quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Confusão à vista...

Por Alexander Grünwald

Uma declaração do diretor esportivo Stefano Domenicali aos jornalistas presentes no lançamento do modelo F60, máquina que a Ferrari usará em 2009, levantou uma dúvida sobre o novo regulamento da Fórmula 1. Ele disse que a equipe está focada na confiabilidade, já que o número de propulsores será limitado a apenas oito por carro ao longo da temporada.

Pois é aí que mora a contradição. No início de novembro, a FIA elaborou um pacotão de mudanças para 2009, visando a contenção de custos e a conseqüente sobrevivência da categoria, que havia perdido a Honda poucos dias antes. E um dos itens do comunicado falava sobre a maior durabilidade dos motores. Se em 2008 eles tinham que durar dois GPs, a partir desta temporada o número subiria para três, com a limitação a 18 mil RPM.

No entanto, o regulamento publicado no site da entidade, no artigo 28.4, não faz menção ao número de GPs, e sim ao número de motores. Então faça as contas: oito motores para 17 corridas = 2,125 GP por motor.

Sendo assim, isso abre uma série de possibilidades. Desde que respeitem o limite anual, será que as equipes podem fazer interpretações desta regra ao bel prazer? Por exemplo, usar um motor na Austrália, outro na Malásia, e voltar ao primeiro no Bahrein? Ou classificar com um e treinar com outro? Ou então usar alguns motores por quatro GPs e outros por apenas dois?

Eis o artigo 28.4 do regulamento esportivo da FIA de 2009:

28.4 a) Cada piloto poderá usar não mais do que oito motores durante a temporada. Se um piloto usar mais do que oito motores, ele perderá dez posições no grid de largada de qualquer evento em que o motor adicional seja usado.

O motor será considerado usado quando o sensor de tempo do carro mostrar que ele deixou o pit lane.

b) Se um piloto for trocado durante qualquer momento da temporada, seu substituto será considerado o original em termos de motores usados.

c) Após consulta com cada fornecedor de motores, a FIA colocará selos em cada motor para assegurar que nenhuma parte móvel significativa possa ser consertada ou trocada. Após duas horas do fim da corrida, no parque fechado, e se o competidor quiser usar o motor no próximo evento, partes do sistema de exaustão (com um orifício de 10 milímetros por cilindro) e os selos serão aplicados para garantir que o motor não poderá ser usado até o próximo evento.

d) Se algum dos selos da FIA estiver danificado ou for removido do motor após ele ser usado pela primeira vez, o motor não poderá ser usado de novo, a não ser que os selos tenham sido removidos sob supervisão da FIA.

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