segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Virando rotina: Barrichello na frente...

Assim, via rádio, o engenheiro Jock Clear deu os parabéns a Barrichello pela vitória em Monza. E resumiu o que a F-1 está pensando no momento.

A F-1 está se acostumando a ver Barrichello na frente. Desde Valência, o brasileiro vive um momento mágico. Parece difícil parar seu embalo.

Azar de Button. Que foi o segundo. E que, embora tenha sorrido e abraçado o colega após a prova, deve estar bem preocupado. Raikkonen completou o pódio.
Barrichello e Button se abraçam após a prova (Beto Issa/Tazio)


A largada foi sensacional. Todo mundo muitíssimo perto, disputas ferrenhas, mas nenhum toque mais pesado.

Hamilton manteve bem a primeira colocação. Raikkonen passou Sutil. Kovalainen ficou pra trás, travou uma belíssima briga com Button, mas perdeu.

A ordem ao fim da primeira volta, Hamilton, Raikkonen, Sutil, Barrichello, Button e Kovalainen.

Começou, então, o jogo de xadrez. Hamilton, e a turma dos dois pits, buscavam fugir da turma que planejou uma parada, Barrichello e Button, que por sua vez tentava não perder contato.

Volta após volta, o inglês da McLaren cravava melhores tempos. Fechou a 14ª com 6s8 sobre Raikkonen e 17s sobre Barrichello.

Na 15ª, Hamilton entrou para os boxes. Voltou atrás de Button, em quinto. Foi a abertura da primeira janela de pits para a turma que tinha duas paradas.

Sutil parou na 18ª. Raikkonen, na 19ª. Barrichello, então, tornou-se líder, seguido por Button. E chegou a hora de eles tentarem se descolar.

Tarefa complicada. Porque Hamilton e Raikkonen estavam em ritmo forte na pista. Na 22ª volta, Barrichello tinha 12s1 para o inglês e 16s3 para o finlandês. Em relação a Button, a situação era mais confortável: tinha 2s2, sabendo que pararia depois.

Na 27ª, Barrichello cravou a então melhor volta, 1min24s999. Duas voltas depois, Button parou. Saiu em quinto. Na seguinte, a 30ª, foi a vez do pit do brasileiro: 0s3 melhor que o do companheiro. Barrichello saiu 4s2 à frente de Button, em quarto, atrás de Hamilton, Raikkonen e Sutil. A briga era com eles.

Na 34ª volta, o momento decisivo, o segundo pit de Hamilton. Com pouco mais de 21s sobre Button antes da parada, o campeão não conseguiu manter as chances de vitória. Voltou atrás do compatriota.

Altiva na pista, a Brawn tinha então que se livrar de Raikkonen e Sutil para carimbar a dobradinha. E o tal carimbo veio na 38ª volta, quando os pilotos de Ferrari e Force India pararam, se atrapalharam nos boxes e voltaram atrás de Hamilton.

Ao fim da última janela de pits, enfim, a ordem era direta, clara: Barrichello, Button, Hamilton, Raikkonen e Sutil.

E o único tranquilo nesta turma era o líder. Com folga confortável sobre Button, sempre na casa dos 5s, Barrichello pode disputar as últimas voltas naquela toada de administrar o resultado.

Raikkonen acabou levando a terceira posição: na última volta, Hamilton bateu, dando o pódio de bandeja.

Com o resultado, Barrichello diminuiu em mais dois pontos a vantagem de Button no campeonato. Agora, o inglês tem 80 contra 66 do brasileiro, 14 de diferença.

Continha rápida: desde que começou a reagir, em Valência, Barrichello diminuiu em 12 pontos a folga do companheiro. Eram 26 depois da Hungria, são 14 agora.

Ou seja, vem tirando, em média, quatro pontos por prova.

Como faltam quatro etapas para o fim, Cingapura, Japão, Brasil e Abu Dhabi, a conclusão é clara: se continuar nesse ritmo, Barrichello será campeão.

Enfim, é só um exercício de matemática. Que, se não tem a capacidade de prever o futuro, pelo menos mostra de forma mais palpável, a inversão de sinais dos dois pilotos da Brawn.

E, aí é achismo meu, acho difícil uma nova inversão. Barrichello entrou naquela fase em que tudo dá certo. E isso traz uma confiança dentro do cockpit que, somada à sua experiência, tornar-se difícil de combater.

Barrichello, 37 anos, 17 temporadas na F-1, tem em mãos a melhor chance de sua carreira de ser campeão mundial.

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