quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Top Five - os maiores pilotos da F1 - anos 60

Na série "maiores pilotos que já passaram pela Fórmula 1", o Por Dentro dos Boxes elege os cinco maiores dos anos 60, época dos carros "charutinhos" e auge da fase romântica da categoria.


5. Jackie Stewart

Foto: F1-Facts.com / sem crédito divulgado


Logo na primeira volta do GP da Bélgica de 1966, os pilotos se depararam com um temporal no trecho mais rápido do longo circuito de Spa-Francorchamps. Vários bateram. O carro de Jackie Stewart foi parar dentro de um celeiro. O escocês ficou duas horas preso na sua BRM enquanto combustível jorrava nas suas pernas. Uma única fagulha teria sido fatal. Salvo pelo companheiro de equipe Graham Hill, que arrumou um serrote com um morador da região para retirá-lo dali, Stewart jurou lutar para que aquele absurdo não mais se repetisse.

A princípio, foi taxado como "covarde". Mas não demoraria muito para Stewart provar o seu valor. No GP da Alemanha de 1968, disputado em meio à neblina e à chuva no traiçoeiro circuito de Nurburgring, o escocês teve uma exibição de gala e venceu com quatro minutos de vantagem para o segundo colocado. No ano seguinte, conquistou o primeiro dos três títulos da carreira, vencendo seis das 11 etapas da temporada.

O melhor de Stewart viria na década seguinte, mas os anos 60 já serviram para mostrar que aquele escocês era realmente um piloto especial.

Período na Fórmula 1:
1965-1973
Vitórias: 27
Pódios: 43
GPs: 99
Títulos: 3 (1969, 1971, 1973)

4. John Surtees

Foto: F1-Facts.com / sem crédito divulgado

Um dos pilotos mais versáteis da história, o inglês John Surtees é o único homem que conquistou títulos em duas e quatro rodas. Depois de uma carreira muito vitoriosa no Mundial de Motovelocidade, onde faturou sete troféus de campeão entre 1952 e 1960, Surtees procurou um novo rumo para a carreira e aventurou-se na Fórmula 1. Em 1963, foi contratado como primeiro piloto da Ferrari e, ano seguinte, se sagrou campeão ao derrotar Jim Clark e Graham Hill numa das disputas mais emocionantes que a Fórmula 1 já teve.

Ao longo de toda a década, Surtees se manteve como um dos pilotos de mais prestígio no grid. Em 1966, embora não tenha feito uma temporada muito brilhante pela Cooper, chegou ao vice-campeonato. Então, seduzido por um novo desafio, engajou-se na equipe Honda e conquistou uma vitória espetacular no GP da Itália de 1967, batendo Jack Brabham na linha de chegada por apenas dois décimos. Foi o primeiro triunfo da Honda e seria o último de Surtees.

Nos anos seguintes, o inglês jamais repetiria o mesmo sucesso, mas já tinha assegurado sua presença entre os maiores da história da F-1.

Período na Fórmula 1: 1960-1972
Vitórias: 6
Pódios: 24
GPs: 111
Títulos: 1 (1964)

3. Jack Brabham

Foto: F1-Facts.com / sem crédito divulgado


O australiano Jack Brabham venceu três títulos, sendo um deles com equipe própria, e ganhou corridas ao longo de um período de 11 anos. Mesmo assim, é raro ver o nome de "Black Jack" nas listas dos cinco ou dez maiores pilotos da Fórmula 1 em todos os tempos. Talvez pelo estilo discreto e pouco espetacular, Brabham não tenha sido o nome mais marcante de sua época. Ainda assim, o australiano foi, sem dúvida, um homem que esteve sempre entre os melhores de seu tempo.

Ainda na década de 50, em 1959, levou o primeiro título no GP dos Estados Unidos, tendo de empurrar o carro até a linha de chegada porque estava sem gasolina. No ano seguinte, conquistou o bicampeonato, com direito a cinco vitórias consecutivas. A partir de 1961, porém, os carros foram ficando mais leves e Brabham, um sujeito alto e corpulento, levava desvantagem em relação a adversários baixos e leves como Clark e Surtees. O australiano só voltaria ao topo em 1966, a bordo de um carro construído por ele próprio e empurrado pelo ótimo motor Repco.

