quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Título pode depender de "São Thiago"

por Livio Oricchio

O Brasil não é campeão do mundo na Fórmula 1 desde 1991. Felipe Massa tem a chance de conquistar o título domingo, em Interlagos, no GP do Brasil, diante de sua torcida. Este ano há um histórico de corridas definidas pelas decisões dos comissários desportivos e um deles, da etapa final do Campeonato Mundial, é o brasileiro Élcio de São Thiago.

A pergunta é inevitável: dá para ser isento? “Se você aceitou ser juiz tem, então, de cumprir a lei, não há nacionalidade. Se algum piloto brasileiro fizer coisas erradas, eu vou punir”, afirma Élcio, designado pela Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) à Federação Internacional.

“Já passei por isso”, lembra Élcio. “Puni o Rubens Barrichello, Pedro Paulo Diniz. Seria muito ruim se o Felipe Massa soubesse que há alguém que lhe permite fazer o que quiser.” A autoridade esportiva da competição é dos três comissários escalados. No caso da importante etapa de São Paulo serão, além de Élcio, o alemão H. Tomczyck e o inglês C. Calmes.

Acompanharão os treinos livres, amanhã, a classificação, sábado, e as 71 voltas da corrida, domingo, dispondo de imensos recursos tecnológicos, capazes de lhes oferecer detalhes precisos do comportamento dos pilotos. E, dependendo do que ocorrer na pista, os três poderão ser decisivos para a definição do campeão do mundo.

“O critério para o veredicto é o da maioria simples. São três cabeças. Se duas tiverem a mesma opinião, está resolvido”, explica Élcio. Estranhamente, os comissários podem nunca ter trabalhado juntos. Os três contarão, ainda, com a orientação do advogado inglês Alan Donnely, representante do presidente da FIA, Max Mosley, mas sem direito a voto na comissão.

“Não conheço o currículo deles, imagino que tenham começado no kart também e possuam 40 anos de automobilismo, não sei”, comenta Élcio, profissional da área desde 1968. “O alemão já esteve aqui, ano retrasado, é de falar muito pouco.” Ao contrário, por exemplo do futebol, em que se recomenda que juiz e bandeirinhas trabalhem com critérios de julgamento semelhantes, provenham da mesma cultura, na Fórmula 1, segundo Élcio, o fato de terem tempo para assistir às imagens das manobras duvidosas de diferentes ângulos, até diante dos acusados, torna sua missão menos difícil, daí a não obrigação de falarem a mesma língua.

“Uma ocasião ficamos até as 9 horas da noite porque um dos comissários, indiano, ficou vendo as imagens várias vezes”, diz Élcio.

“Se os comissários entendem de corrida, reconhecem quando houve ou não maldade, pois sabem como o piloto tem de se comportar”, comenta. “Já os casos de malandragem são os piores de serem interpretados.” O comissário explica que convocam os acusados à torre de controle e, diante das mesmas imagens, solicitam sua interpretação. “O que acho incrível é que os pilotos de F-1 se comportam como os de kart, coisas do tipo não vi a bandeira...”

O diretor de prova é o brasileiro Carlos Montagner. Dirige, também há muitos anos, as corridas da Stock Car. Sua visão sobre como deve ser o colégio de comissários difere da de Élcio. “Temos um comissário fixo e dois que variam a cada etapa. Penso ser importante um deles acompanhar todas as corridas, as decisões tornam-se mais criteriosas.” Os pilotos de F-1 solicitam isso: a volta do comissário fixo, como existia em 2007 e enfrentavam menos problemas.

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