segunda-feira, 13 de outubro de 2008

O gigante de Fuji...

Por Rodrigo Mattar

Os outros 19 pilotos do Mundial de Fórmula 1 ficaram pequenininhos diante de Fernando Alonso no Grande Prêmio do Japão, na madrugada deste domingo. Afinal de contas, o espanhol consegue a façanha de vencer duas corridas consecutivas com um carro que até há poucas corridas atrás já era considerado da quinta ou sexta equipe da categoria em termos de competitividade.

Nada menos exato: como já dito por mim em outras ocasiões, Alonso trabalha febrilmente dentro e fora das pistas. Nos bastidores, incentiva para que os engenheiros melhorem mais o R28. No asfalto, corresponde com uma pilotagem impecável - e basta ver o que ele fez em três das últimas quatro corridas (Spa, Cingapura e agora aos pés do Monte Fuji). Afora que ele tem uma “leitura de corrida” como poucos. Neste quesito, Alonso talvez seja disparado o melhor de todos.

É bem verdade que a vitória dele se deveu a uma primeira volta caótica para todos os pilotos de McLaren e Ferrari, mas os méritos de Alonso estão em saber também capitalizar os erros alheios a seu favor. Especialmente porque na largada, Lewis Hamilton partiu mal da pole position e na primeira curva freou tão forte que Kimi Räikkönen e Felipe Massa saíram fora do traçado. Com o carro totalmente descompensado, o líder do campeonato perdeu posições para Robert Kubica, Alonso, Heikki Kövalainen e para a dupla da Ferrari - Räikkönen e Massa. Tudo o que Lewis não queria.

E na primeira volta ele foi com apetite para ultrapassar o brasileiro - que exagerou na dose. Numa curva de baixa, quando Hamilton já tinha feito a ultrapassagem, Massa entrou com duas rodas na grama… e pimba!… acertou em cheio a McLaren do britânico, que rodou e caiu para penúltimo.

A FIA, com a ineficácia de sempre, demorou uma eternidade para anunciar que o incidente estava sob investigação. Mas também resolveu aprontar novamente: botou na berlinda o ocorrido da primeira volta. E puniu não só Massa (de forma justa) como também a Hamilton (de forma injusta, na minha opinião) com um drive through que prejudicou a corrida dos dois.

Nesta altura, quando Kubica fez sua primeira parada e Alonso também, a Renault resolveu jogar com uma estratégia diferenciada: com menos gasolina no tanque, o espanhol foi pra pista com a missão de abrir suficiente vantagem para ganhar a liderança do polonês quando os dois parassem novamente. A tática deu certo e Fernando não mais perdeu a liderança.

A equipe também acertou na tática de Nelson Ângelo Piquet, que fez uma corrida quase perfeita, sem erros de monta e uma pilotagem limpa e precisa - ajudada pela estratégia e por um carro sempre rápido. O brasileiro chegou a liderar algumas voltas e após o segundo pit, passou por Jarno Trulli para assumir de vez a quarta posição.

Enquanto Kimi Räikkönen tentava - e não conseguia - ajudar Felipe Massa na disputa pela 2ª posição com Robert Kubica, Massa fazia seu papel na pista. Vinha rápido e no fim da reta, acabou dividindo uma curva com Sébastien Bourdais. Os dois se tocaram e o brasileiro rodou, num incidente claramente normal. Massa ainda faria seu pit para voltar à corrida em oitavo, quando ultrapassou Mark Webber de forma super agressiva.

Porém, os comissários foram rigorosos demais com o francês da Toro Rosso, aplicando-lhe uma punição de 25 segundos que lhe custou a sexta posição, o que elevou Massa para sétimo. Com os dois pontos somados e Lewis Hamilton zerado em Fuji, a diferença entre eles baixou para somente cinco. Mas há um detalhe: Robert Kubica voltou a ter chances matemáticas. Com 72 pontos, o polonês da BMW voltou a aspirar com um - até aqui - improvável título.

Mas nada que apagasse a corrida perfeita de Fernando Alonso, o Gigante de Fuji. No pódio, comemorando muito a 21ª vitória de sua carreira - e o melhor fim de semana da Renault na temporada de 2008 - ele teve novamente a Fórmula 1 e o Monte Fuji aos seus pés.

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