duplo difusor e outra é adaptá-lo.

O fato não tira o mérito do grupo de Ross Brawn, de Button e de Rubens Barrichello pelo belo ano. Mas explica, e muito, junto da mudança no regulamento, nesta temporada, os resultados surpreendentes e que, de certa forma, acabaram sendo saudáveis para a Fórmula 1. Por qual razão apenas Ferrari e McLaren devem vencer?

Mas a equipe mais prejudicada pela inconsequência de Molsey foi a Red Bull. Não há quem não afirme, com todas as letras, que Adrian Newey, projetista, foi quem melhor interpretou o novo regulamento. Mas Newey nem considerou a possibilidade de uso do duplo difusor por saber que é contra as regras. O carro do notável Sebastian Vettel e Mark Webber, da Red Bull, era o melhor sem o difusor. E com ele, depois de Mônaco, ainda que também apenas adaptado, mostrou da mesma forma sua força.

O Mundial que vai acabar dia 1.ª de novembro expos que um piloto de 37 anos, quase 300 GPs, milionário, tem tanto amor pelo que faz e mostra-se, ainda, tão capaz que quase chega ao título. Rubens Barrichello fez história. O campeonato da Fórmula 1 vai chegando ao fim atingido profundamente pelo escândalo do resultado fabricado no GP de Cingapura do ano passado. Mas como diz seu promotor, Bernie Ecclestone, em breve poucos se lembrarão do ocorrido.

Nenhum comentário: