terça-feira, 12 de agosto de 2008

O quarto elemento


Por Rafael Lopes

Quem é o maior adversário de F
elipe Massa na temporada 2008? Lewis Hamilton? Robert Kubica? O companheiro de equipe Kimi Räikkönen? Todos são, sem dúvida, ossos duros de roer. Mas nenhum dos três vem dando tanta dor de cabeça ao brasileiro quanto uma palavrinha de quatro letras que dá calafrios muita gente. Na real, é o tal do azar quem está tirando o sono de Felipe Massa.

Cometendo alguns erros no início do ano, o piloto da Ferrari se viu eliminado das duas primeiras corridas sem marcar um ponto sequer. Com a temporada começando apenas no GP do Bahrein, Massa se viu forçado a dar o melhor de si mesmo, caso quisesse continuar com chances de conquistar o título. E assim o fez. No entanto, ao passo que fazia corridas brilhantes, via uma nuvem negra cada vez mais espessa teimando em acompanhá-lo.

Com as vitórias no Bahrein, na Turquia e na França – esta última com uma inesperada mãozinha da sorte, Massa chegou à liderança do Mundial. Mas foi vítima de problemas num pit stop no Canadá, de uma estratégia equivocada em Mônaco, dos freios que falhavam na Alemanha e, mais recentemente, de um motor estourado na Hungria. Por outro lado, suas cinco rodadas na Inglaterra contribuíram para mais uma prova fora dos pontos.

Esta alternância de grandes resultados com erros e azares lembra bastante o inferno astral vivido por Ayrton Senna quando defendia o primeiro título pela McLaren. Mesmo após um final controverso, o brasileiro acabou derrotado, no fim das contas, por não ter acumulado pontos o bastante para equilibrar as forças na disputa pelo campeonato. E pagou por isso quando precisou ir para o tudo ou nada.

Mas a diferença entre o Senna de 1989 e o Massa de 2008 pode ser a salvação de Felipe: enquanto Ayrton corria apenas contra o companheiro Alain Prost, o cenário atual mostra outros três pilotos, de três equipes diferentes, competindo e tirando pontos uns dos outros. O que alimenta a esperança de que, apesar dos azares, Felipe tenha chances de correr por fora. E assim, quem sabe, virar o jogo na hora certa.

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