segunda-feira, 28 de setembro de 2009

GP burocrático...

Foi bem chato, muito chato aliás, o GP de Cingapura, 14ª etapa do Mundial de Fórmula 1. Só não foi chato para o campeão mundial Lewis Hamilton, que venceu praticamente de ponta a ponta, num domínio previsto desde o resultado do treino classificatório e a partir do momento em que os pesos dos carros foram divulgados ontem. Com o carro mais pesado entre os 10 primeiros da superpole, o piloto da McLaren deixou claro que além de uma estratégia perfeita, ele era o mais rápido da pista. E Lewis fez jus ao número #1 pintado na carenagem do seu carro nesta noite calorenta no Oriente do planeta.

Para o torcedor brasileiro, o GP de Cingapura reservou momentos bons e maus. Rubens Barrichello correspondeu às expectativas e largou bem, passando de nono para sétimo e mantendo o rival, companheiro de equipe e líder do campeonato Jenson Button sob controle. As coisas melhoraram quando Nico Rosberg, ao sair dos pits, passou além da linha branca e foi punido com drive through. Mas logo depois, veio o acidente entre os conterrâneos Adrian Sutil e Nick Heidfeld - cortesia de uma barbeiragem do piloto da Force India. E o jogo começou a virar para Button.


Por que? Simples: a Brawn tinha previsto apenas uma parada para o inglês, que arriscaria ficar mais de 20 voltas com pneus macios montados em seu carro. E a estratégia foi mudada: na 20ª volta, Button entrou nos boxes, o tanque foi enchido até o gargalo e com o Safety Car na pista ele conseguiu “salvar” mais combustível, prevendo uma segunda parada só para repor a gasolina em quantidade suficiente para completar as 61 voltas de prova.

Não obstante, Barrichello não tinha um bom ritmo de corrida no segundo jogo de pneus. E a coisa degringolou de vez na segunda e definitiva parada, quando ambos trocaram para os compostos macios, os “option”. A TV não mostrou, mas segundo informação do amigo @murilomori via Twitter, o tempo de parada de Barrichello foi de 27 segundos. Enquanto isso, com o tanque esvaziando, Button virava voltas muito boas, chegando mesmo a atingir a segunda posição. Quando parou, estava mais de 25 segundos na frente de Rubens. Seu tempo total de parada foi de 22 segundos. E Jenson voltou à frente de Barrichello.


Mesmo com problemas de freio, o líder do campeonato conseguiu um resultado fundamental na briga pelo título. Com a 5ª posição, Button agora soma 84 pontos, contra 69 de Barrichello. Quinze pontos e três corridas para o fim. O funil vai apertando e a matemática já não é mais tão positiva para o piloto brasileiro quanto se podia supor e torcer. Mas o automobilismo é um esporte imprevisível. Hoje a sorte sorriu para Button, vamos ver o que rola em Suzuka.


Alheios a isso, outros dois pilotos se destacaram em Cingapura. O desprezado Timo Glock, nome em aberto no mercado de pilotos uma vez que a Toyota decidiu não renovar seu contrato, respondeu à altura na pista. Chegou em segundo, no seu melhor resultado na Fórmula 1 e o melhor do time nesta temporada repleta de altos e baixos - principalmente de baixos - para o time japonês.


E em terceiro, chegou o espanhol Fernando Alonso, um milagreiro capaz de levar a carroça da Renault ao pódio. Além de uma belíssima atuação, o asturiano levou pra si a melhor volta da prova na mesma pista onde venceu no ano passado - vitória que não só é contestada por Nico Rosberg como também, dizem, pela Ferrari, que estuda a possibilidade de recorrer ao Código Desportivo Internacional da FIA e pedir uma anulação da prova. Um título decidido no tapetão? Deus me livre e guarde…


Quanto às outras equipes, a Red Bull continua com chances matemáticas de abocanhar o título do Mundial de Construtores, mas a diferença para a Brawn é grande demais para ser diminuída. Tudo indica que a equipe de Brackley leva o campeonato por antecipação no GP do Japão domingo que vem, em Suzuka. Vettel, mesmo punido por excesso de velocidade na saída dos pits, salvou um importante quarto lugar. Mark Webber, com problema de freios, rodou e bateu. A Toro Rosso, logo depois, recolheu simultaneamente os carros de Jaime Alguersuari e Sébastien Buemi, receando sofrer o mesmo problema. Afinal, os projetos são os mesmos…


Já a Ferrari foi a grande decepção do fim de semana. Kimi Räikkönen foi um apagado 10º colocado, sem conseguir sequer passar a Williams de Kazuki Nakajima no trecho final da prova. Fisichella não conseguiu coisa melhor a não ser quilometragem. Na transmissão da TV francesa TF1, foi dito que já não há mais desenvolvimento para a F60 e que já estão pensando em 2010. Sábia decisão: com uma autêntica carroça pintada de vermelho, a Ferrari já conseguiu muito estando em terceiro lugar no Mundial de Construtores
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