quinta-feira, 31 de julho de 2008

Para quebrar tabus

Por: Rodrigo Gini/Estaminas

Pista maldita? Talvez seja exagero empregar o adjetivo para explicar a relação entre a Ferrari e o Hungaroring, o circuito da Hungria, palco da 11ª edição do Mundial de Fórmula 1, domingo. Mas uma análise nas estatísticas recentes do time de Maranello mostra que apenas em Mônaco e no Canadá um carro vermelho não vence há mais tempo. Já se vão quatro anos desde que Michael Schumacher levou o Cavallino Rampante ao alto do pódio pela última vez em Budapeste. Desde então, a combinação entre fatores técnicos, a presença da chuva e falhas na estratégia ou no trabalho de boxes ajudaram a alimentar a escrita.

No ano passado, por exemplo, a Ferrari pagou por uma solução de seus projetistas, que preferiram aumentar a distância entre-eixos do F-2007 para melhorar a circulação do ar e reduzir o arrasto aerodinâmico. A idéia deu resultado em pistas velozes como Spa-Francorchamps, Istambul e Silverstone, mas comprometeu o desempenho justamente em Mônaco, no Canadá e na Hungria. Além disso, o modelo apresentava um problema crônico de desequilíbrio nas zebras mais altas.

Características corrigidas no F-2008, nas duas primeiras pistas não foi possível confirmar a evolução – seja pela chuva, seja pelo acidente com Kimi Raikkonen nos boxes de Montreal ou pela falha em um reabastecimento de Massa no mesmo circuito. Agora, ainda que evitem falar em crise, os dirigentes ferraristas sabem que estão diante de um teste definitivo. Afinal, nos dois últimos GPs, somaram apenas 14 dos 36 pontos possíveis.

“Assim como não nos considerávamos imbatíveis depois de vencermos na França, também não nos vemos derrotados com o que se passou na Inglaterra e na Alemanha. Lideramos entre os construtores e nossos dois pilotos podem, domingo, recuperar a ponta do Mundial. Toda a equipe está fazendo o máximo para superar este momento desfavorável”, lembra o diretor esportivo Stefano Domenicali. Em Hungaroring, os carros de Raikkonen e Massa terão a carroceria do motor em forma de bigorna, semelhante à lançada pela Red Bull e copiada por diversos outros times.

Se Kimi Raikkonen sabe o que é vencer na Hungria (dominou o GP de 2003, com a McLaren), Massa tem contas a acertar com os 4.381m do sinuoso traçado. Em cinco participações (duas com a Ferrari e três com a Sauber), não somou nem sequer um ponto. Foi sétimo em 2002, mas, na ocasião, apenas os seis primeiros pontuavam. No ano passado, largou em 14º depois de um problema nos boxes e, quase sem possibilidades de ultrapassar, terminou em 13º.

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