quarta-feira, 6 de maio de 2009

Fórmula 1: título será pelo número de vitórias em 2010

Max Mosley, presidente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), cumpriu o que prometeu: o campeão do mundo de 2010 será o piloto que conquistar o maior número de vitórias e não o de pontos, como agora.

A medida era para entrar em vigor este ano, mas, diante da reação contrária de quase todos dentro e fora da Fórmula 1, Mosley voltou atrás. Deixou claro, no entanto, que apenas estava adiando a sua introdução. Na última reunião do Conselho Mundial da FIA, dia 29, o dirigente incluiu no pacote de mudanças radicais da categoria para o ano que vem a nova forma de se definir o título, que se tornou pública nesta segunda-feira.

Se a reunião da associação das equipes (Fota), quarta em Londres, já seria tensa, por conta da imposição do limite orçamentário de 40 milhões de libras (cerca de R$ 130 milhões) e da criação de duas categorias na Fórmula 1, uma para quem adotar esse teto de investimento e outra para quem não aceitá-lo, agora, com a oficialização do número de vitórias para se conhecer o campeão do mundo, o encontro terá outro caráter: afrontar de vez Mosley.

"Essas medidas não atendem ao interesse da Fota, que tem a representatividade de reunir todas as equipes da Fórmula 1", afirmou, em Bahrein, Luca di Montezemolo, presidente da Ferrari e da Fota.

O mais impressionante é que Mosley alterou, por conta própria, o apêndice 5 do regulamento esportivo para poder impor suas ideias, que não representam o que pensam os pilotos e os homens que comandam as equipes. O trâmite normal para se aprovar uma alteração nas regras começa no Grupo Técnico de Trabalho (TWG), se for uma mudança técnica, e no Grupo Técnico Esportivo (SWG) para os casos esportivos.

As propostas definidas nesses grupos, onde os pilotos, os times e a FIA têm representação, seguem para a Comissão de Fórmula 1, em que além de pilotos, escuderias e FIA estão presentes promotores das corridas e patrocinadores. As propostas são, então, votadas. Na sequência a medida é encaminhada para o Conselho Mundial da FIA, que tem o poder de aceitar ou recusar, mas não emendar.

A novidade este ano é a introdução do parágrafo 8 no apêndice 5, no melhor estilo "aqui, agora, mando eu". Seu texto diz: "O TWG e o SWG serão consultados sobre as propostas não originadas neles e seus comentários serão avaliados pelo Conselho Mundial da FIA". Uma afronta à ordem.

O argumento da Fota, na quarta, será esse: Mosley não tem direito de baixar um "ato institucional" que lhe garanta fazer o que bem entender com a Fórmula 1. Não está escrito em nenhum lugar que possui essa prerrogativa, a não ser nos temas de segurança, que não é o caso.

Mas se não der certo o recurso jurídico desportivo para derrubar as ações ditatoriais de Mosley e contrárias aos interesses dos maiores interessados, pilotos e equipes, e provavelmente a maior parte do público, a Fota não vai pensar duas vezes: desobedecer a autoridade constituída e promover o chamado racha.

A FIA fica com o nome Fórmula 1 e já em 2010 a Fota organiza o seu campeonato. Bernie Ecclestone, da FOM, detentora dos direitos comerciais, tem apoiado a FIA, mas pode, diante da iminente ameaça da Fota, tentar conciliar os interesses de todos.

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