segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Barrichello e Button: última chance de sucesso?

Ser campeão mundial de Fórmula 1 exige uma combinação de fatores que nem sempre é justa com grandes nomes. Prova disso é que pilotos brilhantes como o inglês Stirling Moss e o canadense Gilles Villeneuve terminaram as carreiras sem ter na estante a taça mais cobiçada por todos os pilotos do mundo.


Esse parecia ser o destino de Rubens Barrichello e Jenson Button até o início do ano, quando uma surpreendente Brawn construída sobre o bem nascido carro que a Honda usaria em 2009 começou a voar com um excelente motor Mercedes-Benz. Mas se o desempenho do BGP001 surpreendeu ao público, não espantou Ross Brawn, o pai da criança, que trabalhava no modelo de 2009 desde maio de 2008. Enquanto isso, McLaren e Ferrari se digladiavam na luta pelo título do ano passado com Lewis Hamilton e Felipe Massa focando o trabalho dos engenheiros nos modelos daquele ano.


Agora o papel se inverteu: a Brawn teve de correr atrás do prejuízo durante o ano para não perder a liderança para a Red Bull. Enquanto isso, a Ferrari, segundo confessou o próprio Stefano Domenicali (chefe de equipe do time italiano), centra fogo no carro de 2010, o que justifica o desempenho tão pífio da Scuderia nas últimas provas – a exceção fica por conta das atípicas etapas da Bélgica e da Itália, que tiveram até as Force India ocupando as primeiras posições graças às características dos circuitos de alta velocidade.


Já a McLaren apostou num caminho diferente da rival italiana. Em vez de largar mão do MP4-24, a equipe inglesa decidiu investir na evolução do atual modelo. E colheu os frutos com as vitórias de Hamilton na Hungria e em Cingapura, dois circuitos de média para baixa velocidade – a pista de Budapeste só não é mais lenta que a de Mônaco.


Some-se ao plano de reação das duas grandes a provável contratação de Fernando Alonso pela Ferrari – o anúncio deve ser feito em breve –, os rumores cada vez mais fortes de que Kimi Raikkonen voltará a pilotar um carro da McLaren e o retorno de Felipe Massa ao cockpit vermelho e você terá um grande fator de preocupação para os times que pensam em brigar pela ponta em 2010.


A pergunta que fica é: a Brawn, focada em 2009 – Ross, porém, jura que também está desenvolvendo o carro do ano que vem e será competitivo em 2010 –, terá capacidade de repetir no ano que vem o desempenho deste – ou pelo menos se manter como uma equipe de ponta? É provável que sim, mas uma chance como esta de buscar o título, Barrichello e Button nunca mais terão.


A história recente mostra que domínios como o da Brawn nesta temporada só foram conseguidos por equipes com grande tradição e mesmo assim por um ou dois anos: a Williams ganhou tudo em 1987 e 1992 e a McLaren fez o mesmo em 1988 e 1989. A Ferrari, matando a pau entre 2001 e 2004, foi a exceção.


Em comum entre essas equipes, o know-how vencedor, orçamentos gordos e pilotos que se consagraram entre os melhores da história da Fórmula 1 (Senna, Prost, Mansell, Schumacher e Piquet).


A Brawn, por mais que tenha a genialidade de Ross em seu DNA, está onde está por fatores que não terá a seu favor no próximo campeonato: começou a projetar o carro antes de todo mundo, já que o Honda de 2008 não tinha mesmo conserto, se valeu de uma brecha no regulamento para projetar um difusor de legalidade duvidosa e também teve um pouco de sorte ao ver as rivais tropeçarem no novo regulamento. Regulamento que mudará novamente em 2010 e proibirá o reabastecimento, o que obrigará as equipes a projetarem carros com tanques de 200 litros de gasolina e a trabalharem com pesos muito maiores no início da corrida.


Será que Brawn será genial a ponto de tirar proveito disso também e construir um outro carro de ponta no ano que vem? Mas é bom lembrar que Adrian Newey (Red Bull), o mago da aerodinâmica, é outro que sabe se beneficiar bem com essas mudanças, como mostra a McLaren que ele projetou em 1998 e começou o ano humilhando a concorrência para ser campeã com Mika Hakkinen.


A Brawn não vai cair para o fim do grid de uma hora para outra, mas é pouco provável que vença 57% da corridas da temporada, como fez até agora.


Por isso a briga pelo título deste ano é uma disputa entre dois veteranos (não se esqueça que Button já tem 167 GPs na F1) que estão se agarrando como podem àquela que pode ser a última chance de conquistar o sonho de suas carreiras. E por isso seria tão legal ver uma disputa roda a roda até a última corrida. O que não deve acontecer.


- Não é o caso de dizer que Barrichello é azarado: Button também teve problemas nas últimas corridas;


- Mas que Rubens deveria sentar com o pessoal que cuida dos motores e conversar um pouco sobre essa questão de carro morrendo no box/parado na largada, isso deveria;


- A volta de Raikkonen à McLaren seria interessantíssima. Bem mais frio que Alonso, o finlandês protagonizaria uma bela disputa com Hamilton e, acredita-se, não daria o “piti” que o espanhol deu em 2007;


- O retorno de Massa ainda em 2009 seria interessante para a Ferrari e para o brasileiro, já que ambos não têm nada a perder na temporada.

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