quarta-feira, 22 de abril de 2009

Na beira do caos

por Rodrigo Mattar


Para felicidade geral de quem gosta de automobilismo, a Fórmula 1 hoje está virada de ponta-cabeça. Afinal, quem apostaria um níquel que a Brawn GP, recém-chegada à categoria, venceria duas corridas e teria líder e vice-líder do campeonato? E quem apostaria que a Red Bull teria enfim chance de ganhar um GP, o que se concretizou com Sebastian Vettel (foto) no último GP da China?

Parafraseando o técnico do Botafogo Ney Franco, que nas horas vagas ataca de compositor, as grandes favoritas para o título de 2009, que seriam Ferrari, McLaren, Renault e BMW estão “na beira do caos”. E não são só as escuderias: alguns pilotos já estão, segundo dizem, com os dias contados para receber o bilhete azul.

O mau desempenho das quatro grandes forças da F-1 é talvez o que chame mais a atenção depois de três corridas. Os pilotos, coitados, são levados de roldão e muitos deles não tem a menor culpa no mau desempenho dos carros. Os departamentos de engenharia é que terão de trabalhar em dobro pra recuperar o imenso prejuízo e devolver às equipes a competitividade esperada.

Não será fácil: para que se chegue ao mesmo patamar de desenvolvimento e chegar a algo semelhante à polêmica seção traseira de Brawn, Williams e Toyota, pode-se chegar ao cúmulo de ter que se redesenhar toda a suspensão e o câmbio, o que demanda tempo - e dinheiro também. A Ferrari sabe que as provas do Bahrein no próximo domingo e a da Espanha, dia 10 de maio, são decisivas: não havendo resultados convincentes, todos os esforços começarão a ser concentrados para o projeto de 2010.

E tem mais: com os italianos no comando, a equipe voltou a ser a velha bagunça de outrora. O casino inexistiu quando Ross Brawn, Rory Byrne, Jean Todt e principalmente Michael Schumacher eram os pontas-de-lança de uma equipe vencedora. Mas nenhum dos quatro tem vínculos diretos com Maranello.

Há quase 30 anos, a Ferrari viveu um problema um pouco parecido com este de agora. Chegada a conclusão de que o modelo 312 T5, além de pouco competitivo, tinha problemas com os pneus Michelin que não atingiam a temperatura ideal, a equipe partiu para o desenvolvimento do modelo 126 Turbo que debutou no treino classificatório do GP da Itália em Imola, com Gilles Villeneuve. Mas o carro só estrearia um ano depois.

Será que a história vai se repetir?

Do lado dos pilotos, alguns já não conseguem mais respirar: ameaçados de demissão através da imprensa (sempre essa área fatal!), Nelson Ângelo Piquet e Sébastien Bourdais são hoje os nomes mais cobrados em busca de resultados que não acontecem - algumas vezes por erros de ambos e outras porque seus equipamentos não correspondem. O brasileiro teria dito que a Renault privilegia Fernando Alonso - o que não deixa de ser verdade. Mas levou um senhor pito de Flávio Briatore na véspera do GP da China e precisou vir a público pra desmentir o diz-que-diz-que.

Bourdais é um piloto que admiro, honestamente, por sua capacidade de se adaptar aos Esporte-Protótipos e à maneira como matou a tapa a oposição na ChampCar por quatro anos consecutivos. É certo que o lote não era dos melhores, mas ninguém é tetracampeão por acaso. Ao chegar na F-1 com todo esse status, o francês decepcionou ao não conseguir andar no mesmo nível do jovem alemão Sebastian Vettel. E em 2009, a história se repete, com “Tião” levando uma sova do estreante “Tião” Buemi.

A desculpa é a mesma do ano passado: a falta de adaptação ao carro. “O carro tem 20% a mais de aderência na dianteira e os pneus traseiros não são grandes o suficiente. Não consigo me adaptar ao carro, é a minha fraqueza, não posso esconder isso”, revelou em entrevista para a Autosport, renomada publicação inglesa.

É… o caos toma conta da Fórmula 1. Vamos ver se no Bahrein as coisas continuam como estão.

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