sexta-feira, 3 de outubro de 2008

O auge da prepotência

por Rafael Lopes



“Sei que sou tão bom quanto Ayrton Senna foi”. Esta frase de Lewis Hamilton, em entrevista à TV alemã RTL, está causando muita polêmica no mundo do automobilismo. Não é o primeiro arroubo de arrogância do inglês; no julgamento de sua punição em Spa-Francorchamps, ele já tinha dito que era o melhor piloto da Fórmula 1 atual. Como eu disse na época, uma coisa é confiar em suas habilidades. Outra completamente diferente é ser prepotente. Na maioria das vezes, exagerar na autoconfiança causa mais problemas do que benefícios.

Fui um entre os que ficaram admirados com o talento de Hamilton na primeira temporada. Mas o brilho aos poucos foi se esvaindo em meio a erros e afirmações fora de hora. Tudo começou com aquela história de sua autobiografia, que foi anunciada como a do campeão do mundo de 2007 e começou a ser vendida três corridas antes do fim da temporada. Depois disso, pudemos assistir à seqüência de erros no fim da temporada e à perda do título para Kimi Raikkonen. Ao mesmo tempo, sua postura na briga com Alonso na McLaren foi duvidosa.

A declaração de Hamilton à TV alemã é complicada. Acho que o inglês tem muito talento, mas ainda não ganhou nada. Ayrton Senna foi um dos maiores pilotos da história da Fórmula 1 e é venerado no Brasil e na Europa (pude ver isso com meus próprios olhos quando estive em Donington Park, no mês passado). O piloto da McLaren tem potencial para marcar seu nome no automobilismo. Só que ainda é muito cedo para declarações como essa. Ainda mais neste momento da briga pelo título mundial. É, no mínimo, uma estupidez de sua parte.

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