terça-feira, 21 de outubro de 2008

Massa campeão. Dificil, mas possível, sim.


Por Livio Oricchio

Cheguei em Frankfurt, minha base de operações na Europa, depois de longa viagem procedente de Xangai, via Ulan Bator, Mongólia, Novosibirsk, Sibéria, e Moscou. Aqui pelo menos está mais quente, 12 graus.
O texto a seguir é o da minha última coluna no Jornal da Tarde.
Abraços

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A vantagem de Lewis Hamilton para Felipe Massa na classificação do Mundial é de 7 pontos, 94 a 87, e há apenas 10 em jogo na última e decisiva etapa do campeonato, dia 2 em Interlagos. A fatura está liquidada, Hamilton pode começar a celebrar a conquista do seu primeiro título?

Com toda certeza, não. As chances de Massa ser campeão existem e são até um pouco maiores que os números sugerem. Em primeiro lugar, se o jovem inglês da McLaren conseguir o título, será mais que merecido, como se Massa da mesma forma for campeão. Os dois foram os melhores do Mundial ao lado de Robert Kubica.

Mas não será assim tão simples para Hamilton, apesar de necessitar apenas de um quinto lugar para independemente do que fizer Massa comemorar a conquista. Apesar do isolamento a que se submete nesses dias, como disse ontem na entrevista depois da corrida, não há como Hamilton ao menos não se lembrar, em Interlagos, do imenso drama vivido em 2007 com a perda de um título quase já definido, como agora.

Se apresentou para a prova de São Paulo com os mesmos 7 pontos de vantagem, só que para Kimi Raikkonen, companheiro de Massa. E voltou para casa, na Inglaterra, apenas com o vice. Seu trabalho no fim de semana em Xangai foi perfeito. Foi quase sempre o mais veloz na pista e ontem pilotou como um campeão, rápido, seguro, decidido.

O problema de Hamilton é quando ele se posiciona atrás de um concorrente que, se chegar à sua frente, pode comprometer sua conquista. Ontem não foi o caso e ele esteve irrepreensível. Já em Interlagos, ano passado, foi o que aconteceu, bem como há pouco mais de uma semana no GP do Japão. E a Ferrari deverá ser bem mais competitiva no GP do Brasil do que foi no da China. Tem sido assim nos últimos anos, seu carro se adapta melhor que os demais aos 4.309 metros da pista de São Paulo.

Hamilton vai correr também com o mesmo motor de ontem, em Xangai, num circuito localizado a 800 metros de altura, onde a densidade do ar é menor. A solicitação mecânica é maior. Massa pode competir com um motor novo.

Mais: Kimi Raikkonen tem se mostrado mais eficiente e ganhou em Interlagos, em 2007, quando foi campeão do mundo, o que pode, como ontem, favorecer Massa, um especialista em Interlagos, vencedor da prova em 2006. Já Heikki Kovalainen, parceiro de Hamilton, não o acompanha nem de perto, o que torna mais difícil ser útil ao time.

É por tudo isso que apesar do favoritismo do inglês da McLaren, por causa da posição privilegiada na classificação, uma vitória final de Massa não é realidade tão distante. Apenas menos provável. Massa vencer a corrida é algo bem tangível e Hamilton ter uma dificuldade técnica, errar ou envolver-se num incidente é também possível.

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