segunda-feira, 18 de maio de 2009

O que faria Massa sem a Ferrari?

Por Gerson Campos


Não apostaria um real para ganhar mil que a Ferrari ou alguma outra equipe vá deixar a Fórmula 1 por conta de divergências com a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) ou a com FOM (Formula One Management, a empresa de Bernie Ecclestone que comanda os direitos comerciais da maior categoria do esporte a motor no mundo). Todos têm muito a perder numa eventual ruptura: as equipes (Renault, Toyota, Red Bull e Toro Rosso já disseram que apoiariam a Ferrari na decisão de deixar a F1) teriam de organizar um campeonato paralelo, que obviamente não usaria o nome Fórmula 1 (pertencente a Ecclestone) e não teria a força do atual certame. A FIA perderia o principal nome do grid e teria de ir à caça de novos pretendentes para compor suas corridas. Um trabalho danado para quem já está ganhando muito desse jeito e pode acertar as coisas cedendo um pouco ali e exigindo aqui. Por isso, acho que, com ou sem teto orçamentário, tudo continuará como está em 2010.

Mas a Ferrari não norteia as discussões apenas nas mesas de reuniões dos cartolas. No mercado de pilotos, os cockpits italianos também são peças-chave nas decisões. E por mais que o futuro dessas cobiçadíssimas vagas esteja ofuscado pelas discussões em torno do regulamento para o ano que vem, não é absurdo cogitar que elas já estejam sendo negociadas agora para 2011 - e aí o futuro de Felipe Massa entra no meio do caminho. O brasileiro e seu companheiro de equipe, Kimi Raikkonen, terminam seus contratos no fim de 2010. Até lá, Fernando Alonso, a primeira opção da Ferrari - e não tenham dúvida de que a Ferrari é a primeira opção dele - pode tirar seu cavalinho da chuva. Mas isso não quer dizer que as conversas entre o espanhol e os italianos não tenham acontecido, já que as coisas são decididas com uma antecedência assustadora na Fórmula 1 atual. Um exemplo pode ser dado pelo próprio Alonso, que no final de 2005 anunciou que correria pela McLaren em 2007, e por Juan Pablo Montoya, que no encerramento da temporada de 2003 também anunciou que iria para a McLaren, mas apenas em 2005. Esse é o estilo agressivo de negociação das equipes mais poderosas do grid: vão atrás do que querem, pagam por isso e só deixam a notícia circular quando interessa a elas. Foi o caso do anúncio da aposentadoria de Schumacher e da contratação de Raikkonen. Sigilo total em Maranello.

Como ficaria, então, a dança dos cockpits? Outra pergunta: depois da sequência de erros da Ferrari, Massa teria pensado em trocar de ares? Acho que sim. No fim de 2010, Felipe terá completado cinco anos com a equipe italiana. Raikkonen, já desmotivado, deve se aposentar. Um cockpit certamente seria de Alonso. O outro, de Sebastian Vettel ou de Massa. Se até lá o brasileiro não tiver alcançado um título mundial - e neste ano o próprio piloto já jogou a toalha - o desgaste será inevitável para ambas as partes. Façamos, então, um exercício de futurologia: para onde iria Felipe Massa se deixasse a Ferrari no fim de 2010 ou se a Ferrari o deixasse a pé na Fórmula 1 no ano que vem?

Na primeira hipótese, creio que os destinos mais prováveis fossem a Red Bull ou a Brawn (se o time inglês continuar no pique que está, e se o eterno Barrichello, o Highlander da Fórmula 1, resolver se aposentar). Mas se a Ferrari surpreender o mundo e disser que não corre em 2010... aí não há futurologia que dê rumo no chute. Você arriscaria algum? Eu também não. E ainda teria perdido os R$ 1.000 que apostei lá em cima.

Mas isso não deve acontecer, afinal, você mexeria na fórmula da categoria mais bem-sucedida e lucrativa de todos os tempos apenas porque não conseguiu chegar a um acordo? Nem eles.


300 km/h

- O teto orçamentário tem atraído novas pretendentes ao grid (Lola e USGPE) e a tristeza de ter apenas 20 carros alinhados deve acabar em breve

- O que motivará Ferrari e McLaren a continuar a evolução de seus carros sem chances de brigar pelo título? Vai ser curioso observar o desempenho das duas depois da metade da temporada

- Barrichello sempre andou bem em Mônaco

- Massa sempre disse que o circuito não estava entre seus preferidos

- Galvão vai narrar: novas pérolas, como a "reta torta" descrita em um dos GPs passados, devem vir aí.

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