Em 1969, Brabham anunciou a aposentadoria, atendendo a um pedido da mulher. Mas, sem conseguir contratar um piloto bom o suficiente para a sua equipe, resolveu correr mais uma temporada. Venceu o GP da África do Sul e, por duas vezes, deixou escapar a vitória na última volta. Em Mônaco, perdeu o ponto de freiada para a curva final e foi ultrapassado pelo austríaco Jochen Rindt. Na Inglaterra, ficou sem gasolina por erro de um mecânico que - conta-se - era o futuro chefão da McLaren Ron Dennis. Enfim, aposentou-se no fim da temporada e retornou para a Austrália, onde vive até hoje.

Período na Fórmula 1: 1955-1970
Vitórias: 14
Pódios: 31
GPs: 126
Títulos: 3 (1959-1960, 1966)

2. Graham Hill

Foto: F1-Facts.com / sem crédito divulgado


O recorde de participações na Fórmula 1 é do brasileiro Rubens Barrichello, mas o homem que disputou mais temporadas da categoria foi o inglês Graham Hill. Entre 1958 e 1975, foram nada menos do que 18 temporadas na F-1, duas a mais do que Rubinho, e isso numa época em que o esporte a motor era quase tão perigoso como pilotar aviões em guerras. Ao longo desses anos, Hill somou 14 vitórias, dois títulos e três vice campeonatos. Não fosse a presença de Jim Clark, e o inglês certamente teria sido o grande dominador dos anos 60.

Conhecido pelo característico bigode sempre perfeitamente aparado, Hill era um cavalheiro e chegou a salvar a vida de colegas de profissão em mais de uma oportunidade. Na Fórmula 1, venceu cinco vezes em Monte Carlo e ganhou o apelido de "Mr. Monaco". Além de fazer sucesso na Fórmula 1, conquistou vitórias nas 500 Milhas de Indianapolis e nas 24 Horas de Le Mans, o que o torna o único piloto que detém a "Tríplice Coroa" do automobilismo até hoje.

Ironicamente, depois passar tanto tempo na perigosa Fórmula 1 e sobreviver, Hill veio a perder a vida apenas alguns meses após anunciar a aposentadoria, em virtude de um acidente de avião em novembro de 1975. Era o fim da curta trajetória da equipe Hill, que ele havia formado apenas um ano antes. A longa carreira do piloto Graham Hill, porém, já garantira seu lugar entre as mais ilustres da história da Fórmula 1.

Período na Fórmula 1: 1958-1975
Vitórias: 14
Pódios: 36
GPs: 176
Títulos: 2 (1962, 1968)

1. Jim Clark

Foto: F1-Facts.com / sem crédito divulgado

Não há como falar da Fórmula 1 nos anos 60 sem citar Jim Clark. Ao lado do chefe Colin Chapman, o escocês formou aquela que talvez tenha sido a maior dupla da história da categoria. A bordo da Lotus verde e amarela, Clark triturou a oposição em 1963 e 1965, vencendo 13 das 18 corridas disputadas nessas duas temporadas. Nos outros anos, porém, Clark parecia sempre sofrer com um azar incrível. Em 1962 e 1964, perdeu o título na última corrida por quebras mecânicas que ocorreram quando ele estava disparado na frente.

Não fosse a falta de confiabilidade da Lotus e Clark poderia ter encerrado a carreira com cinco títulos - em 1967, ele foi o piloto que mais venceu no ano, mas cinco quebras de motor destruíram o sonho do título. Mesmo tendo menos troféus de campeão do que outros de sua época, Clark era considerado, sem dúvida, o melhor. Em 72 corridas, venceu 25 e finalizou apenas uma vez em segundo lugar. Ou seja: se o carro não quebrasse, Clark estava lá para subir ao lugar mais alto do pódio.

No início de 1968, já tendo vencido a prova de abertura da temporada na África do Sul, Clark e a Lotus estavam em alta. O novo motor Ford Cosworth havia finalmente se acertado e nada parecia deter o escocês no caminho do tri. Infelizmente, um acidente numa inútil corrida de Fórmula 2 em Hockenheim, na Alemanha, encerrou de forma abrupta e chocante a trajetória de Clark. O desaparecimento do piloto foi um trauma terrível para a Fórmula 1 da época e representou o início do fim da era romântica da categoria.

Período na Fórmula 1: 1960-1968
Vitórias: 25
Pódios: 32
GPs: 72
Títulos: 2 (1963, 1965)

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