quinta-feira, 31 de julho de 2008

Lembranças de um circuito diferente

Por: Rodrigo Gini/Estaminas

O ano era 1986. Na conjuntura política da época, marcada pelos últimos momentos da supremacia comunista no Leste Europeu (a chamada Cortina de Ferro), era quase impensável o desembarque de uma das principais expressões do capitalismo: o Mundial de Fórmula 1, com seus milhões de dólares, os ricos patrocínios de gigantes da iniciativa privada e o máximo da tecnologia sobre quatro rodas. As máquinas na pista contrastavam com os velhos modelos alemães orientais e soviéticos que povoavam as ruas. Se a iniciativa de levar a categoria a uma nova fronteira partiu de Bernie Ecclestone, que transformou a F-1 em um espetáculo planetário, muito do sucesso se deveu a um húngaro de coração brasileiro, Mihaly Hidasy, que aceitou o desafio de comandar as primeiras edições da prova no circuito nas cercanias de Budapeste.

O Muro de Berlim caiu, levou consigo sete décadas de isolamento e, 22 anos depois do primeiro GP, quase não há referências ou lembranças do período. Não há como esquecer, no entanto, muitos dos pegas de que o traçado de 4.381m foi testemunha. A começar pela edição de abertura. Nelson Piquet, então na Williams, e Ayrton Senna, com uma Lotus, contrariaram a expectativa de que seria praticamente impossível ultrapassar no circuito. Os dois dividiam a primeira fila, trocaram diversas vezes de posição ao longo das 76 voltas e o pai de Nelsinho Piquet levou a melhor com uma manobra inesquecível. No fim da reta dos boxes, superou o rival por fora, entrando na primeira curva com o carro totalmente de lado. Tempos de câmbio manual, pneus slicks e poucos dispositivos eletrônicos. Nigel Mansell, que completou o pódio, ficou a uma volta da dupla verde-e-amarela.

Piquet e Senna repetiriam o resultado em 1987. Ayrton venceria em 1988 e a supremacia brasileira só seria quebrada no ano seguinte, com um dos mais impressionantes desempenhos de Nigel Mansell, que largou em 12º e levou sua Ferrari à bandeirada em primeiro. Senna ainda venceria em 1991 e 1992.

O Hino Nacional voltaria a ser ouvido na Hungria em 2002, quando Rubens Barrichello acabou escoltado por Michael Schumacher que, depois do vexame na Áustria e com o título praticamente garantido, preferiu não atacar o brasileiro.

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